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12/09/2009

Um festival de elétricos, exóticos e tudo o que fica no meio

The New York Times
Jerry Garrett
Em Frankfurt (Alemanha)
No jargão esportivo, os escolhidos na primeira rodada de recrutamento são prováveis sucessos garantidos. Mas poucos chegam à primeira divisão; a maioria desses atletas acaba decepcionando - depois de algum tempo estão vendendo carros usados ou seguros no interior.

A dinâmica é semelhante na dança das feiras internacionais de automóveis. Dezenas de novos modelos ocupam o palco durante momentos de glória antes de passar para vidas curtas e banais transportando pessoas e mercadorias, e depois de algum tempo tornando-se material de sucata.

Este ano na Feira de Automóveis de Frankfurt, que começou na semana passada, alguns carros apostaram na posteridade. Em algum futuro concurso de elegância, os juízes poderão discutir sobre o Ferrari 458 Italia ou o Lamborghini Reventon Roadster. E alguns modelos apresentados aqui já eram tratados como piadas, como o Trabant nT, uma atualização elétrica do infame "carro do povo" da Alemanha Oriental.

Mas há uma grande diferença entre valor de coleção e utilidade - para não falar em preço. No máximo 20 Reventons de US$ 1,6 milhão serão vendidos. Mas a produção poderá chegar a centenas de milhares para alguns veículos lançados aqui, como o Ford C-Max.

O C-Max da próxima geração interessa especialmente aos americanos. A Ford vai trazer uma versão de sete lugares dessa chamada perua espacial para os EUA em 2011. Construída sobre a plataforma do próximo Focus compacto, será uma minivan compacta na linha do Mazda 5.

Mas a gente se pergunta sobre as perspectivas de veículos como o Chevy Spark, baseado no Daewoo; a divisão da Chevrolet, para não falar sua matriz, a General Motors, enfrenta um futuro incerto. O Spark teve uma estreia inauspiciosa e discreta; simplesmente ficou estacionado ao lado de dois outros carros em um pequeno prédio temporário em uma rua lateral no complexo do centro de convenções Messe.

Cerca de 85 novos veículos estrearam mundialmente aqui - embora na verdade vários tenham sido lançados em outros lugares ou exibidos antes em outros eventos - e os fabricantes alemães usaram o campo da casa para sua maior vantagem. As empresas alemãs apresentaram dezenas de novos modelos. Só a Volkswagen lançou nove.

A VW chegou a dizer que seu carro-conceito elétrico E-Up tem tudo para ser um veículo "cult" - embora essa avaliação possa ser prematura, já que o carro só será vendido daqui a alguns anos.

Uma das estrelas da feira foi sem dúvida o L1, conceito da VW tamanho pigmeu: um carro miniatura aerodinâmico para duas pessoas, uma atrás da outra, em um pacote que pesa menos de 500 quilos.

Alguns dos modelos de ponta em Frankfurt parecem destinados a ser objetos de desejo. O Ferrari 458 Italia, que substitui o envelhecido F430, mostrou-se ainda mais interessante de perto do que nas fotos de espionagem. O GranCabrio, primeiro conversível de quatro lugares da Maserati, será disputado e terá fila para compras durante tantos anos quanto o 458. O Bentley Mulsanne, substituindo o antiquado Arnage, viverá para sempre, pelo menos em mercados como a Grã-Bretanha, Beverly Hills e Bahrein.

A comoção em torno do Rolls-Royce Ghost, porém, pareceu decepcionante; a entrevista coletiva da Rolls teve pequena participação, para falar caridosamente. Talvez isso tivesse menos a ver com a estrutura menor do Rolls - ele é construído sobre a plataforma de um "simples" BMW 7 Series - e mais com sua infeliz escolha como a última grande revelação entre as pré-estreias para a mídia. Então a maior parte do pessoal já sofria de sobrecarga sensorial.

A Rolls e outros fabricantes de sedãs de luxo descobrem que o gênero está ficando saturado, com novos adversários de companhias que antes desdenhavam qualquer coisa maior que um conversível de dois lugares. A Aston Martin revelou seu sedã Rapide, que tem assentos suficientes para os Agentes 008, 009 e 010. Ele vai disputar com outros de quatro lugares e preços de seis dígitos como o Porsche Panamera e o Maserati Quattroporte.

A feira de Frankfurt é organizada com a eficiência e a ordem de uma operação militar. Mas antes de o show realmente começar se transformou em uma espécie de briga por comida enquanto os fabricantes de carros, desesperados por divulgar primeiro suas mensagens verdes, começaram a vazar informações e a passar fotos não oficiais para a imprensa.

A competição se mostrou prejudicial - e quase cômica.

Presa pela organização da feira com uma programação que lhe deu uma entrevista coletiva no fim da tarde de terça-feira - o equivalente à zona morta nesta feira -, a Toyota se antecipou. Divulgando detalhes na noite de segunda de seu híbrido Auris e do "plug-in" (elétrico, para ligar na tomada) Prius, a Toyota conseguiu superar a BMW, que deveria inaugurar a feira na manhã seguinte.

A Bugatti deu um verdadeiro golpe, porém, vazando detalhes de um modelo-conceito, o sedã Galibier, que não estava sendo lançado em Frankfurt. Na verdade, a Bugatti sequer tinha um estande na feira, quanto mais uma conferência de imprensa.

Ainda assim, foi duro para a BMW, que lançou com coreografia extravagante uma frota de modelos de sua linha EfficientDynamics, máquinas esportivas mas econômicas, movidas a diesel. A principal destas era o carro-conceito Vision, um híbrido diesel-elétrico, com faróis azuis brilhantes e painéis de carroceria transparentes.

Para causar espanto, o pavilhão da BMW era diferente de tudo o que se viu em uma feira de carros desde o evento de Detroit em 1999, onde a Ford gastou supostos US$ 30 milhões em uma exposição que incluía uma ponte no céu que levava a seus carros do futuro. O estande da BMW, que ocupa quase a metade da Torre 11 no complexo de Messe, tem uma pista elevada de dois andares, ao redor da qual uma dúzia de modelos circulavam.

De modo geral, havia tantos carros rodando em um tempo tão curto - os eventos para a mídia foram geralmente limitados a dois dias - que muitos modelos significativos tiveram pouca repercussão na cobertura.

O Lexus LF-Ch, um conceito hatchback híbrido esportivo; o sedã XJ tradicional da Jaguar, refeito; e o Mercedes-Benz SLS AMG asa de gaivota estiveram entre os modelos significativos que talvez merecessem mais atenção do que tiveram.

Mas os americanos que não conseguirem ir a Frankfurt nas próximas duas semanas podem esperar para ver muitos dos estudos de design - como os carros-conceito elétricos Mercedes Blue Zero e Audi R8 e-tron - em feiras mais perto de casa: Los Angeles no início de dezembro, Detroit em janeiro e Nova York em abril.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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