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13/09/2009

Ativistas conta a Aids dão notas para companhias farmacêuticas

The New York Times
Duff Wilson
A Merck recebeu a nota mais alta e o Abbott Laboratories não atingiu a nota mínima de acordo com um relatório divulgado nesta quinta-feira por um importante grupo de ativistas pelo tratamento da Aids depois de um estudo de um ano sobre as ações de nove grandes companhias farmacêuticas para lidar com o contágio nos Estados Unidos.

Apesar de os avanços nos regimes de drogas desde os anos 90 terem acrescentado quase 20 anos à expectativa média de vida de uma pessoa com HIV/Aids, o relatório atribuiu a nota C-menos aos fabricantes de medicamentos em geral, abaixo da média, e recomendou melhorias.

"Há uma oportunidade para subir um degrau", disse Bob Huff, diretor de tratamento antirretroviral do Treatment Action Group em New York e membro do conselho do grupo de avaliação.

Vinte e dois membros da Coalizão de Ativistas para o Tratamento da Aids, grupo sem fins lucrativos formado em 2001, pesquisaram as companhias de remédios, entrevistaram executivos e deram notas para os desempenhos delas durante os últimos 25 anos, disse Huff. As companhias receberam notas por pesquisa e desenvolvimento, preços, programas de assistência aos pacientes, marketing e relações com a comunidade.

Mais de um milhão de pessoas nos Estados Unidos estão infectadas pelo vírus da imunodeficiência humana, mas cerca de apenas metade delas foram diagnosticadas e recebem tratamento, diz o governo. Sem tratamento, o HIV/Aids deixa as pessoas vulneráveis a infecções e ao câncer. Apesar de o tratamento reduzir os sintomas e estender a vida, não há cura para a doença.

O relatório deu sua maior nota, um B, para o laboratório Merck, por produzir o Isentress, o primeiro de uma nova classe de medicamentos contra a Aids chamada de inibidores integrase. Ele também elogiou o Merck por congelar os preços para usuários de baixa renda. O Isentress, aprovado em 2007, já está sendo usado por 11% das mais de 550 mil pessoas tratadas nos Estados Unidos, disse Michael S. Seggev, assessor de imprensa da Merck, na quarta-feira.

"Estamos muito satisfeitos por termos atingido a nota mais alta no relatório", disse ele. "Eles são o grupo mais respeitado e representativo da comunidade de portadores de HIV nos EUA, assim, a opinião deles é muito significativa."

O grupo deu um F para o Abbott por aumentar o preço das vendas do Norvir no atacado, a primeira droga que provou ser eficiente para aumentar a sobrevivência dos pacientes de Aids, em 400% em 2003. O Norvir é um ingrediente chave na maioria dos coquetéis par ao tratamento da Aids. O aumento de preço provocou protestos por parte de muitos pacientes e outras pessoas.

Um assessor de imprensa do Abbott, Dirk van Eeden, respondeu na quarta-feira: "A comunidade de portadores de HIV é importante para nós, então, sim, nós levamos em conta os comentários que eles fazem". E acrescentou: "Nós de fato acreditamos que descobrimos medicamentos importantes e fizemos nossa parte para garantir que pacientes que precisam deles possam consegui-los."

Entre as outras notas, havia um B para a Tibotec Pharmaceuticals, companhia da Johnson & Johnson voltada para doenças infecciosas; C menos para a Pfizer, que anunciou em abril uma parceria com a GlaxoSmithKline para criar uma companhia voltada para o HIV; C menos para a Gilead Sciences; C menos para a Briston-Myers Squibb e a GlaxoSmithKline, ambas criticadas por preços altos; um D mais para a Boehringer Ingelheim; e um D para a Hoffman LaRoche, que segundo a coalizão têm o medicamento mais caro do mercado.

Representantes da Pfizer, Gilead e Boehringer responderam na quarta-feira que valorizam as opiniões do grupo e continuam seu trabalho com a Aids. A Bristol-Myers Squibb ficou "desapontada" e achava que merecia uma nota melhor, disse uma assessora. Outras companhias não responderam imediatamente aos pedidos para comentários.

A coalizão de certa forma cuspiu no prato que comeu. Ela recebe todos os seus fundos das companhias farmacêuticas, principalmente para financiar os ativistas que viajam para encontros com as companhias. O diretor-executivo, Edward T. Rewolinski, revelou quantias específicas dos últimos dois anos para o The Times. "Nenhum dos nossos membros tem os meios para bancar essa atividade", disse ele.

"Pessoas assim nunca seriam influenciadas pelo dinheiro", disse Jennifer Flynn, diretora de um grupo de Aids não relacionado a eles, o Health GAP, em Nova York.

A principal doadora de fundos foi a Gilead, com US$ 100 mil, seguida pela Pfizer, US$ 63 mil; Bristol-Myers Squibb, US$ 50 mil; Tibotec, US$ 45 mil; Merck, US$ 15 mil; e Boehringer, US$ 5 mil. A Abbott não doou nada.

Huff disse que o grupo de avaliação foi isolado de pedidos de doações. "Não estamos protegendo ninguém", disse. "Os membros sentem que a indústria farmacêutica pode fazer um trabalho muito melhor, quer seja na inovação ou nos preços."

A coalizão foi formada em 2001 em parte para coordenar os contatos com as companhias farmacêuticas em vez de deixar o setor decidir quem ele gostaria de convidar para as reuniões.

Tradução: Eloise De Vylder

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