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15/09/2009

Aumento dos gastos e centralização do poder derrubam popularidade de Obama

The New York Times
David Brooks
Duas ondas varreram a política americana no último inverno. A primeira foi a onda Obama. O presidente americano assumiu o poder com um impressionante índice de 70% de aprovação. A segunda foi a onda independente. Nos primeiros meses deste ano, o número de pessoas que se classificavam como democratas ou republicanos diminuiu, enquanto o número de pessoas chamadas independentes explodiu.

  • Mario Tama/AFP

    Por força das circunstâncias, o presidente tem promovido uma política atrás da outra que só aumenta os gastos e centraliza o poder em Washington. O resultado é a queda de Obama, a característica mais importante do momento atual. O número de americanos que confiam em Obama para tomar as decisões certas caiu aproximadamente 17 pontos percentuais. O índice de aprovação do trabalho do presidente caiu cerca de 50%. Todos os presidentes veem seus índices de popularidade diminuir após a alta da "lua de mel". Porém, na história das pesquisas, nenhum presidente americano recém-eleito caiu tanto, com tamanha rapidez

O desafio de Obama era de conduzir sua agenda através de um governo controlado por democratas, ao mesmo tempo em que retém a afeição de 39% dos americanos do centro.

A administração Obama não tem sido capaz de fazê-lo. A partir do estímulo à assistência à saúde, ele se uniu à liderança liberal no congresso. A Casa Branca não conseguiu vetar medidas, como a proposta de lei que estabelece o orçamento de muitos departamentos dos Estados Unidos, que poderia ter demonstrado independência e controle fiscal. Por força das circunstâncias, o presidente tem promovido uma política atrás da outra que só aumenta os gastos e centraliza o poder em Washington.

O resultado é a queda de Obama, a característica mais importante do momento atual. O número de americanos que confiam em Obama para tomar as decisões certas caiu aproximadamente 17 pontos percentuais. O índice de aprovação do trabalho do presidente caiu cerca de 50%. Todos os presidentes veem seus índices de popularidade diminuir após a alta da "lua de mel". Porém, na história das pesquisas, nenhum presidente americano recém-eleito caiu tanto, com tamanha rapidez.

A ansiedade está em todos os lados. A confiança no governo aumentou quando Obama assumiu o cargo. Agora, caiu para baixas históricas. Cinquenta e nove por cento dos americanos acham que o país está indo na direção errada.

A opinião pública sobre o Congresso, que esteve em alta durante um tempo, despencou. Charlie Cook, conhecedor das eleições do Congresso como ninguém no país, escreveu recentemente que o destino democrata "fugiu completamente do controle". Ele e os especialistas entrevistados acreditam que há tantas chances de que os democratas percam mais de 20 assentos nas próximas eleições quanto menos de 20.

Também há sinais de alerta no Senado. Uma pesquisa recente mostra Harry Reid, o líder da maioria, atrás do republicano Danny Tarkanian, um possível oponente para 2010, com índices de 49% e 38%. Quando seu líder majoritário cai para uma base de 38% em seu estado-natal, isso não é um bom sinal.

O público se desiludiu com as propostas de Obama. Os eleitores muitas vezes têm apenas uma ideia indistinta do que cada proposta individual realmente faz, mas cada vez mais pessoas têm uma crescente convicção de que, se o presidente está propondo, ela deve envolver grandes gastos, grande parte do governo e uma fuga importante da abordagem americana tradicional.

Levada por essa ansiedade geral, e por preocupações específicas, a oposição pública à reforma do sistema de saúde agora está firme e estável. Os independentes apoiavam solidamente a reforma. Agora, eles se viraram contra ela. Como apontou o experiente pesquisador Bill McInturff, as atitudes públicas em relação ao "Obamacare" se encaixam perfeitamente com as atitudes em relação ao "Clintoncare", quando esse esforço de reforço entrou em colapso, em 1994.

Impressionante é ver que alguns liberais estão agora atacando Obama porque o país inteiro não concorda com o The Huffington Post. Alguns argumentam que a administração deveria apenas ignorar as massas ignorantes e realizar o esforço da reforma da saúde usando a reconciliação, a manobra legislativa que poderia reduzir a necessidade de votos moderados.

Isso seria suicídio. Não se consegue aprovar a reforma interna mais importante de uma geração quando a maioria dos eleitores pensa que você está no caminho errado. Fazê-lo seria um sinal de arrogância absoluta. Se Obama concordar em usar a reconciliação, ele ficará permanentemente conectado à ala liberal de seu partido e permanentemente alienado dos independentes. Obama seria o presidente de 35% do país - e boa sorte para conseguir fazer qualquer coisa depois disso.

A segunda resposta liberal tem sido atacar o diretor de orçamentos, Peter Orszag. Foi um equívoco colocar o controle de custos no centro do trabalho de vendas da reforma da saúde, segundo o argumento de várias pessoas. O presidente não deveria se preocupar com o déficit. Apenas pular a parte dos gastos. No entanto, contenções fiscais são agora o assunto mais empolgante para americanos moderados. Pegar os US$ 9 trilhões em débitos e aumentá-los ainda mais seria enfurecer uma grande parte do eleitorado.

Este país sempre desconfiou de governo centralizado. Os Estados Unidos passaram por traumas econômicos suficientes, causados por gastos e dívidas em excesso. A maioria dos americanos ainda admira Obama e quer que ele tenha sucesso. Entretanto, se ele não proceder de uma maneira consistente com o espírito da nação e da época, os eleitores irão encontrar uma forma de pará-lo.

O desafio do presidente agora é interromper essa queda. Isso não significa desistir de seus objetivos. Significa que ele tem de alinhar suas propostas aos valores do centro político: responsabilidade fiscal, escolha individual e autoridade descentralizada.

Os eventos empurraram Obama para a esquerda. Hora de se reequilibrar.

Tradução: Gabriela d'Avila

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