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15/09/2009

Nova York busca proibir o fumo em parques e praias

The New York Times
Sewell Chan
Em Nova York (EUA)
A proibição do fumo em locais de trabalho pela prefeitura de Nova York há seis anos levou fumantes de cigarro e charuto para locais abertos. Mas em breve alguns lugares abertos também poderão estar fora dos limites: o comissário municipal de saúde, o dr. Thomas A. Farley, disse na segunda-feira que pedirá uma proibição do fumo nos parques municipais e praias.
  • Carl Saytor/AP

    Desde 2002, o fumo está proibido em lugares fechados, como bares e restaurantes. Agora, a restrição pode se expandir para as praias e parques



Farley disse que a proibição - que as autoridades disseram que pode exigir a aprovação dos vereadores, mas poderia ser adotada por meio de regulamentação administrativa pelo Departamento de Parques e Recreação da prefeitura - faz parte de uma estratégia mais ampla para coibir o fumo, que tem diminuído nos últimos anos. A proposta, entretanto, pareceu ter pego o prefeito Michael R. Bloomberg desprevenido.

Na noite de segunda-feira, o prefeito, que tem defendido programas antifumo mas também está disputando a reeleição, emitiu uma declaração que não desaprovou a proposta, mas dizia que queria "ver se o fumo em parques tinha um impacto negativo sobre a saúde das pessoas".

Ele acrescentou: "Pode não ser logisticamente possível fiscalizar uma proibição por milhares de hectares, mas pode haver áreas dentro dos parques onde a proibição do fumo possa proteger a saúde".

A presidente da Câmara municipal, Christine C. Quinn, cujo apoio pode ser crucial, disse que deseja que a Câmara realize audiências sobre o assunto. Ela disse que as multas deveriam ser modestas e não visando punir, e que qualquer proibição deveria deixar claro se áreas como passeios são afetadas.

"Conceitualmente, esta é uma ideia na qual estou muito interessa e para a qual estou aberta", ela disse sobre a proposta de Farley.

Essas proibições ainda são raras, apesar de estarem crescendo em número. Vários municípios - particularmente na Califórnia - proibiram fumar em parques, playgrounds e praias. Em 2007, Los Angeles ampliou sua proibição ao fumo, que já cobria praias e playgrounds, para incluir os parques municipais. No final do ano passado, Chicago proibiu fumar em suas praias e playgrounds, apesar de fumar ainda ser permitido em muitos parques. Neste ano, os legisladores da Califórnia adotaram uma proibição ao fumo em todos os parques estaduais e parte das praias do Estado.

A proposta estava presente na Página 10 de um documento de 41 páginas, "Cuidando de Nova York, 2012", que apresenta as metas da política de saúde para os próximos três anos, incluindo a redução da obesidade, da transmissão do HIV e do abuso de drogas e álcool. Além das novas restrições, a estratégia antifumo incluiria a pressão por impostos locais, estaduais e federais mais altos sobre o tabaco e pedir para que organizações e empresas na cidade rejeitem o financiamento e patrocínio da indústria tabagista.

Bloomberg, que fumava quando era jovem, enfrentou críticas furiosas de donos de bares e restaurantes em 2002, quando, em seu primeiro ano na prefeitura, fechou um acordo com a Câmara Municipal para uma legislação proibindo o fumo em virtualmente toda área comercial ou pública fechada, incluindo a maioria dos bares (O fumo foi proibido na maioria dos restaurantes em 1995).

Mas a proibição, que entrou em vigor em 2003, de lá para cá ganhou ampla aceitação e foi creditada por ajudar a reduzir o percentual de adultos na cidade que fumam, de 21,5% em 2002 para 15,8% em 2008.

A proposta da prefeitura afetaria mais de 1.700 parques, playgrounds e locais de recreação, assim como as sete praias da cidade, que se estendem por 22 quilômetros de costa. A proposta obteve elogios dos defensores de saúde pública e críticas de um dos maiores fabricantes de tabaco do país.

"As questões envolvendo o fumo passivo são muito reais, e a maioria da população atualmente não quer respirar em meio à fumaça de tabaco, seja em lugares abertos ou fechados", disse o dr. David A. Kessler, que foi comissário da Food and Drug Administration (FDA, agência americana de controle de alimentos e medicamentos) de 1990 a 1997. "Apesar de que, sem dúvida, alguns pensarão que isto é ir longe demais, daqui 10 anos nós olharemos para trás e perguntaremos como alguém poderia pensar o contrário. Não somos apenas nós, mas sim nossos filhos nestes parques e praias."

Cheryl G. Healton, presidente da American Legacy Foundation, o grupo de prevenção ao fumo que foi criado como parte do acordo de 1998 entre a indústria tabagista e 46 governos estaduais, também aplaudiu a proposta.

"Não há valor redentor em fumar nas praias ou parques", ela disse em uma declaração. "Qualquer pessoa que já se sentou atrás de alguém fumando pode dizer. Os riscos à saúde são reais. O fumo passivo é mortal."

David Sutton, um porta-voz da fabricante de cigarros Philip Morris USA, que faz parte do Altria Group, disse que a empresa apoiou a proibição do fumo em prédios públicos, no transporte público e em muitas áreas do local de trabalho, assim como em áreas como elevadores, onde fumar pode causar risco de incêndio.

"Mas mantemos que proibições completas vão longe demais", disse Sutton em uma declaração. "Nós acreditamos que fumar deve ser permitido em lugares ao ar livre exceto em circunstâncias particulares, como áreas ao ar livre voltadas principalmente para crianças."

Entrevistas na segunda-feira sugeriram que os fumantes, sem causar surpresa, não gostam da ideia, enquanto os não-fumantes são favoráveis.

"Neste mundo, as pessoas que têm poder sempre tentam criar regras para outras pessoas", disse Ismael Bah, 37 anos, um vendedor da J&R Music World que fumava em um banco de parque perto da prefeitura. "Faz sentido proibir o fumo em locais fechados, mas em locais abertos? Qualé."

Peter Prince, um executivo de contabilidade de 55 anos da J&R e que mora no setor Riverdale do Bronx, disse que a prefeitura poderia ao menos designar áreas de fumantes dentro dos parques. "Eu tento ter consideração quando estou sentado ao lado de alguém para não incomodar quando fumo", ele disse. "Ocasionalmente acontece de eu acender um cigarro e a pessoa mudar de lugar, o que faz com que me sinta mal."

Adele Jeune, 47 anos, uma auxiliar de saúde do Brooklyn, não fuma e não faz objeção à proibição. "Eu gosto de ar limpo", disse Jeune, que estava sentada em um banco na Union Square. "E se venho a algum lugar como este, eu quero respirar um ar limpo."

Tradução: George El Khouri Andolfato

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