UOL Notícias Internacional
 

16/09/2009

Chefe militar americano pede envio de mais tropas ao Afeganistão

The New York Times
Thom Shanker
Em Washington (EUA)
O mais alto oficial militar do país reagiu na terça-feira (15) contra os democratas que são contrários ao envio de tropas de combate adicionais ao Afeganistão, dizendo ao Congresso que o sucesso provavelmente exigiria mais forças de combate e, certamente, muito mais tempo.

Faltou pouco para essa avaliação feita pelo almirante Mike Mullen, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, representar um pedido explícito por mais tropas. Mas ela sinaliza que os militares pretendem fazer com que sua voz seja ouvida no debate em andamento, à medida que muitos democratas expressam relutância em expandir a guerra e o presidente Barack Obama pesa as opções.
  • Doug Mills/The New York Times

    O almirante Mike Mullen, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas dos Estados Unidos, reiterou a necessidade de enviar mais tropas para combater os insurgentes no Afeganistão


"Mas eu acredito que - tendo ouvido suas opiniões e tendo grande confiança em sua liderança - uma contrainsurreição com recursos apropriados provavelmente significaria mais forças e, sem dúvida, mais tempo e um maior compromisso com a proteção do povo afegão e o desenvolvimento de uma boa governança", disse Mullen.

Os comentários de Mullen foram seus mais específicos até o momento em um debate sobre se mais tropas teriam que ser enviadas ao Afeganistão.

Vários funcionários do governo disseram que a Casa Branca espera dispor de pelo menos várias semanas antes de ser obrigada a lidar com quaisquer pedidos de mais forças para o Afeganistão - e com as implicações políticas desse pedido nos Estados Unidos. Mas o debate de terça-feira no Capitólio, que emoldurou os argumentos sobre como conduzir a missão, indica que uma ampla discussão pública ainda está em andamento.

O esforço de contrainsurreição das forças armadas no Afeganistão está concentrado na proteção da população e em prevenir que o Taleban desestabilize o país.

O secretário de Defesa, Robert M. Gates, ainda não decidiu se apoia o pedido dos comandantes em Cabul por mais tropas, caso seja feito. Um grupo de cerca de 4.000 treinadores deverá chegar no Afeganistão em novembro, aumentando o número de militares americanos ali para 68 mil.

Geoff Morrell, o secretário de imprensa do Pentágono, disse na terça-feira que a oposição inicial de Gates ao aumento da "pegada" americana no Afeganistão ao menos foi abrandada.

Antes, Gates expressava apreensão sobre uma força tão grande a ponto dos afegãos considerarem os americanos como uma força de ocupação. Agora, disse Morrell, o secretário de Defesa está considerando a explicação de McChrystal de que "não se trata tanto do tamanho da força, mas sim o comportamento da força é que determina ou não sua aceitação pelo povo afegão".

Durante a aparição de Mullen perante o Comitê de Serviços Armados, o senador Carl Levin, democrata de Michigan e presidente do comitê, expôs a posição emergente dos democratas no Congresso, ao insistir que esforços acelerados para treinar e equipar as forças afegãs deveriam preceder qualquer envio de tropas americanas além do já previsto pelo governo Obama.

A posição de Levin deverá ter grande influência, já que ele é o presidente do comitê e o democrata mais poderoso no Congresso em assuntos militares. Muitos democratas da Câmara também são contrários ao envio de mais tropas.

Mas o líder da bancada republicana no comitê, o senador John McCain do Arizona, rebateu ao afirmar que mais tropas são "vitalmente necessárias" no Afeganistão e que qualquer atraso no envio de mais forças de combate colocaria vidas americanas em risco.

Mullen reconheceu a importância do esforço de treinamento defendido por Levin, mas disse que essa missão não poderia fornecer rapidamente o nível de segurança exigido pela nova estratégia de contrainsurreição.

"Eu compartilho sua visão de que forças nacionais de segurança afegãs maiores e mais capazes permanecem vitais para a viabilidade do país", disse Mullen. "Nós devemos formar rapidamente a polícia e o exército afegãos."

Mas ele também disse que "o envio de mais treinadores mais rapidamente pode nos dar um impulso, mas apenas isso".

"Treinamento de qualidade exige tempo e paciência", ele prosseguiu. "A confiança privada dos afegãos - tão vital para nosso propósito - não é fomentada com pressa pública."

Levin, que se encontrou com os comandantes e soldados no Afeganistão durante o recesso do Congresso para o Dia do Trabalho, disse que o treinamento de unidades da polícia e do exército afegão "demonstraria nosso compromisso com o sucesso de uma missão que é do interesse de nossa segurança nacional, evitando ao mesmo tempo os riscos associados a uma pegada americana muito maior".

E ele disse que "esses passos devem ser implantados de forma urgente antes de considerarmos um maior aumento das tropas de combate americanas em solo, além do que já está planejado para ser posicionado até o final do ano".

Levin disse que novas metas devem ser estabelecidas para as forças de segurança afegãs. O exército afegão, ele disse, deve crescer para 250 mil soldados até o final de 2012, e a polícia para 160 mil até a mesma data. As metas atuais são de 134 mil soldados do exército e 96 mil policiais até o final do próximo ano.

McCain defendeu uma posição oposta. Ele lembrou que as tentativas iniciais no Iraque de transferir o fardo da segurança das forças americanas para as forças locais foram um fracasso colossal. "Eu já vi esse filme", ele disse.

"Eu fiquei encorajado ao longo do último ano pelas declarações e ações do presidente, assim como pela prioridade inequívoca que ele dedicou à obtenção do sucesso no Afeganistão", disse McCain. "A aprovação do presidente para o aumento das tropas era necessário àquela altura, assim como acredito que é ainda mais necessário agora."

Outros membros do comitê disseram que as agências civis do governo americano precisavam acelerar sua assistência à reconstrução do Afeganistão. O senador Jack Reed, democrata de Rhode Island, alertou que esses esforços civis eram urgentemente necessários para consertar o governo em Cabul, que ele descreveu como disfuncional e que não é visto como legítimo por grande parte da população.

Obama disse na segunda-feira que o público não deve esperar "um anúncio repentino de uma enorme mudança na estratégia" e ele prometeu que o assunto será "amplamente debatido, não apenas no Congresso, mas por todo o país antes de tomarmos qualquer nova decisão".

Durante uma coletiva de imprensa, Morrell, o porta-voz do Pentágono, também apontou para uma contradição no argumento daqueles que apoiam treinadores, mas não mais tropas de combate, porque a preparação pelos treinadores americanos inclui a necessidade de se juntarem às forças locais quando elas saem em missões de combate.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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