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19/09/2009

Obama, mais exposto na mídia que Paris Hilton

The New York Times
Mark Leibovich
Em Washington (EUA)
Enquanto o presidente Barack Obama prepara-se para o seu encontro com os programas de entrevistas matinais de domingo, uma questão familiar perturba os seus assessores: "A partir de que limite a presença de Obama torna-se excessiva?"
  • AFP PHOTO/Jim WATSON

Até mesmo segundo os seus próprios padrões de onipresença, Obama tem se engajado ultimamente em uma onda prodigiosa de aparições na mídia, defendendo o seu plano de reforma do sistema de saúde aparentemente em toda parte, com a exceção do Food Channel e da Fox News.

Obama será entrevistado no domingo pela ABC, NBC, CBS, CNN e Univision, e aparecerá no programa "Late Show With David Letterman" na segunda-feira (ele será o único convidado do programa), da mesma forma como vem fazendo na mídia impressa ("Men's Health"), na Web (Bloomberg) e nas redes de notícias a cabo (CNBC).

Tudo isso gerou mais um debate em torno da palavra superexposição, que tornou-se o principal tópico de conversas em torno da Casa Branca nos últimos dias.

O presidente está vulgarizando a sua imagem ao ser tão visível? Ou será que ele está sendo simplesmente inteligente na sua maneira de utilizar a mídia?

Entre os que argumentam que a imagem de Obama na mídia é excessiva está Ken Spain, diretor de comunicação do Comitê Congressual Nacional Republicano. "As pessoas estão começando a mudar de canal quando veem o presidente", declarou Spain em uma entrevista na última quarta-feira.

Assessores da Casa Branca sustentam que o presidente é o melhor defensor da sua mensagem, e eles tendem a tratar as perguntas referentes a uma suposta superexposição do presidente com a irritação que uma pessoa poderia sentir ao ser importunada por uma mosca.

"A 'superexposição' do presidente é uma obsessão estimulada pela mídia que surge nos intervalos entre os pedidos de entrevistas feitos a ele", afirma Bill Burton, vice-secretário de Imprensa da Casa Branca.

Os assessores dizem que a ideia de que um presidente precisa dosar as suas entrevistas é antiquada.

"A ideia de superexposição baseia-se em uma visão de mundo antiga sobre a mídia", opina Dan Pfeiffer, vice-diretor de Comunicação da Casa Branca. "Como atualmente a mídia é tão fragmentada, é necessário participar de todos os programas de entrevistas de domingo, de vários programas de redes de notícias e de entrevistas noturnas para atingir o número de telespectadores que um presidente era capaz de atingir com uma entrevista a uma única rede 20 anos atrás".

Em outras palavras, é preciso aparecer muito na televisão, como Barack Obama.

"Estamos basicamente dividindo o tempo ao aparecermos em cada estação", diz David Axelrod, assessor do presidente, ao referir-se à agenda presidencial de domingo.

Alguns observadores questionam não tanto o número de entrevistas de Obama, mas a sua redundância. Quando o presidente George W. Bush concedeu uma entrevista no Salão Oval da Casa Branca a Tim Russert, do programa "Meet the Press", clipes da gravação foram exibidos em diversas redes, e o efeito foi basicamente o mesmo que seria obtido caso Bush tivesse sido entrevistado por cinco programas diferentes (e com uma possibilidade aproximadamente 80% menor de que ele dissesse algo de problemático).

"Os programas de domingo constituem-se em um formato seguro para Obama, e eu acredito que ele ouvirá várias das mesmas perguntas com as quais se sente confortável", afirma Alan Schroeder, professor de jornalismo da Universidade Northeastern e especialista em comunicação presidencial.

Mas, por que cinco? Um assessor graduado da Casa Branca, falando sobre a estratégia de mídia, com a condição de que o seu nome não fosse publicado, citou um "fator cochicho", afirmando que, ao concluir um feito sem precedência no caso de outros presidentes, Obama atrairia ainda mais atenção para a sua mensagem.

"Cinco entrevistas é algo que consiste, em si, em uma notícia", explica o assessor.

De acordo com Schroeder há menos risco em conceder cinco entrevistas previsíveis no domingo do que em sentar-se para uma sessão menos previsível com Letterman na segunda-feira - o "covil dos leões comediantes", conforme ele chama esse tipo de programa. Para demonstrar que é preciso ter cautela, ele cita uma aparição de Obama, em março, no "Tonight Show With Jay Leno", quando o presidente fez uma referência zombadora às Paraolimpíadas, tendo mais tarde que se desculpar.

O fato de Obama concordar com uma gama tão vasta de programas e formatos demonstra o quanto ele tem confiança em si próprio. Existe um certo orgulho quanto a isso por parte dos seus assessores, que acreditam que nenhum presidente passado teria sido capaz de suportar esse tipo de agenda.

Mas os críticos afirmam que a capacidade de Obama de fazer isso é menos importante do que a sua habilidade para convencer os céticos quanto ao seu plano para a área de saúde. Eles estão satisfeitos em deixá-lo falar à vontade, acreditando que a onipresença do presidente gerará um "efeito multiplicador negativo" para um plano que seria impopular.

"Obama aparecerá em cinco programas de entrevistas no domingo", escreveu na última quinta-feira, na sua coluna no "Wall Street Journal", Karl Rove, ex-assessor da Casa Branca de Bush. "Ele usaria melhor o seu tempo se rezasse para obter mais apoio público".

Esta não é a primeira vez que Obama é questionado, ou mesmo ridicularizado, devido à sua presença saturante na mídia. Por exemplo, como senador eleito, em 2004, ele reconheceu esse fato com uma referência a uma célebre herdeira que, louca por publicidade, era adepta de uma exposição pública excessiva.

"Estou superexposto", brincou Obama em um discurso feito naquela época. "Perto de mim, Paris Hilton está parecendo uma reclusa".

Tradução: UOL

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