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20/09/2009

Abundância de boa vontade para Obama, mas poucos benefícios na política externa

The New York Times
Peter Baker
Em Washington (EUA)
Enquanto o presidente Barack Obama recebe líderes mundiais nos Estados Unidos nesta semana, ele já avançou muito na sua meta de restaurar a posição internacional de seu país. Seus pares estrangeiros correm para se encontrar com ele e as pesquisas mostram que as pessoas em muitos países se sentem muito melhor em relação aos Estados Unidos.

Mas oito meses após sua posse, toda essa boa vontade se transformou até o momento em poucos benefícios palpáveis para Obama. Por mais que prefiram lidar com Obama do que com seu antecessor, George W. Bush, os líderes estrangeiros não têm se esforçado para lhe dar o que busca.

Os aliados europeus ainda se recusam a enviar mais soldados ao Afeganistão. Os sauditas rejeitaram o pedido de Obama de concessões a Israel, enquanto Israel rejeitou sua exigência de interrupção da expansão dos assentamentos.

A Coreia do Norte o desafiou ao testar uma arma nuclear. O Japão acabou de eleger um partido menos amistoso em relação aos Estados Unidos. Cuba fez pouco no sentido de uma liberalização em resposta ao modesto relaxamento das sanções.

Índia e China estão resistindo a um acordo sobre a mudança climática. E a Rússia rejeitou novas sanções contra o programa nuclear do Irã, apesar de Obama estar se preparando para conversações com Teerã.

Para um governo cujas autoridades regularmente se gabam de ter o que chamam de "melhor marca no mundo", há uma crescente "frustração com o que os outros países estão dispostos a contribuir para promover interesses supostamente comuns", disse Stephen Sestanovich, um ex-embaixador do governo Clinton com laços com a atual equipe.

As relações pessoais são importantes, ele disse, mas os interesses nacionais ainda dominam. "É o que os presidentes americanos geralmente descobrem."

James K. Glassman, que serviu como último subsecretário de Estado para diplomacia pública e assuntos públicos de Bush e atualmente lidera o novo instituto de pesquisa do ex-presidente, disse que a popularidade tem uma influência limitada.

"Eu não diria que não é importante ser apreciado. É importante. Mas há outros fatores envolvidos", ele disse. "O que é preciso fazer é descobrir onde há interesses comuns."

Se Obama poderá usar seu respeito internacional para promover esses interesses mútuos permanece um grande desafio, no momento em que recebe os líderes mundiais para a sessão de abertura da ONU e então para um encontro de cúpula econômico em Pittsburgh, nesta semana.

A atenção estará concentrada particularmente em se a Rússia responderá à decisão de Obama, na semana passada, de substituir o programa antimísseis de Bush na Europa por uma versão menos ameaçadora a Moscou.

Apesar da Casa Branca ter negado que sua decisão foi tomada para agradar o Kremlin, ela viu com satisfação os comentários dos líderes russos sugerindo uma maior flexibilidade. Os assessores de Obama apontaram para algumas poucas áreas específicas onde obtiveram concessões de outros países. A Rússia, por exemplo, concordou com a estrutura de um acordo para redução de armas nucleares e em dar permissão para as tropas americanas voarem ao Afeganistão atravessando seu espaço aéreo.

Além disso, os assessores de Obama disseram que conseguiram uma forte cooperação na luta contra a Al Qaeda, particularmente do Paquistão, que tem liderado uma série de missões bem-sucedidas de captura ou morte contra o que chamaram de alvos de alto valor, como o principal líder taleban no Paquistão e o filho de Osama Bin Laden.

"O fato é que todos os países, incluindo o nosso, agirão de acordo com seus próprios interesses", disse Denis McDonough, o vice-conselheiro de segurança nacional do presidente. Obama "continuará ao longo da próxima semana a trabalhar com os países para identificar interesses comuns para tratar de ameaças comuns. Ele nunca indicou que isso seria fácil. Mas dado o que está envolvido, ele acredita que o esforço vale a pena".

Pesquisas feitas pelo Centro Pew quantificam o quanto a posição dos Estados Unidos em muitas partes do mundo melhorou significativamente desde a eleição de Obama.

Na Alemanha, 64% dos entrevistados neste ano expressaram opiniões favoráveis a respeito dos Estados Unidos, em comparação a 31% no ano passado. Na Indonésia, 63% aprovaram os Estados Unidos, em comparação a 37% no ano passado.

França, Reino Unido, Espanha, México, Brasil, Argentina, Nigéria e outros países também apresentaram aumentos de dois dígitos, enquanto aumentos menores foram registrados na Índia, Coreia do Sul, Japão e China. Mas os países árabes viram em geral mudanças mais modestas, e países como Rússia, Turquia, Polônia e Paquistão em grande parte não apresentaram mudança.

Uma pesquisa sobre a Europa, divulgada neste mês pelo Fundo Marshall Alemão dos Estados Unidos, documentou que Obama é ainda mais popular. Enquanto apenas 19% dos europeus entrevistados na pesquisa do ano passado apoiavam a forma como Bush estava lidando com os assuntos internacionais, 77% aprovaram a política externa de Obama.

Mais de 90% dos alemães tinham uma opinião favorável sobre Obama, um aumento de 80 pontos percentuais em relação a Bush.

Mas Craig Kennedy, o presidente do fundo, disse que há uma desconexão inevitável, porque os europeus parecem ver Obama como sendo mais europeu em sua sensibilidade do que suas políticas são de fato.

"Eu suspeito que, à medida que decisões políticas reais forem tomadas, nós veremos a 'Euforia Obama' perder força, com os europeus começando a vê-lo mais como um americano e menos como eles mesmos", ele escreveu na semana passada.

A dificuldade de Obama para conseguir apoio em algumas áreas no exterior reflete a disparidade entre como ele é visto e suas políticas.

"O problema é que ele está pedindo mais ou menos as mesmas coisas que o presidente Bush nos pedia, e o presidente Bush não as recebeu, não porque era um diplomata tedioso ou um caubói", disse Peter D. Feaver, um ex-assessor de Bush.

"Se fosse o caso, a chegada de um presidente urbano e sofisticado como Obama resolveria o problema. O presidente Bush não as recebeu porque esses países tinham bons motivos para não atender."

Em outras palavras, os interesses nacionais da Rússia não mudaram com a chegada de Obama. A Índia e a China ainda se preocupam com o impacto econômico da restrição às emissões dos gases responsáveis pelo efeito estufa. Os europeus podem gostar de Obama, mas a maioria ainda é contrária à guerra no Afeganistão.

Ainda assim, Obama mostrou no passado que sabe jogar a longo prazo. Assessores e partidários têm esperança de que, no final, ele conseguirá reunir israelenses e árabes, forjar um relacionamento funcional com a Rússia, mesmo que não seja uma amizade, chegar a um consenso com os aliados a respeito do Irã e da Coreia do Norte e formar uma coalizão para deter a disseminação de armas nucleares. Esta nova atmosfera, eles argumentam, no final pagará dividendos.

"Os primeiros passos de Obama na política externa foram bons e apropriados para este país, independente de terem obtido ou não apoio dos outros", disse Robert Hutchings, um ex-diplomata que atualmente está na Universidade de Princeton. Ele argumentou que a abordagem de Obama "estabeleceu a base" para "avanços reais" em um futuro não muito distante.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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