UOL Notícias Internacional
 

21/09/2009

Terrorismo: EUA acusarão criminalmente motorista de ônibus

The New York Times
William K. Rashbaum e David Johnston



As autoridades federais prenderam um motorista de ônibus de Denver, de 24 anos, e seu pai na noite de sábado, acusando ambos de falso testemunho em uma investigação federal de terrorismo em andamento, que se estende de Nova York ao Colorado e ao exterior, disseram funcionários do governo.

O motorista, Najibullah Zazi, e seu pai, Mohammed Zazi, 53 anos, foram levados sob custódia pelas autoridades federais em Denver, disseram funcionários do governo.

Além disso, pelo menos mais um homem deverá ser preso em Nova York enquanto as autoridades preparam as acusações contra todos os três, segundo os funcionários.
  • Matthew Cavanaugh/EFE

    Investigação O motorista Najibullah Zazi e o pai dele foram interrogados pelo FBI exaustivamente



A notícia veio em um dia de reviravoltas desconcertantes, após Najibullah Zazi ter se recusado a participar de um quarto dia de interrogatórios intensos pelos agentes do FBI em Denver, optando em vez disso por consultar seu advogado.

Uma queixa criminal deverá ser impetrada, apesar de não ter ficado claro o quanto isso esclareceria a investigação geral de terrorismo ou as acusações de falso testemunho ao governo.

O desdobramento foi um sinal claro de que as autoridades chegaram a um estágio na investigação no qual decidiram seguir em frente com alguns indiciamentos, em vez de permitir que os homens permanecessem livres, e determinar o tamanho do crime e atividade terrorista potencial durante o andamento do processo.

Ao ser perguntada sobre o indiciamento do motorista no caso, Wendy S. Aiello, uma porta-voz do advogado de Zazi, Arthur Folsom, disse na noite de sábado:

"Nós não fomos notificados, nós não dispomos de informação do FBI, de forma que, a esta altura, eu não tenho nenhum comentário".

No sábado, após Zazi ter se recusado a se encontrar com o FBI como planejado, ela disse: "Ele está em casa", acrescentando que nenhum acordo de apelação estava sendo negociado em prol de seu cliente.

O "Denver Post" noticiou no sábado que Zazi disse em uma entrevista por telefone que não tinha reconhecido qualquer ligação com a Al Qaeda, de participação em treinamento no Paquistão ou de envolvimento em um plano terrorista.

Funcionários do governo informados sobre o assunto disseram que nas respostas voluntárias de Zazi às perguntas feitas na quarta, quinta e sexta-feira, ele reconheceu que, talvez desavisadamente, tenha cruzado caminho no Paquistão com extremistas aliados à organização terrorista. Também havia indícios de que Zazi passou por treinamento em explosivos e fabricação de bombas enquanto estava no exterior.

"Se fosse verdade, eles não teriam me deixado sair", disse Zazi ao "The Denver Post". "Eu não acho que o FBI ou a polícia permitiriam que qualquer um que reconhecesse ser um terrorista saísse livre por um minuto que fosse."

Em uma investigação que passou de secreta a aberta na semana passada, as autoridades estavam agindo rapidamente para checar as pistas e rastrear os movimentos de Zazi e das pessoas associadas a ele -ao mesmo tempo em que buscavam apresentar as declarações na Justiça federal para justificar as prisões.

Na segunda-feira, as autoridades realizaram batidas em quatro residências ligadas a Zazi em Queens, Nova York, e posteriormente executaram quatro mandados de busca em sua casa em Aurora, Colorado, e na casa de seus parentes lá.

Os investigadores estavam analisando o computador laptop de Zazi, disseram os funcionários. E eles copiaram o disco rígido do computador e estavam à procura de e-mails, material baixado e qualquer rastro dos sites de Internet que foram visitados, em um esforço para determinar se suas suspeitas a respeito dele são fundamentadas.

A análise do disco rígido produziu informação a respeito de buscas por sites ligados a aglomerações públicas em Nova York.

Mas os investigadores ainda não determinaram o que o interesse aparente de Zazi por estes locais sugere.

O secretário de Justiça, Eric H. Holder Jr., está sendo informado regularmente sobre o status da investigação, assim como o diretor do FBI, Robert S. Mueller 3º, e autoridades na Casa Branca e no Pentágono.

Além da notícia da prisão de Zazi, várias pessoas em Nova York foram interrogadas no caso. Três homens em um apartamento de quinto andar na Avenida 41, em Flushing, Queens, descreveram como foram interrogados em pelo menos três ocasiões diferentes desde que o lar deles foi invadido por volta das 2 horas da manhã de segunda-feira.

Naiz Khan, 26 anos, disse que foi interrogado por oito horas na quinta-feira, no que acreditava ser o gabinete no Brooklyn do procurador-geral federal para o Distrito Leste.

Ele disse que forneceu voluntariamente impressões digitais, amostras de DNA e impressões das solas de seus calçados. Um colega de quarto, que falou sob a condição de anonimato, disse que foi submetido a um interrogatório semelhante.

Cada homem descreveu como lhes foi feita repetidamente uma série de perguntas a respeito de Zazi, que eles disseram que passou a noite de 10 de setembro dormindo no apartamento deles.

Enquanto falavam na casa deles no sábado, os homens disseram que não eram terroristas. Khan disse que falava com Zazi apenas ocasionalmente nos últimos anos e o outro homem disse que ainda não o conhecia.

Khan disse duvidar que Zazi era um terrorista e expressou frustração com a consequência de sua visita.

"Ele nos trouxe problemas", ele disse. "Por que tiveram que me incomodar e aos meus colegas de quarto? Por que foram à casa do meu pai?"

Um advogado de defesa, com experiência em casos de terrorismo em Nova York, disse que os três homens que ele sabia que tiveram contato com Zazi foram interrogados e tiveram suas impressões digitais coletadas pelas autoridades federais.

Robert Nardoza, um porta-voz do procurador-geral federal no Brooklyn, Benton J. Campbell, nem confirmou e nem negou o interrogatório.

Khan disse que não tem um advogado.

Enquanto falava, ele mostrou várias páginas de mandados de busca que os agentes deixaram com ele após a batida de segunda-feira. Entre os documentos estavam duas páginas de itens que seriam apreendidos, especificando que queriam qualquer coisa associada a explosivos ou partes sua fabricação: produtos químicos, timer, detonadores, entre outras coisas.

Mas os documentos também listavam o que as autoridades levaram: celulares, um computador laptop e cadernos com anotações em árabe; ferramentas; 100 abaixadores de língua; uma conta de luz; documentos de imigração e nove mochilas.

Oficiais do Departamento de Polícia de Nova York voltaram na terça-feira e levaram uma mala verde de náilon de um quarto dos fundos, disse Khan. Ele disse que seu tio Faiz Mohammed colocou as mochilas na mala verde e planejava levá-las para Karachi, Paquistão, para seus filhos e os de seu irmão.

Khan também disse que as autoridades lhe perguntaram se tinha tentado alugar um caminhão-baú em 9 de setembro, no Queens, o que ele disse enfaticamente que não.

"Eles disseram: 'Você procurou um caminhão-baú?' E eu disse: 'Não'", disse Khan. "'Você embalou algo ou carregou algo no caminhão-baú?' Eu disse: 'Não'."

Ronald L. Kuby, um advogado, disse que Ahmad Afzali, um imã de uma mesquita em Queens, não alugou qualquer caminhão da empresa U-Haul, apesar de ter sido interrogado por agentes nos últimos dias.

"Ele não vai a uma filial da U-Hal desde 2004, quando alugou um caminhão para ajudar na mudança de sua família", disse Kuby, que disse que Afzali tem cooperado com o FBI.

Al Baker e Karen Zraick contribuíram com reportagem.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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