UOL Notícias Internacional
 

22/09/2009

Volta de Zelaya força debate entre líderes políticos reunidos em Nova York

The New York Times
Elisabeth Malkin
Na Cidade do México (México)
Três meses após ter sido expulso em um golpe na madrugada, o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, voltou ao seu país na segunda-feira, forçando os líderes mundiais reunidos em Nova York a voltarem sua atenção para o impasse político no sul e apresentando um novo desafio ao governo de fato.

Brasil deve entregar Zelaya para a Justiça de Honduras?



Após o que descreveu como sendo uma jornada de 15 horas pelas montanhas, tomando estradas vicinais para evitar as barreiras, Zelaya e sua esposa se refugiaram na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

Lá, ele deu uma série de entrevistas para a imprensa internacional, dizendo que esperava iniciar encontros com "hondurenhos proeminentes" e membros do governo de fato que o derrubou, para encontrar um fim para a crise que tomou conta do país desde que ele foi exilado em 28 de junho.

"Nós pedimos a aqueles no governo golpista que pensem e venham dialogar conosco", ele disse à rede "Al Jazeera" em inglês.

BBC entrevista Zelaya: Como você chegou a Honduras?

De maneira pacífica e voluntária. Eu contei com o apoio de diversos setores, mas não posso mencioná-los para que não sejam prejudicados. Nós viajamos mais de 15 horas, em uma estratégia complexa de transporte e comunicação, atravessamos rios e montanhas até que chegamos na capital de Honduras, onde chegamos nas primeiras horas da manhã. Nós ultrapassamos todos os obstáculos militares e policiais das estradas daqui, porque esse país foi sequestrado por forças militares



Seu retorno parece ter pego o governo em exercício de surpresa. Roberto Micheletti, que foi nomeado presidente pelo Congresso, inicialmente negou que Zelaya tivesse retornado, chamando os relatos de "terrorismo da mídia".

Mas na noite de segunda-feira, após a imposição de um toque de recolher nacional, ele reconheceu a presença de Zelaya, mas disse que ela "não muda em nada a nossa realidade".

Ele pediu ao governo brasileiro que entregue Zelaya para prisão e julgamento.

"Nós estamos esperando por ele", disse Micheletti em uma coletiva de imprensa, no início do dia. "Um tribunal está pronto para dar andamento ao processo contra ele e a prisão também está pronta."

O governo de fato também disse que Zelaya seria preso se tentasse retornar, citando 18 acusações contra ele, incluindo traição.

A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Rodham Clinton, disse na noite de segunda-feira que os dois lados devem encontrar um modo de conversar. "É imperativo o início de um diálogo", ela disse. "Também é imperativo que o retorno de Zelaya não leve a algum conflito ou violência, mas sim que todos ajam de modo pacífico para tentar encontrar algum meio-termo."

O presidente da Costa Rica, Oscar Arias, que lidera as negociações internacionais em Honduras, se ofereceu para ir a Honduras para servir como mediador caso seja convidado.

Raio-X de Honduras

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    Nome oficial: República de Honduras
    Capital: Tegucigalpa
    Divisão política: 18 Estados
    Línguas: espanhol, garifuna, dialetos ameríndios
    Religião: católica 97%, protestantes 3%
    Natureza do Estado: república presidencialista
    Independência: da Espanha, em 1821
    Área: 112.088 km²
    Fronteiras: com Guatemala (256 km), El Salvador (342 km), Nicarágua (922 km)
    População: 7.792.854 de pessoas
    Grupos étnicos: mestiços 90%, ameríndios 7%, negros 2%, brancos 1%
    Economia: segundo país mais pobre da América Central; dependente de exportação de café e banana; principal parceiro econômico é EUA
    Taxa de desemprego: 27,8%
    População abaixo da linha da pobreza: 50,7%



Arias e Clinton se reuniram em Nova York durante a reunião da Assembleia Geral da ONU lá.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, também em Nova York, disse que a embaixada em Tagucigalpa concordou em receber Zelaya após sua esposa, Xiomara Castro, ter pedido ajuda por meio de um legislador hondurenho.

Amorim não disse se há algum limite de prazo para a estadia de Zelaya na embaixada, mas ele destacou que a Organização dos Estados Americanos deve renovar seus esforços para negociar uma solução. "Se a OEA não servir para garantir um governo democrático, para que vai servir a OEA?" ele disse.

Os representantes da organização se reuniram na segunda-feira em Washington para discutir a crise.

Zelaya aceitou uma proposta oferecida por Arias, que lhe devolveria a presidência com poderes limitados e concederia anistia para todos os lados. Micheletti a rejeitou.

Com o impasse nas negociações e a comunidade internacional com sua atenção voltada para outros assuntos, Zelaya ficou impaciente.

Desde o golpe, ele tentou pelo menos duas vezes retornar a Honduras. Uma semana após o golpe, ele tentou pousar no aeroporto de Tegucigalpa, mas os soldados se posicionaram na pista e impediram seu avião de pousar.

Em julho, ele montou acampamento com seus partidário ao lado da fronteira, na Nicarágua, e pisou brevemente em território hondurenho antes de retornar ao país vizinho.

Rumores de que Zelaya já tinha retornado ao país, ou estava prestes a retornar, passaram a circular repetidamente pela capital desde então.

O toque de recolher foi anunciado apenas 30 minutos antes de entrar em vigor às 16 horas de segunda-feira, obrigando os moradores da capital a retornarem correndo para casa e congestionando o trânsito, disseram as pessoas.

No momento de sua derrubada, Zelaya estava planejando um referendo que seus oponentes disseram que seria o primeiro passo para permitir que disputasse a reeleição, o que é proibido pela Constituição hondurenha. Zelaya negou qualquer tentativa de disputar um novo mandato.

Zelaya é presidente legítimo de Honduras, reitera Amorim



Nenhum país reconheceu o governo de fato de Micheletti. O presidente Barack Obama e outros líderes do hemisfério insistem que Zelaya seja conduzido de volta à presidência, argumentando que ele foi removido por um golpe ilegal. Os Estados Unidos, a União Europeia, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial suspenderam a ajuda a Honduras em protesto.

Mas o governo de Micheletti tem mantido sua posição, insistindo que Zelaya foi removido legalmente do cargo. Micheletti prometeu entregar o poder a um novo presidente, que será eleito na eleição marcada para 29 de novembro.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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