UOL Notícias Internacional
 

24/09/2009

Obama consegue ganhos na ONU a respeito do Irã e armas nucleares

The New York Times
Helene Cooper
O presidente Barack Obama, em sua primeira visita à abertura da Assembléia Geral, obteve progressos na quarta-feira em duas questões-chave, cruciais para sua agenda de política externa, ao obter uma concessão da Rússia de considerar novas sanções duras contra o Irã e obtendo o apoio de Moscou e de Pequim para uma resolução do Conselho de Segurança para coibir a proliferação de armas nucleares.
  • Doug Mills/The New York Times

    Obama discursa na Assembleia Geral da ONU



Os sucessos ocorreram enquanto Obama dizia aos líderes que os Estados Unidos pretendiam iniciar uma nova era de cooperação com o mundo, em um discurso abrangente para a Assembleia Geral, no qual ele buscou traçar claramente as diferenças entre seu governo e o do presidente George W. Bush.

Um dos frutos dessa diferença - apesar dos funcionários da Casa Branca detestarem reconhecer qualquer "toma-lá-dá-cá" publicamente - surgiu durante o encontro de Obama com o presidente da Rússia, Dmitri A. Medvedev, na tarde de quarta-feira, o primeiro entre os dois desde que Obama decidiu substituir o programa de escudo antimísseis de Bush no Leste Europeu por uma versão menos ameaçadora a Moscou.

Com um Obama radiante ao seu lado, Medvedev sinalizou pela primeira vez que a Rússia poderia atender aos antigos pedidos americanos de endurecimento significativo das sanções contra o Irã se, como esperado, as negociações nucleares marcadas para o próximo mês não obtiverem progresso.

"Eu disse a Sua Excelência, o presidente, que nós acreditamos que precisamos ajudar o Irã a tomar a decisão certa", disse Medvedev, acrescentando que "sanções raramente levam a resultados produtivos. Mas em alguns casos, sanções são inevitáveis".

Os funcionários da Casa Branca mal podiam esconder sua satisfação. "Eu não poderia ter dito melhor", disse um contente Michael McFaul, um alto conselheiro de Obama para democracia e Rússia, aos repórteres após a reunião. Ele insistiu que, todavia, o governo não tentou comprar a cooperação da Rússia com sua decisão de abandonar o escudo antimísseis na Europa em prol de um sistema reconfigurado. Privativamente, vários funcionários do governo reconheceram que o escudo antimísseis poderia ter algo a ver com a recente cooperação verbal de Moscou na questão das sanções contra o Irã.

Se as palavras de Medvedev se traduzirão em uma ação forte assim que o assunto retornar ao Conselho de Segurança é algo que ainda precisa ser visto. As autoridades americanas já ficaram decepcionadas antes com a rejeição de Moscou por sanções duras, e o primeiro-ministro Vladimir V. Putin pareceu colocar em dúvida a necessidade de sanções mais duras na semana passada. Mas Obama também recebeu outro apoio da Rússia, assim como da China, quando os dois países concordaram em apoiar o fortalecimento do Tratado de Não-Proliferação Nuclear em uma sessão do Conselho de Segurança, marcada para quinta-feira.
  • Doug Mills/The New York Times

    "Em suas ações até o momento, os governos da Coreia do Norte e do Irã ameaçam nos arrastar por esta ladeira perigosa [da ameaça à paz mundial]", afirmou Obama. Enquanto ele falava,
    o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, sentado na quinta fileira, não esboçava reação


Em um esforço para estabelecer a base para o endurecimento do tratado, o governo Obama circulou minutas de uma resolução do Conselho de Segurança que "pede" aos países de todo mundo que imponham condições para suas exportações nucleares, para que os inspetores internacionais possam ser autorizados a continuar monitorando o uso de alguns materiais nucleares mesmo se um país se retirar do pacto de não-proliferação. Esta é uma ocorrência rara, mas a Coreia do Norte declarou que estava se retirando do pacto em 2003 e os inspetores foram expulsos do país.

O governo Obama saudou a resolução pendente como um passo significativo à frente. Mas ele não seria obrigatório e apenas se transformaria se o Conselho de Segurança exigisse dos países que tornassem suas exportações nucleares sujeitas a essas restrições. Muitos países recuaram da obrigatoriedade, um indício de quão difícil poderá ser o endurecimento do tratado, quando for revisto no próximo ano.

Obama presidirá a reunião do Conselho de Segurança na quinta-feira, e é esperado que coloque em votação a minuta da resolução para coibir a proliferação e testes de armas nucleares, além de salvaguardar os materiais físseis. Funcionários da Casa Branca disseram esperar que a resolução será aprovada por unanimidade.

Durante seu discurso à Assembleia Geral, Obama buscou apresentar uma América mais gentil, disposta a se relacionar bem com o mundo. Ele sugeriu que os Estados Unidos não mais seguiriam políticas unilaterais que muitos membros da ONU reclamaram que isolaram o governo Bush da organização.

"Nós reabraçamos a ONU", disse Obama, sob aplausos dos líderes e representantes mundiais no salão. "Nós pagamos nossa contas", uma referência direta à prática do antigo governo de reter o pagamento devido à organização internacional enquanto pressionava por mudanças lá.

Mas enquanto Obama buscava sinalizar um tom diferente, estava claro que velhas questões entrincheiras permaneceriam, incluindo as ambições nucleares do Irã e o processo de paz no Oriente Médio. E apesar de grande parte de sua linguagem ser diferente e mais conciliatória, a essência das políticas americanas em algumas questões permanece a mesma daquela do governo Bush.

Como Bush costumava fazer antes dele, por exemplo, Obama apontou para o Irã e a Coreia do Norte. "Em suas ações até o momento, os governos da Coreia do Norte e do Irã ameaçam nos arrastar por esta ladeira perigosa", disse Obama. "Nós respeitamos seus direitos como membros da comunidade das nações. Eu estou comprometido com a diplomacia que abre um caminho para uma maior prosperidade e uma paz mais segura para ambos os países, se cumprirem suas obrigações."

Mas, ele acrescentou, "se os governos do Irã e da Coreia do Norte escolherem ignorar os padrões internacionais; se colocarem a busca por armas nucleares à frente da estabilidade regional e da segurança e oportunidade de seus próprios povos; se ignorarem os riscos de uma escalada na corrida por armas nucleares tanto no Leste Asiático quanto no Oriente Médio -então eles precisarão ser responsabilizados. O mundo deve se unir para demonstrar que a lei internacional não é uma promessa vazia, e que os tratados devem ser cumpridos".

Enquanto ele falava, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, sentado na quinta fileira, não esboçava reação.

Vários líderes mundiais estavam presentes no plenário para o discurso de Obama, que era frequentemente interrompido por aplausos e flashes de câmeras, incluindo as de alguns representantes.

Obama disse que planeja trabalhar por um acordo de paz abrangente entre Israel e seus vizinhos árabes. Ele indicou de novo que estava impaciente com o lento ritmo do trabalho em medidas interinas, como a suspensão dos assentamentos. Ele pediu aos líderes israelenses e palestinos que tratem das difíceis questões do "status final", que atormentam os negociadores de paz desde 1979.

"Chegou a hora de retomar as negociações - sem pré-condições - que tratem das questões do status permanente: segurança para israelenses e palestinos; fronteiras, refugiados e Jerusalém", disse Obama. "A meta é clara: dois Estados vivendo lado a lado em paz e em segurança - um Estado judeu de Israel, com verdadeira segurança para todos os israelenses; e um Estado palestino independente, viável, com território contínuo que acabe com a ocupação iniciada em 1967, e concretize o potencial do povo palestino."

Mas a dificuldade de atingir esta meta também esteve em exibição plena na quarta-feira, um dia após Obama se reunir com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, e os pressionando para que se encontrem pessoalmente para negociar um acordo de paz. Os dois líderes do Oriente Médio e seus porta-vozes passaram grande parte da quarta-feira explicando por que isso não poderia acontecer tão cedo.

Em uma entrevista para a NBC, Netanyahu chamou os assentamentos israelenses de "subúrbios-dormitório" de Jerusalém e sugeriu que Israel não se retiraria de todo o território ocupado após a guerra de 1967. Por sua vez, o negociador-chefe palestino, Saeb Erekat, disse à agência de notícias "The Associated Press" que os dois lados continuariam "lidando com os americanos até chegarmos a um acordo que nos permita retomar as negociações".

Tradução: George El Khouri Andolfato

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