UOL Notícias Internacional
 

27/09/2009

Petróleo em toda parte: ano de explosão de novas descobertas

The New York Times
Jad Mouawad
A indústria do petróleo teve em uma onda de sorte neste ano, graças a uma série de grandes descobertas que reacenderam o entusiasmo em todo o setor petroleiro, apesar da queda dos preços e dos problemas econômicos.

Essas descobertas, que abrangem cinco continentes, são resultado de investimentos consideráveis que começaram no início desta década, quando os preços do petróleo subiram, e de novas tecnologias que permitem aos exploradores perfurarem em profundidades ainda maiores e quebrarem rochas ainda mais duras.
  • Tim Sloan/AFP

    Brasil está entre os países que descobriram imensas reservas de petróleo nos últimos tempos



"Esta é a maravilha dos sinais dos preços em um mercado livre - coloca as pessoas numa posição melhor para assumir mais riscos de exploração", disse James T. Hackett, presidente e chefe-executivo do Anadarko Petroleum.

Mais de 200 descobertas foram divulgadas até agora neste ano em dezenas de países, incluindo a região curda no norte do Iraque, Austrália, Israel, Irã, Brasil, Noruega, Gana e Rússia. Elas foram feitas por gigantes internacionais como a Exxon Mobil, mas também por companhias menores, como a Tullow Oil.

Só neste mês, a BP disse que encontrou um campo gigante em águas profundas que pode vir a ser a maior descoberta petrolífera de todas no Golfo do México, enquanto a Anadarko anunciou uma grande descoberta em uma região "estimulante e altamente promissora" em Serra Leoa.

É normal para as companhias descobrirem bilhões de barris de petróleo a cada ano, mas o ritmo deste ano foi excepcionalmente rápido. Novas descobertas de petróleo totalizaram cerca de 10 bilhões de barris na primeira metade do ano, de acordo com o IHS Cambridge Energy Research Associates. Se as descobertas continuarem no mesmo ritmo até o fim do ano, é provável que atinjam o nível mais alto desde 2000.

Apesar de ter havido especulações nos últimos anos sobre um pico e subsequente declínio na produção de petróleo, as pessoas do setor dizem que ainda há muito petróleo no subsolo, especialmente abaixo do leito marítimo, mesmo que descobri-lo e extraí-lo esteja se tornando mais difícil. Eles dizem que os preços e o ritmo do avanço tecnológico continuam sendo os fatores principais que governam a capacidade de produção de petróleo.

Enquanto a indústria está celebrando as recentes descobertas, muitos executivos estão ansiosos quanto ao futuro imediato, temendo que os preços baixos possam prejudicar seu ímpeto de exploração. A economia mundial está fraca, os preços do petróleo caíram a partir dos recordes do ano passado, os lucros corporativos encolheram, e a demanda global por petróleo continua baixa. Depois de cair para US$ 34 em dezembro, os preços do petróleo dobraram, estabilizando-se perto dos US$ 70 por barril. Mas se a economia mundial não se recuperar, alguns analistas acreditam que o preço pode cair de novo.

As companhias de petróleo sustentam que não serão capazes de lidar com essa perspectiva. Apesar de conseguir lucros recordes nos últimos anos, muitos executivos alertaram que precisam de preços acima de US$ 60 por barril para explorar as reservas mais difíceis do mundo. De fato, parte da atividade de exploração já desacelerou neste ano, enquanto os produtores buscam melhores condições entre as companhias de serviços e empreiteiros.

Não é apenas o petróleo que está se beneficiando do crescimento na exploração. A Repsol, a maior companhia de petróleo da Espanha, disse neste mês que descobriu o que poderá ser a maior reserva de gás natural da Venezuela. Nos últimos anos, as companhias têm encontrado reservas substanciais de gás natural nos Estados Unidos, em rochas de xisto que antes se acreditava impossíveis de perfurar.

"A questão número um que as equipes de exploração enfrentam neste exato momento é: 'Para onde vamos depois?'", disse Robert Fryklund, que comandou as operações da ConocoPhillips na Líbia e no Brasil, e é vice-presidente da Cambridge Energy Research Associates em Houston.

Os gastos com a exploração inflaram nos últimos anos, em parte porque os custos em todo o setor dobraram - desde os preços do aço ao custo de alugar equipamentos para perfuração em águas profundas. Um grande problema que a indústria enfrenta agora é reduzir os custos enquanto mantém o alto nível de exploração. Em média, os custos caíram de 15% a 20% a partir de sua maior alta, de acordo com os executivos do petróleo.

A exploração continua sendo um negócio caro e arriscado, em que o custo de perfurar poços em águas profundas pode chegar a até US$ 100 milhões. De 30% a 50% dos poços de exploração encontram petróleo.

Alguns executivos também temem que o mundo possa enfrentar um déficit no suprimento nos próximos anos se outro declínio nos preços do petróleo enfraquecer a exploração.

O diretor-executivo da gigante do petróleo francesa Total, Christophe de Margerie, alertou que uma redução da oferta é possível em meados da próxima década. "Poderá haver uma redução da capacidade", disse ele.

Suas preocupações vão ao encontro das de Abdullah al-Badri, secretário-geral da Organização de Países Exportadores de Petróleo, que disse que os preços baixos do petróleo também ameaçam os investimentos das nações da Opep.

A Arábia Saudita também não deve expandir sua produção nos próximos anos por causa das incertezas em torno da futura demanda de petróleo, assinalou Ali al-Naimi, ministro do petróleo do país, no começo deste mês. A Arábia Saudita está finalizando um programa de US$ 100 bilhões para aumentar a capacidade para 12,5 milhões de barris por dia - contra os cerca de 9 milhões de barris por dia atuais.

Apesar de serem consideráveis, as novas descobertas não se comparam às reservas gigantescas descobertas nos anos 70, como na Baía Prudhoe no Alasca, o Ekofisk, no Mar do Norte, ou Cantarell, no México. Elas também ficam menores se comparadas à última enorme descoberta, o campo Kashagan, no Mar Cáspio, encontrado em 2000 e onde se estima existirem mais de 20 bilhões de barris de petróleo.

"Não vimos nenhum outro Kashagan, mas ainda assim essas descobertas são muito significativas", disse Alan Murray, gerente dos serviços de exploração da Wood Mackenzie, uma firma de consultoria em Edimburgo, na Escócia.

Desde o começo dos anos 80, as descobertas não conseguiram se equiparar ao ritmo do consumo mundial de petróleo, que no ano passado atingiu 31 bilhões de barris. Em vez disso, as companhias conseguiram expandir a produção encontrando novas formas de extrair mais petróleo das reservas existentes, ou produzindo petróleo através de fontes não convencionais, como as areias de alcatrão do Canadá ou o petróleo pesado da Venezuela.

As estimativas das reservas normalmente aumentam ao longo da exploração de um campo, que pode com frequência se manter produtivo durante décadas, uma vez que as companhias descobrem novas formas de tirar mais petróleo do solo.

O recorde do setor melhorou nos últimos anos, graças aos preços altos. De acordo com o Cambridge Energy Research Associates, as companhias encontraram mais petróleo do que produziram durante os últimos dois anos através de uma combinação de exploração e expansões dos campos.

"O apetite por abrir novas fronteiras, quando os preços estavam baixos nos anos 90, era muito pequeno", disse Pablo Scaroni, diretor-executivo da gigante do petróleo italiana Eni. "Hoje, a maior descoberta de todas é a tecnologia."

Uma das maiores descobertas neste ano foi feita por um pequeno produtor, a Heritage Oil, no campo Miral West One, na região do Curdistão, norte do Iraque. Ela descobriu quase dois bilhões de barris de petróleo e planeja perfurar um segundo poço antes do final do ano. Enquanto o governo central do Iraque teve dificuldades em atrair investidores para desenvolver seus imensos campos, as autoridades locais do Curdistão tiveram sucesso em conseguir produtores estrangeiros.

Enquanto isso, no Golfo do México, a descoberta da BP prova que a área continua sendo uma das mais promissoras regiões de petróleo do mundo nos Estados Unidos. A BP estima que o campo Tiber tenha entre quatro a seis bilhões de barris de petróleo e gás, o que seria suficiente, em tese, para atender à demanda interna por mais de um ano.

"Em 30 anos que estou no setor, o Golfo do México foi chamado de Mar Morto inúmeras vezes", disse Bobby Ryan, vice-presidente de exploração global da Chevron. "E mesmo assim ele continua se revitalizando."

Tradução: Eloise De Vylder

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h10

    0,06
    3,138
    Outras moedas
  • Bovespa

    16h12

    -0,05
    75.954,48
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host