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27/09/2009

Relatório de general sobre o Afeganistão acelera decisão de Obama

The New York Times
Eric Schmitt
Em Washignton (EUA)
  • Joint Staff/Reuters - 8.abr.2006

    Relatório do general Stanley A. McChrystal
    está servindo para acelerar o posicionamento
    do presidente Barack Obama no Afeganistão

O presidente Barack Obama pode interpretar o relatório sombrio sobre a guerra do Afeganistão feito por seu principal comandante militar no local de duas formas possíveis.

Ele poderia ler o relatório do general Stanley A. McChrystal como um último apelo franco e veemente para a elaboração de uma nova estratégia contrainsurgente baseada no envio de milhares de soldados para recuperar a conturbada missão que já dura oito anos.

Ou ele poderia lê-lo como uma dura crítica contra as operações militares da Otan lideradas pelos EUA e contra o governo civil corrupto do Afeganistão, em oposição a uma insurgência surpreendentemente adaptável e cada vez mais perigosa.

De qualquer forma, o relatório de 66 páginas de McCrystal com o título enganosamente neutro de "Relatório Inicial do Comando" está servindo para acelerar o posicionamento do presidente - que está profundamente consciente dos perigos históricos de uma guerra longínqua e prolongada - quanto ao que ele pode de fato alcançar nesse conflito, e se sua visão da guerra e do comprometimento de tropas norte-americanas é a mesma da de seu general.

Obama enfrenta uma situação de deterioração da segurança no Afeganistão, uma oposição crescente contra a guerra nos EUA por parte dos democratas e um desejo de postergar qualquer grande decisão sobre o envio de tropas, ao mesmo tempo em que ainda precisa de muito capital político para aprovar a grande reforma da legislação sobre saúde no Congresso.

Mas embora o presidente expresse ceticismo quanto a enviar mais tropas para o Afeganistão até que escolha a estratégia correta, ele também está lutando com uma dura realidade: será muito difícil dizer não para McChrystal.

Obama chamou a guerra do Afeganistão de "guerra de necessidade", e nos termos mais básicos ele tem o mesmo objetivo que o presidente George W. Bush tinha depois dos ataques de 11 de setembro: prevenir outro grande ataque terrorista.

"Qualquer decisão que eu tomar será baseada primeiro numa estratégia para nos manter seguros, e depois veremos como viabilizá-la", disse Obama no programa "Face the Nation" da CBS no domingo.

"Não vamos colocar o carro antes dos bois e pensar que basta enviar mais soldados para automaticamente deixar os norte-americanos mais seguros", disse.

A Casa Branca espera que o pedido de McChrystal não seja apenas por mais soldados norte-americanos, mas também para forças da Otan. Esta semana, a Casa Branca enviará questões sobre o relatório para o general em Cabul, Afeganistão, e espera receber as respostas até o final da próxima semana.

O senador Carl Levin, democrata de Michigan, que lidera o Comitê de Serviços Armados, disse numa entrevista na segunda-feira que quer saber como a incerteza em torno das eleições recentes no Afeganistão e o plano para reintegrar os guerrilheiros do Taleban na sociedade afegã poderiam afetar o pedido de mais tropas de McChrystal.

Após oito anos do 11 de Setembro, afegãos ainda sentem "guerra contra terrror"

Obama teve apenas um encontro sobre o relatório de McChrystal até agora, mas seus assessores planejam marcar mais três ou quatro depois que ele voltar da cúpula do G20 em Pittsburgh.

Assessores dizem que deve levar semanas, e não meses, para chegar a uma decisão.

"O presidente deixou muito claro em nossa conversa que ele está com a mente aberta e não será influenciado pelo politicamente correto de uma forma ou de outra", disse o general James L. Jones, conselheiro nacional de segurança, numa entrevista. "Pessoas diferentes terão opiniões diferentes, e ele quer ouvi-las, mas no fim das contas ele fará o que pensa que é certo para os Estados Unidos e especialmente para os homens e mulheres que têm de responder às suas ordens."

Altos oficiais que trabalham com McChrystal dizem que ele ficou surpreso com a condição calamitosa da missão no Afeganistão quando assumiu o comando em junho.

Suas preocupações vão além da força e resistência dos rebeldes. McChrystal ficou surpreso com a falta de uma organização militar eficiente na sede da Otan e com o fato de que uma porcentagem significativa das tropas não estava posicionada para realizar operações efetivas contra a insurgência.

Na equipe de McChrystal, há uma sensação de que o esforço militar no Afeganistão foi desordenado e não houve aprendizado com as lições dos últimos anos de guerra.

"Não estivemos lutando no Afeganistão por oito anos", disse um oficial. "Estivemos lutando no Afeganistão por um ano, oito vezes seguidas."

Em seu relatório, McChrystal também descreveu o Taleban como um inimigo mais sofisticado, que usa a propaganda com eficiência e utiliza o sistema de prisão afegão como um campo de treinamento.

Os líderes talebans sediados no Paquistão apontam governadores-fantasma para a maioria das províncias, instalam seus próprios tribunais, coletam impostos, convocam guerrilheiros e manipulam propagandistas bem informados. Sua posição mostra um grave contraste em relação ao governo corrupto e inepto.

E os guerrilheiros Taleban exercem controle não apenas através de bombas e balas.

"Os insurgentes lutam uma 'guerra silenciosa' de medo, intimidação e persuasão durante o ano inteiro - não apenas durante o clima mais quente da 'temporada de luta' - para ganhar controle sobre a população", disse McChrystal em seu relatório.

Oficiais do governo dizem que o relatório de McChrystal, apesar de muito importante, é apenas um componente para consideração do presidente.

Questionado na CNN no domingo sobre por que ele ainda está buscando uma estratégia depois de oito meses no governo, Obama respondeu: "Nós colocamos uma estratégia para funcionar, esclarecemos nossos objetivos, mas o que a eleição mostrou, assim como a mudanças das circunstâncias no Paquistão, é que esta será uma operação muito difícil." E acrescentou: "Temos de garantir que estamos constantemente refinando-a para manter o foco nos nossos objetivos principais."

Peter Baker e Thom Shanker contribuíram com a reportagem.

Tradução: Eloise De Vylder

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