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29/09/2009

Para o Brasil, candidatura olímpica trata de sua importância global

The New York Times
Alexei Barrionuevo
No Rio
Em uma cintilante praia de Copacabana, onde os moradores conscientes do corpo do Rio jogam futebol e vôlei, telões estão sendo preparados para a transmissão ao vivo da votação que determinará se a cidade entrará para a história como a primeira na América do Sul a sediar os Jogos Olímpicos.

Nas ruas e nos lábios dos locutores de rádio e apresentadores de televisão, os brasileiros estão empolgados com o assunto olímpico, e há uma sensação clara de que esta famosa cidade festeira está pronta para explodir na sexta-feira, com um delírio equivalente às famosas comemorações de Ano Novo e Carnaval, caso o Rio seja escolhido para os Jogos de 2016.
  • Vanderlei Almeida/AFP - 13.jul.2006

    O presidente Lula durante a apresentação do mascote dos Jogos Pan-Americanos de 2007. O jornal americano "The New York Times" afirmou, na semana passada, que o líder brasileiro não terá dificuldade para promover a candidatura do Rio de Janeiro para as Olimpíadas de 2016: "Tudo que Lula tem que dizer é que 'o Rio tem as praias mais bonitas do mundo' e consegue audiência imediata"



Os líderes dizem que receber as Olimpíadas seria um momento transformador para o Brasil, uma afirmação de sua importância ascendente no mundo e um estímulo à autoestima dos cariocas, 85% dos quais apóiam a candidatura olímpica, segundo uma recente pesquisa do Comitê Olímpico Internacional (COI).

"Seria maravilhoso para nossa cidade, nossos cidadãos e para o Brasil", disse Carlos Osório, o secretário-geral do Comitê Olímpico da Rio 2016.

Apesar de três outras finalistas -Chicago, Madri e Tóquio- terem apresentado fortes candidaturas, o Rio conquistou apoio fora das fronteiras do Brasil. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, que está negociando acordos militares com o Brasil, disse que apoia "100%" a candidatura do Rio. O rei Juan Carlos da Espanha disse que apoiará o Rio caso Madri seja eliminada na primeira rodada de votação.

E alguns membros do COI teriam dito que apreciam a ideia de corrigir a negligência histórica dos Jogos com a América do Sul.

Os brasileiros também acreditam que têm uma vantagem na disputa presidencial. Apesar do presidente Barack Obama, um morador de Chicago de longa data, apoiar a candidatura da cidade, ele disse que não estará presente na votação em Copenhague, citando a atenção exigida pela reforma da saúde. Depois, voltou atrás e prometeu viajar. Sua esposa, Michelle, nascida em Chicago, estará presente.

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, por outro lado, está apoiando plenamente a candidatura do Rio e certamente fará a viagem para Copenhague. Ele fez lobby junto aos membros do COI sempre que pôde e chamava Osório e outros do comitê olímpico brasileiro para atualizações regulares.

Ele esteve presente na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim no ano passado e ofereceu um jantar para os membros do COI lá. Ele permaneceu um dia a mais em Londres após as reuniões do G-20 em abril, para visitar o Parque Olímpico que está sendo preparado para os Jogos de 2012.

A votação dos cerca de 100 membros do comitê poderá adicionar um ponto de exclamação ao seu legado como um dos presidentes mais populares do Brasil neste século, abrindo o caminho para seu retorno ao poder em 2014, disseram analistas políticos.

Por outro lado, a ascensão do Brasil como espaço para esportes de classe mundial é uma bênção ambígua. O Brasil receberá a Copa do Mundo de 2014 e já tem projetos em andamento para reformar seus aeroportos internacionais no Rio e em São Paulo, além da construção de um sistema de trem de alta velocidade em preparação para o evento, pontos que funcionam a favor do Rio.

Mas o fato de ter recebido os Jogos Panamericanos de 2007 não contribui. Os políticos do Rio prometeram uma série de projetos de infraestrutura urbana para os Jogos, incluindo uma nova linha do metrô, que não foi concluída.

O prefeito Eduardo Paes, que era o secretário de Esportes do Rio durante os Jogos Panamericanos mas não esteve envolvido na candidatura original, reconheceu que as autoridades prometeram demais. "Era óbvio que a proposta continha exageros que claramente não podiam ser cumpridos", ele disse.

Mas ele disse que desta vez o Rio cumprirá.

O Rio está buscando ser a próxima Barcelona, Espanha, uma cidade que usou os Jogos Olímpicos de 1992 para melhorar sua infraestrutura e transformar a si mesma em um destino mais popular para o turismo e eventos internacionais. As autoridades daqui disseram que as Olimpíadas do Rio poderiam ajudar a ampliar o apelo dos Jogos para um público sul-americano maior e mais jovem, dando ao Rio e ao Brasil um selo de aprovação internacional.

"O Rio tem muito a ganhar com a realização dos jogos", disse Paes. "E o movimento olímpico tem muito a ganhar com o Rio."

No passado, o COI concedeu seu selo de aprovação a regiões não mapeadas em momentos propícios em suas histórias. Tóquio sediou os Jogos de 1964 enquanto o Japão ainda estava saindo das sombras da Segunda Guerra Mundial e a economia do país estava decolando. Os Jogos de Seul em 1988 ajudaram a promover a "marca Coreia", enquanto as autoridades chineses originalmente queriam os Jogos de 2008 para escapar de seu isolamento global.

Para o Brasil, que já se candidatou três vezes antes -o Rio duas vezes e Brasília uma- a votação de sexta-feira ocorre após vários anos de crescimento econômico e ascensão do país como líder diplomático e econômico no continente. Os Jogos Olímpicos, disse Osório, seria "um alinhamento claro com a estratégia de longo prazo do país de se apresentar ao mundo".

Para o Rio, as Olimpíadas poderiam erguer uma cidade que, apesar de toda sua beleza natural e encanto turístico, tem lutado para se redefinir desde que foi substituída por Brasília como a capital do país em 1960. Nas últimas décadas, bancos e alguns de seus profissionais mais talentosos foram atraídos pela crescente megalópole de São Paulo. O Rio desenvolveu uma reputação de decadente e tomada pela criminalidade.

"O Rio está necessitando reforçar sua autoestima", disse Ruy Castro, um escritor brasileiro que escreveu um livro sobre o Rio. Mas, ele disse, o Rio anda recentemente em boa fase, lembrando que a cidade foi escolhida como cenário para um filme de Woody Allen e foi citada como a cidade mais feliz do mundo pela revista "Forbes".

Felicidade, de fato, faz parte da argumentação do Rio.

A cidade prometeu uma praia privada para os atletas, em frente à reserva natural na Barra da Tijuca que, fiel ao espírito do Rio, estaria disponível 24 horas. A Vila Olímpica contaria com uma Rua Carioca, uma rua típica do Rio com cafés, bares e o som de samba e bossa nova.

Se os atletas pudessem votar, disse Osório, "seria uma lavada".

Mery Galanternick contribuiu com reportagem.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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