UOL Notícias Internacional
 

03/10/2009

Ajuda demora a chegar para as vítimas do terremoto na Indonésia

The New York Times
Norimitsu Onishi e Peter Gelling
Em Padang Pariaman e Padang (Indonésia)
O homem dirigiu por 12 horas até sua cidade natal, em um distrito central de Sumatra, a área mais próxima do poderoso terremoto que atingiu a costa oeste da Indonésia nesta quarta-feira, porque ouviu dizer que sua aldeia tinha deixado de existir.

"Eu ouvi as pessoas dizerem que Padang Pariaman foi destruída", disse Sutan Maskuri, um vendedor de satay de carne de 55 anos, na tarde desta sexta-feira, enquanto oito aldeões erguiam uma maca improvisada sobre seus ombros para levar sua irmã ferida ao outro lado da estrada, que desapareceu sob um deslizamento de terra.

No final, Maskuri descobriu que cinco de seus irmãos morreram no deslizamento de terra provocado pelo terremoto. Ele levou a irmã sobrevivente ao hospital regional em seu próprio Toyota porque, segundo ele, não podia contar com o governo. "Ninguém está aqui, nenhum soldado, nenhum policial."
  • Dita Alangkara/AP

    Morador anda de moto em bairro destruído por terremoto em Padang, na ilha de Sumatra


Padang Pariaman, com seus 375 mil habitantes espalhados por todo o distrito, sobreviveu, apesar de quase todas as suas casas terem sofrido algum dano, com suas estruturas de madeira e telhas retorcidas em formas fantásticas contra as palmeiras e plantações de arroz. Mas devido às dificuldades enfrentadas pelas autoridades para chegar às áreas rurais afetadas, nenhuma equipe de resgate tinha visitado a aldeia de Maskuri, em um subdistrito chamado Koto Timur, cerca de 44 horas após o terremoto.

Padang, com uma população de 900 mil habitantes, foi a cidade mais próxima do epicentro do terremoto, que teve uma magnitude de 7,6. As equipes de resgate reviravam ali os escombros sob um sol forte nesta sexta-feira, mas reconheciam ter encontrado poucos sobreviventes.

Segundo algumas estimativas, mais da metade dos prédios da cidade desmoronou no terremoto, e o Ministério da Saúde da Indonésia anunciou que aproximadamente 3 mil pessoas podem ainda estar presas nos escombros.

Muitos moradores deixaram a cidade; outros estocaram suprimentos de emergência e combustível, convencidos de que outro terremoto maior era iminente, mesmo enquanto a eletricidade era lentamente restaurada.

Na manhã desta quinta-feira, cerca de 16 horas após o abalo inicial, ocorreu um tremor secundário, a cerca de 225 quilômetros a sudeste de Padang, com uma magnitude de 6,6. Ele parece ter causado poucas vítimas e poucos danos.

Mas nesta sexta-feira, as autoridades ainda sabiam pouco a respeito da situação de centenas de aldeias por toda Padang Pariaman, a área mais gravemente afetada na ilha de Sumatra. Este é um motivo para as autoridades do governo terem previsto que o número de mortos - atualmente em 715 - aumentaria consideravelmente.

Vários países prometeram ajuda financeira - a embaixada norte-americana em Jacarta disse já ter fornecido US$ 300 mil em assistência imediata e separou outros US$ 3 milhões -, mas muitos grupos de ajuda humanitária estão enfrentando atrasos para chegar à zona de desastre, porque os voos para a região estão lotados. A Garuda Indonesia, a companhia aérea nacional, disse que planeja adicionar voos para que o pessoal de emergência possa chegar à área mais rapidamente.

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Nenhum veículo militar ou de ajuda humanitária podia ser visto nesta sexta-feira na estrada de Padang, a cerca de 80 quilômetros ao sul daqui. Longas filas nos postos de gasolina criavam congestionamentos imensos, enquanto os vendedores do mercado negro, aproveitando a escassez causada pelo terremoto, vendiam gasolina a mais de quatro vezes o preço normal.

Na cidade de Padang Pariaman, o centro administrativo da área, o líder distrital, Muslim Kasim, disse que até 80% de todas as edificações no interior foram danificadas. As autoridades disseram já ter contado 13.750 casas, 30 prédios de escritórios, 69 escolas e 128 mesquitas danificadas, segundo ele, e confirmaram 207 mortes. Ele disse que as autoridades acreditam que pelo menos outras 282 pessoas ainda se encontram sob os escombros e deslizamentos de terra.

"Isto é o pior que já experimentamos", disse Kasim a respeito da área propensa a terremotos.

Herry Ardyanto, o chefe de polícia, disse que a obtenção de informação sobre as regiões remotas era atrapalhada ainda mais pela relutância dos moradores em deixar suas aldeias, "mesmo estando sem água e eletricidade".

Uma estrada estreita se divide no centro da cidade de Padang Pariaman e sobe gentilmente até Koto Timur, passando por vários outros subdistritos onde a maioria das casas se encontra danificada ou em ruínas. Em Koto Timur, a estrada para no local exato onde o sobrado de Aguslier, agora parcialmente derrubado pelo deslizamento de terra do morro vizinho, costumava estar.

Quando ocorreu o terremoto, a esposa e quatro filhos de Aguslier correram para fora, com a casa desmoronando enquanto cruzavam a porta. Nesta sexta-feira, seus filhos estavam levando utensílios de cozinha das ruínas para uma casa vizinha.

"Eu estou juntando madeira para construir um abrigo temporário", disse Aguslier, 36 anos, que, como muitos aqui, tem apenas um nome.

Todos os aldeões estavam se virando sozinhos. Syafrie, 40 anos, cuja mãe e irmã mais nova morreram no terremoto, caminhava ao redor do deslizamento de terra com uma caixa de macarrão instantâneo sob seu braço.

"Nossas famílias que vivem fora daqui nos compraram água e macarrão", disse Syafrie. "Nós ainda não vimos nenhum trabalhador de resgate."

Enquanto ele caminhava para sua casa, os oito aldeões que carregavam a irmã de Maskuri, Rosmanidar, 57 anos, vinham na direção oposta. Eles escalaram a montanha de lama deixada pelo deslizamento e atravessaram uma plantação de arroz para contornar outro deslizamento de terra. No final, eles a deixaram diante da loja de conveniência da aldeia, onde as pessoas se reuniam, as crianças olhavam curiosas e uma mulher conversava com a ferida com lágrimas nos olhos.

Após poucos minutos, eles a colocaram dentro da minivan Toyota preta de Maskuri. Ele assistiu enquanto o motorista partia da aldeia com o carro e então voltou para seu lar ancestral, onde dois de seus irmãos estavam enterrados sob a lama.

Como se aproveitando uma deixa, carros da polícia apareceram pela primeira vez, menos de meia hora depois. Um pequeno helicóptero branco da polícia apareceu no céu, pairando acima das altas palmeiras, reduzindo a altitude apenas duas vezes, sobre dois campos.

Os aldeões acenavam e gritavam. Mas o helicóptero partiu. Ele estava realizando apenas um levantamento, disse um policial. A ajuda viria no dia seguinte, disse, no mais tardar.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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