UOL Notícias Internacional
 

03/10/2009

Promessa de direitos civis demora a virar realidade em Honduras

The New York Times
Elisabeth Malkin
Na Cidade do México (México)

"Honduras é um país no qual não existe equidade social", diz Hortensia Zelaya

  • Ouça trecho da entrevista. Em espanhol

O presidente de fato de Honduras, Roberto Micheletti, parecia ter cedido à pressão interna e externa nesta segunda-feira, dizendo que suspenderia o estado de sítio. Mas de lá para cá, ele não tem tido pressa em cumprir sua promessa.

Micheletti passou a semana consultando a Suprema Corte e outras partes do governo sobre o estado de sítio, que seu governo anunciou na noite do último domingo. Mas enquanto ele discute sua suspensão, suas forças de segurança têm estado ocupadas o mantendo.

Na madrugada desta segunda-feira, eles fecharam duas emissoras simpatizantes do presidente deposto, Manuel Zelaya.

Nesta quarta-feira, elas removeram os 55 trabalhadores rurais que ocupavam o Instituto Agrário Nacional desde que Zelaya foi deposto em um golpe em 28 de junho. Um juiz ordenou que 38 dos manifestantes fossem detidos sob acusação de sedição.

Apesar do estado de sítio, que restringe a liberdade de expressão e proíbe manifestações não autorizadas, as marchas de protesto realizadas pelos simpatizantes de Zelaya não pararam. Cerca de 200 simpatizantes de Zelaya realizaram uma manifestação diante da embaixada americana em Tegucigalpa, a capital de Honduras, nesta sexta-feira, observados por 300 policiais e soldados, como informou o jornal "El Heraldo".

Nesta sexta-feira, uma equipe avançada da Organização dos Estados Americanos chegou a Tegucigalpa para preparar a visita, na próxima quinta-feira, de ministros das relações exteriores latino-americanos, o mais recente esforço para retomada das negociações sob mediação internacional. O governo Micheletti inicialmente mandou todos os membros da equipe embora, exceto um, quando ela tentou chegar no domingo passado.

Enquanto isso, o bispo auxiliar de Tegucigalpa, Juan José Pineda, tem conversado tanto com Micheletti quanto com Zelaya, que se refugiou na embaixada brasileira, em um esforço separado para estabelecer as condições para as negociações.

Os aliados de Zelaya acusam Micheletti de retardar a suspensão do decreto para tentar desmontar a rede de simpatizantes de Zelaya.

Veja a cronologia da crise

  • Desde que foi eleito, em 2005, Manuel Zelaya se aproximou cada vez mais dos governos de esquerda da América Latina, promovendo políticas sociais no país. Ao mesmo tempo, seus críticos argumentam que Zelaya teria se tornado um fantoche do líder venezuelano Hugo Chávez e acabou sendo deposto porque estava promovendo uma tentativa ilegal de reformar a constituição



"Ele tem em suas mãos uma arma repressora para tentar desmobilizar a resistência", disse Rafael Alegria, líder do sindicato dos trabalhadores rurais, sobre Micheletti, em uma entrevista para a "Rádio Globo", nesta sexta-feira. A "Rádio Globo", que foi fechada e tirada do ar nesta segunda-feira, está transmitindo pela internet.

"Como vamos desenvolver um diálogo franco e transparente em meio a uma repressão?", ele perguntou.

Micheletti ainda não explicou por que está demorando tanto para restaurar as liberdades civis, como prometeu fazer. Quando se encontrou com a Suprema Corte nesta quinta-feira, ele disse novamente que o decreto seria suspenso "o mais breve possível".

Sob sua ordem, o decreto vigoraria por 45 dias, encerrando apenas duas semanas antes da eleição presidencial, que está marcada para 29 de novembro. Os Estados Unidos disseram que é improvável que reconheçam o resultado da eleição sob estas condições.

Esta é uma preocupação para os candidatos, que temem que a ajuda internacional que foi cortada após o golpe não será retomada após a posse do novo presidente em janeiro. Micheletti não está concorrendo na eleição.

A resposta negativa ao decreto forneceu o primeiro sinal de que alguns membros da aliança política, militar e empresarial que apoiou o golpe estão começando a ficar incomodados com as ações de Micheletti. Legisladores de todos os partidos políticos no Congresso lhe disseram que não aprovariam o decreto, como exigido por lei.

"Nós queremos que o governo seja moderado", disse Adolfo J. Facusse, um proeminente líder empresarial, em uma entrevista nesta semana. "É por isso que não gostamos do decreto."

Uma delegação de membros republicanos do Congresso americano visitou Tegucigalpa nesta sexta-feira, para oferecer apoio a Micheletti. O governo Obama pediu pela volta de Zelaya ao poder, e suspendeu toda ajuda militar e parte da ajuda econômica ao governo de fato. O senador Jim DeMint, republicano da Carolina do Sul, disse que chamar a remoção de Zelaya de golpe é algo "desinformado e infundado".

DeMint e três outros legisladores que estão viajando com ele planejam se encontrar com os membros da Suprema Corte, que apoiaram a remoção de Zelaya, e com os candidatos presidenciais.

Eles também se encontraram com Micheletti, que lhes disse que suspenderia o estado de sítio e restauraria as liberdades civis na próxima segunda-feira, o mais tardar, disse Wesley Denton, o porta-voz de DeMint, à agência de notícias "The Associated Press", na noite desta sexta-feira.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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