UOL Notícias Internacional
 

08/10/2009

Obama se reúne com conselheiros em meio ao debate sobre a política afegã

The New York Times
Peter Baker e Eric Schmitt
Em Washington (EUA)
A equipe de segurança nacional do presidente Barack Obama está buscando mudar sua estratégia de guerra ao enfatizar a campanha contra a Al Qaeda no Paquistão, argumentando que o Taleban no Afeganistão não representa uma ameaça direta aos Estados Unidos, disseram funcionários do governo na quarta-feira.
  • Pablo Martinez Monsivais/AP

    Para Obama, a dúvida é saber onde concentrar os esforços: na guerra ao Taleban no Afeganistão ou no combate às celulas da Al Qaeda no Paquistão?



Enquanto Obama se reunia com os conselheiros por três horas para discutir o Paquistão, a Casa Branca disse que ele não tinha decidido se aprovaria o aumento proposto de tropas no Afeganistão. Mas a mudança de pensamento, apresentada por altos funcionários do governo na quarta-feira, sugere que foi apresentada ao presidente uma abordagem que não exigiria todas as tropas adicionais requisitadas por seu general em comando na região.

Não se sabe se todos no gabinete de guerra do presidente aceitam plenamente esta posição. Enquanto o vice-presidente Joe Biden vem argumentando há meses contra o envio de mais soldados ao Afeganistão porque o Paquistão era a maior prioridade, a secretária de Estado, Hillary Rodham Clinton, e o secretário de Defesa, Robert M. Gates, alertam publicamente que o Taleban permanece associado à Al Qaeda e que daria abrigo novamente aos seus combatentes caso venha a retomar o controle de todo ou parte do Afeganistão, o que torna um erro pensar neles como problemas separados.

Além disso, o comandante de Obama ali, o general Stanley A. McChrystal, argumentou que o sucesso exige uma expansão substancial da presença americana - até 40 mil soldados adicionais - e que qualquer decisão de fornecer menos exporá o presidente a críticas, especialmente por parte dos republicanos, de que sua política é uma prescrição para o fracasso.

A Casa Branca parece estar tentando preparar o terreno para rebater isso, ao concentrar a atenção nos recentes sucessos contra as células da Al Qaeda no Paquistão. A abordagem, descrita pelos funcionários do governo, na quarta-feira, representa uma alternativa à análise apresentada por McChrystal. Se, como a Casa Branca tem cada vez mais afirmado nas últimas semanas, ela melhorou a capacidade dos Estados Unidos de reduzir a ameaça da Al Qaeda, então a guerra no Afeganistão é menos importante para a segurança americana.

Ao rever o pedido de McChrystal, a Casa Branca está repensando aquela que era, há apenas seis meses, uma estratégia que via o Paquistão e o Afeganistão como um único problema integrado, segundo vários funcionários do governo e pessoas de fora que falaram com eles. Agora as discussões na sala de situação da Casa Branca estão concentradas em estratégias relacionadas, mas separadas, para combater a Al Qaeda e o Taleban.

"Claramente, a Al Qaeda é uma ameaça não apenas ao território americano e interesses americanos no exterior, mas também tem uma agenda homicida", disse um alto funcionário americano em uma entrevista iniciada pela Casa Branca na quarta-feira, sob a condição de anonimato porque a revisão da estratégia ainda não foi concluída. "Nós queremos destruir sua liderança, sua infraestrutura e suas capacidades."
  • Rizwan Tabassum/AFP

    Ativista paquistanês do partido fundamentalista islâmico Jamaat-i-Islami participa de um protesto em Karachi contra a presença americana no país e os ataques com mísseis em áreas tribais

O funcionário comparou isso ao Taleban no Afeganistão, que o governo começou a definir como um grupo nativo que aspira conquistar o território e governar o país, mas não expressa ambições de atacar os Estados Unidos. "Quando os dois estão alinhados, isso ocorre principalmente na frente tática", disse o funcionário, notando que a Al Qaeda conta com menos de 100 combatentes no Afeganistão.

Outro funcionário, que também estava autorizado a falar mas não a se identificar, disse que posições diferentes a respeito da Al Qaeda e do Taleban estão guiando a revisão do presidente.

"Até que ponto a Al Qaeda foi e permanece degradada, até que ponto acredita-se ser necessário destruí-la para seguir em frente, o que é necessário para seguir em frente?" perguntou o funcionário. "E para impedi-la de ter um refúgio?"

As autoridades argumentam que enquanto a Al Qaeda é um corpo estrangeiro, o Taleban não pode ser removido completamente do Afeganistão porque está integrado demais ao país. Além disso, as forças frequentemente descritas como sendo o Taleban são na verdade uma amálgama de militantes, que incluem senhores da guerra locais como Gulbuddin Hekmatyar, a rede Haqqani ou outros que lutam por queixas locais em vez da ideologia jihadista.

Obama definiu sua missão no Afeganistão e Paquistão como uma tentativa de "impedir, desmontar e derrotar a Al Qaeda e outras redes extremistas ao redor do mundo". Mas ele deixou claro durante uma visita ao Centro Nacional de Contraterrorismo, na terça-feira, que a meta por trás dela é proteger os Estados Unidos. "Essa é a principal ameaça ao povo americano", ele disse.

Robert Gibbs, o secretário de imprensa da Casa Branca, repetiu na quarta-feira que "o foco principal (do presidente) está nos grupos e seus aliados que podem atacar nossa pátria, atacar nossos aliados, ou grupos que forneçam refúgio para aqueles que desejam fazer isso".

A discussão sobre se o Taleban representa uma ameaça aos Estados Unidos está no coração do debate do governo sobre o que fazer no Afeganistão. Alguns no campo de Biden defendem que o Taleban pode ser contido com o nível atual de tropas e, no final, pelas forças afegãs treinadas pelos Estados Unidos. Além disso, eles sugerem que o Taleban não tem interesse em permitir um retorno da Al Qaeda ao Afeganistão, porque foi isso o que lhe custou o poder quando foi derrubado pelos rebeldes afegãos, apoiados pelos americanos, em 2001.
  • Romeo Gacad/AFP

    Soldados americanos vigiam base militar ao sul do Afeganistão, próximo à fronteira com o Paquistão



"O pessoal de políticas e o pessoal de inteligência estão tendo uma grande discussão a respeito disso", disse Leslie Gelb, uma ex-presidente do Conselho de Relações Exteriores que tem aconselhado Biden. "O Taleban é uma coleção solta de pessoas que podemos separar? Nós podemos separar o Taleban da Al Qaeda. Se o Taleban retornar ao poder em partes do Afeganistão, ele trará consigo a Al Qaeda de volta?"

Alguns analistas dizem que a ligação do Taleban e da Al Qaeda na verdade se tornou mais estreita desde que as primeiras bombas americanas caíram nas Planícies de Shomali, ao norte de Cabul, há oito anos na terça-feira.

"Esse tipo de separação que existia entre o Taleban e a Al Qaeda em 2001 realmente não existe mais", disse Anthony Cordesman, um acadêmico do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais que aconselha McChrystal. "Há muito mais elementos ideológicos no Taleban. No leste, eles estão realmente misturados com a Al Qaeda."

Frances Fragos Townsend, que foi conselheira de segurança interna do presidente George W. Bush, disse que os dois grupos permanecem interligados.

"É um argumento perigoso presumir que o Taleban não reverterá ao que era pré-11 de Setembro e fornecerá um santuário à Al Qaeda", ela disse. Referindo-se a McChrystal, ela acrescentou: "Se não forem dadas a ele as tropas que ele pediu e não continuarem os ataques com Predator, será possível matá-los um de cada vez, mas não será possível drenar o pântano".

Funcionários disseram na quarta-feira que o pedido oficial de McChrystal por forças adicionais foi encaminhado a Obama na semana passada.

O porta-voz de Gates, Geoff Morrell, disse que deu para Obama "uma cópia informal" a pedido do presidente.

A reunião de quarta-feira foi a terceira do presidente com toda sua equipe de segurança nacional. Outra está marcada para sexta-feira para tratar do Afeganistão e então uma quinta está planejada, possivelmente na próxima semana. Gibbs disse que ainda levará semanas para o presidente anunciar uma decisão.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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