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10/10/2009

Japão e Coreia do Sul concordam em posição conjunta em relação à Coreia do Norte

The New York Times
Choe Sang Hun Em Seul (Coreia do Sul)
A Coreia do Sul e o Japão se uniram em relação à Coreia do Norte nesta sexta-feira, prometendo que não forneceriam ajuda econômica e continuariam a aplicar sanções até estarem convencidos de que o Norte abandonou seu programa de armas nucleares.

O presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak, e o primeiro-ministro do Japão, Yukio Hatoyama, que compartilham o ceticismo em relação às intenções do governo norte-coreano, reafirmaram sua posição conjunta quando se encontraram em Seul. Eles voaram para Pequim nesta sexta-feira para um encontro de três partes com o primeiro-ministro da China, Wen Jiabao.
  • Korea News Service/AP

    O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao (à dir.), em visita ao líder norte-coreano Kim Jong Il (à esq.) na capital Pyongyang, Coreia do Norte



No início desta semana, Wen se encontrou com o líder norte-coreano, Kim Jong-il, em Pyongyang, e obteve uma promessa vaga de Kim de que seu governo retornaria às negociações de seis partes para desarmamento nuclear - mas apenas se visse progresso nas negociações bilaterais com Washington. Em troca, a China concordou em enviar ajuda e aumentar os laços econômicos com o Estado pária.

O acordo aumentou o medo em Seul e Tóquio de que a Coreia do Norte estava sendo recompensada sem fazer qualquer concessão concreta a respeito de seu programa de armas nucleares. Durante o encontro em Pequim nesta sábado, espera-se que Lee e Hatoyama sejam informados sobre o encontro de Wen com Kim.

"Nós concordamos que a Coreia do Norte deve demonstrar uma mudança fundamental em sua postura", disse Lee durante a coletiva de imprensa conjunta com Hatoyama.

Ele disse que apesar de manter a porta aberta ao diálogo com a Coreia do Norte, Japão e Coreia do Sul aplicarão as sanções impostas pelo Conselho de Segurança da ONU após os testes de mísseis e nuclear do Norte neste ano.

Hatoyama concordou, dizendo: "Nós não devemos fornecer cooperação econômica até que a Coreia do Norte dê passos concretos".

Os dois líderes apoiaram uma "grande barganha" - o termo usado por Lee - que forneceria à Coreia do Norte um pacote abrangente de assistência econômica e garantias de segurança em troca do abandono imediato de seus programas nuclear e de mísseis balísticos. Nesta sexta-feira, Hatoyama disse que a Coreia do Sul e o Japão também concordaram em adicionar uma antiga exigência japonesa à barganha: uma prestação de contas plena pelos norte-coreanos sobre o destino dos cidadãos japoneses que supostamente teriam sido raptados e levados para a Coreia do Norte nas últimas décadas.

A disputa em torno dos abduzidos é um grande obstáculo nas relações do Japão com a Coreia do Norte. Até Lee, um conservador, chegar ao poder no início de 2008, a Coreia do Sul resistia ao acréscimo dessa disputa nas negociações nucleares já complicadas.

O conceito de fechar um amplo acordo com a Coreia do Norte que trataria dos desejos de todas as partes envolvidas nas negociações de seis partes - as duas Coreias, os Estados Unidos, China, Japão e Rússia - foi defendido por outros presidentes sul-coreanos, incluindo Kim Dae-jung, o ganhador do Prêmio Nobel da Paz, que morreu em agosto. Mas ele fracassou em resolver a crise porque o Norte resistia a uma ação ampla, insistindo que o desmonte de suas instalações nucleares só ocorreria em etapas.

Nas negociações de cada etapa, a Coreia do Norte e os Estados Unidos discutiam detalhes, como quem agiria primeiro, com o Norte sempre tentando extrair pequenas concessões. Se não conseguisse o bastante ou se sentisse pressionada pelos outros, ela abandonava as negociações, atiçando as tensões como fez neste ano, após a imposição das sanções pela ONU. E como fez nesta semana com a China, que preside as negociações envolvendo as seis partes, a Coreia do Norte extraiu recompensas apenas por retornar à mesa.

Lee disse que os Estados Unidos e seus aliados não devem repetir o padrão. Apesar de alguns analistas terem chamado sua ideia de uma grande barganha de irrealista, Lee disse nesta sexta-feira que estava obtendo apoio dos Estados Unidos, Japão e outros. Ele disse que Pyongyang, que chamou a ideia de Lee de "ridícula", também a considerará no final.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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