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16/10/2009

Ataques no Paquistão mostram fortalecimento dos elos entre militantes

The New York Times
Jane Perlez
Em Islamabad (Paquistão)
Uma onda de ataques contra importantes instalações de segurança nos últimos dias demonstrou que o Taleban, a Al Qaeda e os grupos militantes antes nutridos pelo governo estão reforçando uma aliança que visa derrubar o Estado paquistanês, disseram analistas e funcionários do governo.

Mais de 30 pessoas foram mortas na quinta-feira em Lahore, a segunda maior cidade do Paquistão, nos ataques por três equipes de militantes a dois centros de treinamento da polícia e um prédio federal de investigações. Entre os mortos estavam 19 policiais e pelo menos 11 militantes, disseram as autoridades.
  • Reuters

    Policial monta guarda no entorno do edifício da Agência de Investigação Federal (FIA),
    em Lahore (Paquistão), após um ataque de atiradores da milícia Taleban no local



Nove outras morreram em dois ataques a uma delegacia em Kohat, no noroeste, e contra um complexo residencial em Peshawar, a capital da província da Fronteira Noroeste.

Os ataques em Lahore, ocorrendo após um cerco de 20 horas contra um quartel do exército em Rawalpindi no último fim de semana, mostrou o maior alcance da rede militante, assim como sua crescente sofisticação e conhecimento interno das forças de segurança, disseram funcionários e analistas.

O grupo principal dos talebans paquistaneses, o Tehrik-e-Taliban, reivindicou a responsabilidade pelos ataques em Lahore, noticiou o canal de TV independente "Geo" em seu site.

Mas o estilo dos ataques também revelou os laços mais estreitos entre o Taleban, a Al Qaeda e aqueles que são conhecidos como grupos jihadistas, que atuam a partir do Punjab, a maior província do país, disseram analistas. A cooperação torna a ameaça militante ao Paquistão mais potente e insidiosa do que nunca, eles disseram.

O governo tolerou por anos os grupos do Punjab, incluindo o Jaish-e-Muhammad e Lashkar-e-Jhangvi, e muitos paquistaneses os consideram aliados em causas justas, como a luta contra a Índia, os Estados Unidos e os muçulmanos xiitas. Mas eles se tornaram interligados ao Taleban e à Al Qaeda e tem se voltado cada vez mais contra o Estado.

A aliança tem aumentado os ataques enquanto as forças armadas preparam um ataque à fortaleza do Taleban no Waziristão do Sul, onde altos membros dos grupos do Punjab também encontram santuário e apoio.

"Eles todos são grupos do Punjab com elos com o Waziristão do Sul", disse Aftab Ahmed Sherpao, um ex-ministro do Interior, explicando os ataques recentes.

Em um raro reconhecimento da combinação letal de forças, o ministro do Interior, Rehman Malik, disse que um "sindicato" de grupos militantes deseja ver o "Paquistão como um Estado fracassado".

"Os proibidos Tehrik-e-Taliban Pakistan, Jaish-e-Muhammad, al Qaida e Lashkar-e-Jhangvi estão operando em conjunto no Paquistão", disse Malik aos jornalistas, prometendo uma contraestratégia mais eficaz.

Em Washington, altos funcionários de inteligência disseram que os múltiplos ataques coordenados são uma marca das operações influenciadas pela Al Qaeda. Mas os funcionários disseram que ainda estão estudando os relatórios de inteligência, para determinar se os ataques realmente marcam uma tentativa da Al Qaeda de ter mais influência sobre as operações do Taleban paquistanês.

Eles disseram que os ataques também podem ter sido orquestrados pelo Taleban para vingar a morte de Baitullah Mehsud, o líder taleban paquistanês, e enviar uma mensagem de que os insurgentes ainda podem realizar ataques ousados sem ele.

A nova violência acentuou os crescentes desafios enquanto o governo Obama tenta fortalecer o governo civil do Paquistão e encorajar os militares a endurecerem a campanha contra o Taleban.

Na quinta-feira, o presidente Barack Obama assinou um pacote de ajuda civil ao Paquistão, de US$ 7,5 bilhões ao longo de cinco anos. O gesto causou atrito devido às condições para a ajuda - como maior supervisão civil para as forças armadas e exigências de que o Paquistão abandone o apoio aos grupos militantes - o que oficiais militares e políticos consideram uma violação da soberania do Paquistão.

A Casa Branca emitiu uma declaração na quinta-feira, notando os interesses compartilhados dos dois países. Entretanto, em um sinal da insatisfação com a reação negativa ao dinheiro, não houve cerimônia de assinatura.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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