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17/10/2009

Aumento das exportações chinesas se destaca na maior exposição comercial do mundo

The New York Times
Keith Bradsher
Em Guangzhou (China)
O estado de espírito dos participantes desta que é a maior exposição comercial do mundo, na última quinta-feira, dependia muito do quanto eles foram afetados pela desvalorização do dólar norte-americano.

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Enquanto multidões de potenciais compradores aglomeravam-se nos espaços de exibição, que tem uma área cinco vezes maior do que a do Empire State Building, os exportadores chineses mostravam-se otimistas. Ao manter a moeda da China, o renminbi, estritamente atrelada a um dólar fraco que continua perdendo valor, Pequim tornou as exportações chinesas cada vez mais competitivas em todo o mundo.

"Estamos bastante confiantes", diz Liu En Tian, gerente de marketing do Grupo Huasheng Jiangquan, um fabricante de pisos e azulejos da cidade de Linyi. "O número de compradores que chegaram aqui nesta manhã já superou o do ano passado".

Assim como ocorreu com as exportações de várias fábricas chinesas, as da sua companhia sofreram uma queda de quase 50% no final do ano passado e início deste ano devido à redução da atividade econômica global, mas elas agora estão apenas 20% abaixo do seu pico, registrado mais de um ano atrás, devido ao aumento de vendas na América do Sul e no Oriente Médio. "A economia melhorará muito em breve em todo o mundo", afirmou Liu.

Mas o clima era muito diferente nos dois salões reservados aos exportadores não chineses, onde encontrava-se uma mistura de produtos de exportação típicos de 35 países: conjuntos de cozinha finos da Itália, tapetes da Índia, sopa de ninho de andorinha da Malásia e advogados dos Estados Unidos.

Os exportadores europeus estavam desanimados devido ao fato de os seus produtos não serem competitivos nos mercados asiáticos por causa do valor elevado do euro. E os norte-americanos testemunharam em primeira mão a alteração na hierarquia da economia global.

A China não se contenta mais em colocar os seus produtos de exportação em contêineres e enviá-los aos portos estrangeiros, deixando o processo de distribuição e outras atividades geradoras de renda a cargo de outros.

David J. Yang, um advogado de São Francisco presente na feira de Guangzhou, diz que a sua firma de advocacia tem recebido mais e mais perguntas de companhias chinesas sobre como comprar imóveis norte-americanos e como atender às exigências das leis de importação, imigração e emprego dos Estados Unidos.

"Neste momento eles estão modificando a estratégia de ação. Eles estão observando o que ocorre a sua volta para expandirem os seus negócios", afirma Yang.

Vendedores atacadistas e distribuidores de dezenas de países levaram folders e cartões comerciais, enquanto os exportadores chineses diziam estar convencidos de que as vendas estão finalmente subindo. Mas o aumento da demanda veio da Europa e, especialmente, de mercados emergentes. O crescimento da demanda por parte dos Estados Unidos tem sido relativamente modesto.

Enquanto os exportadores daqui reavaliavam as suas encomendas para os próximos meses, eles descreviam um padrão consistente: as vendas aos mercados emergentes recuperam-se rapidamente, e a demanda da Europa volta a crescer à medida que a moeda chinesa desvaloriza-se em relação ao euro, e o interesse dos Estados Unidos pelas compras continua bastante baixo.

Com o renminbi atrelado ao dólar, a vantagem desfrutada pela moeda chinesa não aumentará frente aos Estados Unidos da mesma forma que ocorre em relação às outras moedas que não sejam o dólar.

As diversas políticas da China para auxiliar os exportadores, dos benefícios fiscais à intervenção nos mercados de câmbio, aliviaram o desemprego na China - tendo, no entretanto, contribuído para o problema em outros países, e isso está começando a alimentar tensões comerciais.
No mês passado o presidente Barack Obama impôs tarifas de no mínimo 35% sobre pneus feitos na China, e os processos de combate ao dumping e aos subsídios movidos contra a China acumulam-se em tribunais comerciais de todo o mundo.

O dólar despencou em relação ao euro, o iene e a maioria das outras moedas no decorrer das duas últimas semanas, e na última quinta-feira um índice referente à moeda norte-americana caiu ao seu nível mais baixo em
14 meses. Mas o governo chinês interveio fortemente nos mercados cambiais para assegurar-se de que o renminbi cairia junto com o dólar.

O resultado disso tem sido uma queda acentuada do valor do renminbi em relação ao euro, ao iene, ao dólar australiano e a várias outras moedas, fazendo com que seja mais barato para empresas de Helsinque a Sydney encomendar produtos da China.

O renminbi caiu 16% em relação ao euro desde o início de março deste ano, e 31% em relação ao dólar australiano.

"Nós exportamos bastante para a Austráliaaaa", diz Linda Zhang, gerente de vendas da Hebei Wanlong Steel Structure, uma indústria de casas pré-fabricadas. Ela acrescenta que a demanda australiana está "retornando".

Kimmo Tarkkonen, o presidente da SRS Fenno-EI, uma distribuidora de lâmpadas e aquecedores situada nas imediações de Helsinque, afirma que está assinando os seus contratos com os fornecedores chineses em dólares, após concluir que a moeda norte-americana continuará caindo em relação ao euro, tornando as suas compras ainda mais baratas.

"Nós preferimos correr o risco", afirma o empresário. "O dólar está caindo sem parar, de forma que esse risco é mínimo".

Algumas companhias chinesas, em mais uma tentativa de continuarem competitivas, chegaram até mesmo a reduzir os seus preços depois que os salários caíram durante a recente desaceleração econômicas. Os salários ainda não se recuperaram totalmente, e a escassez de mão-de-obra que começou a surgir pouco antes da crise não retornou na maior parte do país.

"Está fácil encontrar empregados - a China tem muita mão-de-obra", explica Helen Chen, gerente-geral da Yuyao Panasia International Trading Corporation, de Yuyao, na região centro-leste da China.

Os custos com transportes representam apenas uma pequena fração dos custos com mão-de-obra, mas eles estão se voltando a subir após de uma queda vertiginosa ocorrida no final do ano passado e início deste ano.

Neil Dekker, analista da empresa Drewry Shipping Consultants, de Londres, afirma que os custos totais do frete relativo a um contêiner de 40 pés (12,2 metros) da China para Roterdã aumentaram de US$ 1.475 (R$
2.518) no início deste ano para US$ 2.500 (R$ 4.267) no mês passado. Em setembro do ano passado este valor era de US$ 3.200 (R$ 5.460).

Já o envio de um contêiner da China para Los Angeles custava entre US$ 1.450 (R$ 2.475) e US$ 1.475 no mês passado, comparados aos US$ 900 (R$
1.536) no início deste ano e aos US$ 2.050 (R$ 3.500) em setembro do ano passado.

Luca Bartolini, o diretor-executivo da Unitekno, que fabrica dispendiosos aspiradores de pó a vapor em Umbria, na Itália, usava um elegante terno cinza escuro e sentava-se desconsolado em uma barraca de exibição situada em um dos salões para produtos não chineses, sem que houvesse um só potencial comprador à vista.

O aumento do euro foi tão abrupto que os clientes asiáticos estão cancelando os contratos para a compra dos produtos da sua companhia, mesmo sabendo que tais cancelamentos implicam em multas, conta Bartolini. Os contratos foram feitos em euros, de forma que os aspiradores de pó ficaram mais caros em moedas asiáticas, que estão quase todas atreladas ao dólar de forma informal ou explícita.

"Acreditamos que este valor do euro está de fato muito elevado", diz Bartolini.


Tradução: UOL

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