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19/10/2009

Segundo relatório norte-americano, proibição do fumo reduz índice de doenças cardíacas

The New York Times
Pam Belluck
A proibição do fumo em locais como restaurantes, escritórios e edifícios públicos reduz os casos de ataques cardíacos e doenças do coração, segundo um relatório divulgado na última quinta-feira (15/10) por um comitê de cientistas financiado pelo governo dos Estados Unidos.

O relatório, divulgado pelo Instituto de Medicina dos Estados Unidos, concluiu que a exposição à fumaça liberada pelo cigarro de fumantes (fumo passivo) aumenta o risco de ataque de coração tanto entre os fumantes quanto os não fumantes. A equipe disse ainda ter descoberto que houve uma redução de problemas cardíacos pouco após ter sido instituída a proibição do fumo, e que a exposição a níveis baixos de fumo passivo pode provocar problemas cardiovasculares.
  • Carl Saytor/AP

    Desde 2002, o fumo está proibido em lugares fechados de Nova York, nos Estados Unidos



"Até mesmo uma pequena exposição ao fumo passivo pode aumentar a coagulação sanguínea, reduzir o diâmetros dos vasos sanguíneos e provocar um ataque cardíaco", afirma Neal L. Benowitz, professor de medicina psiquiátrica e ciências biofarmacológicas da Universidade da Califórnia em São Francisco, que participou da equipe de pesquisa.

"As proibições do fumo precisam ser instituídas o mais rapidamente possível", acrescenta Benowitz. "Quando mais esperarmos, mais doenças estaremos aceitando".

O relatório, encomendado pelo Centro para o Controle e a Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, examinou dados de 11 estudos feitos em comunidades no Canadá, Itália, Escócia e Estados Unidos.

O grau de redução de ataques cardíacos nessas comunidades variou bastante, de 6% a 47%, mas todos os estudos revelaram um declínio.

"Atualmente as evidências são inegáveis", afirma o médico Richard D. Hurt, diretor do centro de dependência em nicotina da Clinica Mayo, e que não participou da elaboração do relatório.

"O fumo secundário mata muita gente, e um dos mecanismos pelos quais isso ocorre é por meio da exposição à fumaça que afeta o sistema cardiovascular", explica Hurt.

O comitê afirmou que nenhum dos 11 estudos foram ideais sob o ponto de vista de metodologia e coleta de dados, o que fez com que algumas questões significativas ficassem sem resposta. Alguns dos estudos foram pequenos, outros foram realizados em um curto período, e apenas dois, um na Escócia e o outro no condado de Monroe, no Estado de Indiana, indicaram se as vítimas de ataques cardíacos fumavam ou não.

Essas limitações fizeram com que a equipe científica fosse incapaz de determinar por que os índices de redução de problemas cardíacos variaram tanto. Mas alguns membros especulam que locais como o Estado de Nova York, que tinha certas restrições ao fumo em vigor antes que fossem aplicadas as proibições mais amplas, já vinha apresentando progressos, de forma que as reduções causadas pelas proibições foram mais modestas.
  • Divulgação

    Foto da exposição "Propaganda de Cigarro. Como a Indústria Enganou Você" na Livraria Cultura, em São Paulo, com imagens de propagandas de cigarro dos anos 20 aos 50. O material foi coletado por dois médicos de Stanford (Robert Jackler e Robert Proctor) e doado ao Smithsoniam Institute



"As evidências não foram suficientemente fortes para determinarmos o grau com que a proibição do fumo reduz o risco ou até que ponto o estilo de vida individual, a comunidade e os fatores sociais podem também influenciar intensidade da redução das doenças cardíacas", diz Lynn R. Goldman, a diretora da equipe, e professora de ciências de saúde ambiental da Universidade Johns Hopkins.

O médico Michael Siegel, professor de ciências de saúde comunitária da Universidade de Boston, diz que tais limitações constituem-se em falhas significativas e que a equipe estava sendo "sensacionalista" quanto ao impacto da proibição do fumo.

"Qualquer pessoa poderia dizer a você, sem a necessidade de qualquer pesquisa, que a proibição do fumo não eleva o número de ataques cardíacos", diz Siegel. "Mas pode ser que esse tipo de proibição tenha um efeito extremamente pequeno e que as reduções já estivessem ocorrendo de qualquer forma devido aos avanços no tratamento das doenças cardíacas".

O médico Eric D. Peterson, cardiologista da Universidade Duke e membro do painel, diz que mesmo se os índices de redução de doenças cardíacas forem baixos, os estudos sustentam a necessidade de proibir o fumo.

Goldman afirma que o comitê descobriu que "existe uma relação de causa e efeito entre a doença cardíaca em geral e o fumo secundário".

"O fumo secundário aumenta de 25% a 30% o risco de doença coronária", afirma Goldman.

Siegel diz que a conexão é "indubitável", mas que um risco significante só se aplica a pessoas que tenham doenças cardíacas sérias. "Uma pessoa saudável não caminhará até um bar por 20 minutos e sofrerá uma ataque cardíaco", diz ele.

Nos Estados Unidos, 17 Estados, Porto Rico e o Distrito de Colúmbia proíbem o fumo em bares, restaurantes e locais de trabalho, e 14 outros Estados proíbem o cigarro em uma ou duas dessas categorias de estabelecimentos, segundo o grupo Americanos pelos Direitos dos Não Fumantes. Mais de 350 cidades adotam proibições similares.

O relatório do comitê condiz com dois estudos recentes que revelaram que um ano após a proibição do fumo ser instituída, o índice médio de ataques cardíacos diminuiu em 17%, e continuou caindo no decorrer do tempo.

David Sutton, um porta-voz da Philip Morris USA, disse que não teceria comentários sobre o relatório do instituto antes que a companhia o examinasse, mas afirmou que a Philip Morris apoia a proibição do fumo em locais públicos.

"Os donos de estabelecimentos privados deveriam contar com a flexibilidade para atenderem tanto aos fumantes quanto aos não fumantes, mas há motivos suficientes para instituir medidas que regulem o fumo em locais públicos, que são locais onde as pessoas precisam ir", acrescentou Sutton.

Tradução: UOL

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