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22/10/2009

EUA ordenarão redução da remuneração de executivos em empresas que receberam ajuda do governo

The New York Times
Stephen Labaton
Em Washington (EUA)
Respondendo ao furor em torno da remuneração dos executivos nas empresas resgatadas com dinheiro dos contribuintes, o governo Obama ordenará que as empresas que receberam mais ajuda cortem os vencimentos de seus funcionários mais bem pagos, disse na quarta-feira um funcionário envolvido na decisão.

O plano, voltado para os 25 executivos mais bem pagos de sete empresas que receberam ajuda excepcional, reduzirá em média a remuneração total em cerca de 50%. As empresas são o Citigroup, Bank of America, American International Group (AIG), General Motors, Chrysler e os braços financeiros das duas fabricantes de automóveis.
  • Spencer Platt/Getty Images/AFP - 25.set.2008

    Manifestantes protestam em frente à estátua do touro na Bolsa de Nova York, EUA, contra o plano de ajuda do governo norte-americano aos bancos



Alguns executivos, como os altos executivos do AIG, enfrentarão duras restrições às suas remunerações. Além disso, os funcionários mais bem pagos de todas as empresas afetadas enfrentarão novos limites aos seus benefícios.

O plano também mudará a forma de remuneração para alinhar os interesses pessoais dos executivos com a saúde financeira a longo prazo das empresas. Por exemplo, a parte em dinheiro dos salários dos executivos será reduzida em média em 90% e o restante será substituído por ações que não poderão ser vendidas por anos.

Mas apesar do plano reduzir substancialmente a remuneração em relação ao que o pessoal mais bem pago das empresas receberia sob circunstâncias normais, ele ainda permitiria pacotes salariais multimilionários. E não teria impacto direto sobre as firmas que não receberam ajuda do governo ou que já quitaram os empréstimos que receberam de Washington, não deixando claro quanto efeito teria sobre assuntos mais amplos, como a remuneração dos executivos, a desigualdade de renda e a animosidade popular em relação à Wall Street e às corporações americanas.

O plano, que foi elaborado por Kenneth R. Feinberg, o funcionário do Departamento do Tesouro encarregado de estabelecer a remuneração para as empresas resgatadas, será divulgado em poucos dias. O funcionário que descreveu os componentes básicos do plano não revelou o impacto particular sobre funcionários específicos das firmas.

Wall Street está enfrentando críticas e revolta a respeito dos grandes bônus de fim de ano em muitas firmas.

Empresas como Goldman Sachs, JPMorgan Chase e Morgan Stanley receberam dezenas de bilhões de dólares em empréstimos e garantias de empréstimo do governo, mas como devolveram os empréstimos, elas não mais enfrentam quaisquer restrições salariais. Com a recuperação dos mercados financeiros e seus lucros após o imenso programa de ajuda do governo no ano passado, as três deverão oferecer grandes pagamentos neste ano, mesmo enquanto o desemprego continua crescendo.

O governo e os reguladores do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) estão preparando novas diretrizes para alinhar a remuneração dos executivos dos bancos com a tomada de risco apropriada. Mas a Casa Branca, que está sob ataque dos conservadores por dar ao governo o que consideram um papel intrusivo e grande demais na economia, também deixou claro que não tem intenção de impor alguma limitação ampla à remuneração dos executivos.

Em vez disso, o governo está buscando influenciar as decisões de remuneração por meio de várias mudanças na forma como as corporações governam a si mesmas. A Casa Branca propõe, por exemplo, dar aos acionistas poder de voto sobre a remuneração dos altos executivos.

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Também propôs que os comitês de remuneração, assim como os consultores de remuneração, sejam mais independentes.

E proporá que as empresas sob análise dividam a função de presidente do conselho diretor e presidente-executivo entre dois executivos. Muitas dessas propostas foram introduzidas no projeto de lei do senador Charles E. Schumer, democrata de Nova York.

Os cortes descritos para as sete empresas que receberam mais ajuda podem representar um quadro incompleto, porque o Departamento do Tesouro já tratou de um punhado de executivos com remuneração elevada. Sob pressão de Feinberg, o Citigroup concordou em vender sua unidade de investimentos Phibro, que é comandada por Andrew Hall, um trader cuja remuneração no ano passado foi de quase US$ 100 milhões.

E em consequência das discussões de Feinberg, Kenneth D. Lewis, o chefe do Bank of America, que disse que renunciaria no final do ano, concordou em abrir mão de seu salário e bônus de 2009. (Ele ainda recebe uma pensão de US$ 53,2 milhões, apesar de Feinberg poder emitir um parecer a contestando.)

O plano atingirá os executivos de algumas empresas mais duramente do que outros. Na divisão de produtos financeiros do AIG, o centro dos problemas que atormentaram a seguradora e forçou seu resgate com mais de US$ 180 bilhões em assistência dos contribuintes, nenhum alto executivo receberá mais que US$ 200 mil em remuneração total, e os executivos daquela unidade não receberão nenhuma outra remuneração, como ações ou opção de ações. Alguns bônus anteriormente prometidos serão pagos no próximo ano, mas não está claro quantos deles serão pagos.

Mas em outras empresas, os cortes poderão ser menores. Muitos executivos no Bank of America e Citigroup deverão receber pacotes salariais multimilionários.

Para os executivos de todas as sete empresas, as novas restrições também serão impostas aos benefícios. Qualquer executivo que queira mais de US$ 25 mil em benefícios - como títulos de clube, aviões particulares, limusines ou carros dados pela empresa - terão que pedir permissão ao governo.

O governo também alertará o AIG que ele deve cumprir o compromisso de reduzir significativamente os US$ 198 milhões em bônus ainda prometidos aos funcionários da divisão de produtos financeiros.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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