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31/10/2009

Medvedev adverte contra minimização dos horrores stalinistas

The New York Times
O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, advertiu na sexta-feira (30) que os russos perderam o senso de horror diante dos expurgos promovidos por Stálin e pediu a construção de museus e memoriais dedicados às atrocidades stalinistas, bem como mais esforços no sentido de encontrar e identificar os mortos.

Medvedev fez os comentários no vídeo do seu blog, durante o feriado dedicado à memória das vítimas da repressão. Ele advertiu que historiadores revisionistas poderiam mascarar as passagens mais sombrias do passado soviético, citando uma pesquisa que revelou que 90% dos jovens russos não são capazes de dizer o nome de nenhuma vítima dos expurgos.

"Ainda hoje podemos ouvir vozes dizendo que aquelas numerosas mortes foram justificadas pelas metas supremas do Estado", disse Medvedev. "Nada pode ser mais valorizado do que a vida humana, e não há desculpa para aquela repressão".

Milhões de pessoas foram mortas durante o regime de Stalin como resultado da coletivização forçada, da deportação de grupos étnicos, da prisão no Gulag e dos expurgos do partido, entre outras táticas.

Embora tivesse reiterado a sua preocupação com a possibilidade de a Rússia ser vilipendiada em textos de história contemporânea sobre a Segunda Guerra Mundial, Medvedev acrescentou: "Tão importante quanto isso é impedir que se apresentem justificativas, sob o pretexto de corrigir os registros históricos, no sentido de inocentar aqueles que mataram o seu próprio povo".

Os comentários de Medvedev são os mais recentes em uma longa discussão sobre como interpretar o passado da Rússia.

Sob o predecessor de Medvedev, Vladimir Putin, a opinião dos russos sobre Stálin tornaram-se bem mais róseas. Livros endossados pelo governo atualmente equilibram as atrocidades de Stálin com elogios às suas realizações - especialmente a vitória sobre Hitler -, e pesquisas recentes mostram que os russos acreditam que Stálin fez mais coisas boas do que ruins.

Ao mesmo tempo os líderes russos atacam os historiadores europeus orientais que retratam as forças soviéticas como tropas de ocupação e, em maio, Medvedev criou uma comissão para impedir tais tentativas de "falsificação da história".

Arseny Roginsky, diretor da organização de direitos humanos Memorial, disse que o discurso de Medvedev atingiu diretamente "o cerne da discussão contemporânea sobre Stalin e o stalinismo - a questão da vitória e do preço desta".

Embora Putin tenha falado com compaixão das vítimas de Stálin no mesmo feriado em 2007, Medvedev foi bem mais além ao apresentar propostas concretas para a construção de museus e buscas por sepulturas coletivas, afirmou Roginsky.

"A concretização dessas propostas depende inteiramente de Medvedev e das autoridades atuais", acrescentou ele.

"Estamos esperando para ver se ele conta com o poder para concretizar pelo menos parte das nossas expectativas. "Tenho sérias dúvidas quanto a isso. Mas é claro que estou aguardando".

As observações do presidente foram bem recebidas por Roman Romanov, vice-diretor do Museu da História do Gulag, um conjunto de cinco salas cuja entrada fica no pátio de uma das ruas comerciais mais caras de Moscou. "As placas no local são tão precárias que as pessoas passam pela Petrovka sem sequer saberem que nós estamos aqui", reclama Romanov. Ele critica levemente as exposições, chamando-as de "um pouco provincianas".

Existe também um problema de gerações. Aos 27 anos de idade, Romanov tem 30 ou 40 anos a menos que os seus colegas de trabalho. Ele conta que quando assumiu o cargo as pessoas da sua idade não entenderam, e um amigo chegou até a tentar convencê-lo a não aceitar.

"Ele me disse que não fizesse isso", conta Romanov. "Segundo ele, o trabalho era muito deprimente, e eu precisava ser mais positivo. Ele acreditava que o trabalho dizia respeito a criminosos, mas eu lhe disse que entendia que estava fazendo a coisa certa".

Tradução: UOL

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