UOL Notícias Internacional
 

03/11/2009

Credores apoiam o plano de concordata do CIT Group

The New York Times
Michael J. De La Merced*
Enquanto o CIT Group buscava desesperadamente evitar a falência neste verão, ele argumentava que ser forçado a pedir concordata seria um desastre para seus clientes: um grande número de pequenas e médias empresas do país, que dependem da instituição de 101 anos para financiamento.

Cobertura completa da crise

  • UOL


No domingo, o CIT pediu o que chamou de um tipo diferente de concordata, uma que permitirá sair do tribunal de falências até o final o ano sob a propriedade de seus credores, que apoiaram amplamente o plano de reorganização.

O pedido marca a culminação de meses de barganha entre o CIT, seus credores e o governo federal em torno do destino da empresa. Os reguladores bancários concluíram ao longo do verão americano que apesar do CIT ser vital para muitas pequenas empresas que necessitam de financiamento, os problemas da empresa não representam o tipo de risco ao sistema que levou aos resgates agressivos do Citigroup e do Bank of America.

Mesmo assim, o pedido de concordata significa que os contribuintes perderão os US$ 2,3 bilhões em investimento que fizeram no CIT, como parte do amplo resgate financeiro do governo no ano passado, o que representa o primeiro prejuízo do gênero do programa de resgate.

Apesar de o governo ter recebido com juros seus investimentos em empresas como Goldman Sachs e Morgan Stanley, ele provavelmente verá mais prejuízos em empresas como o American International Group (AIG) e Chrysler.

Mas ao apresentar um chamado pré-pacote para o plano de falência, o CIT está buscando limitar os danos causados às muitas empresas de varejo e outras que dependem do financiamento especializado que ele fornece. Ele é o principal provedor de factoring, no qual uma empresa venda a dívida que tem a receber para uma empresa como o CIT por um desconto.

Muitas empresas que fornecem factoring foram atingidas duramente pela crise econômica e fecharam as portas, deixando mais empresas dependentes daquelas como o CIT, segundo Michael C. Appel, o chefe de varejo e consumo da consultoria Quest Turnaround Advisors.

"No longo prazo, será bom para o CIT", disse Emanuel Weintraub, presidente-executivo da consultoria Emanuel Weintraub and Associates. "No curto prazo, não será bom para as empresas pouco financiadas que não serão atendidas imediatamente por outros empresas de empréstimo."

Quando o CIT revelou seus problemas em julho, muitas empresas de varejo estavam preparando seus pedidos para o período das festas e ficaram apavoradas com a perspectiva de um pedido de concordata repentino e descontrolado, disse Ellen Davis, vice-presidente da Federação Nacional do Varejo.

Desde então, as empresas de varejo têm buscado alternativas de financiamento para o período de compras das festas em antecipação a uma falência do CIT, apesar de ainda restarem perguntas sobre o efeito que o pedido de concordata terá sobre as encomendas feitas para a primeira metade do próximo ano, disse Davis.

O pedido de concordata do CIT testará se uma empresa financeira pode sobreviver ao Capítulo 11 da lei de falências. Ela há muito é considerada morte certa para empresas de empréstimos, cuja própria existência depende da confiança de seus credores e clientes. As dificuldades da empresa estão sendo monitoradas com interesse e trepidação por analistas e seus clientes.
  • Natalie Behring/Reuters

    Com US$ 71 bilhões em ativos e quase US$ 65 bilhões em passivos, a concordata do CIT Group está entre as maiores na história corporativa, apesar de ficar aquém das falências do Lehman Brothers e Washington Mutual. O CIT tem US$ 800 milhões em títulos que vencerão até terça

"A decisão de dar prosseguimento ao nosso plano de reorganização permitirá ao CIT continuar a fornecer fundos para nossos clientes do mercado de pequenas e médias empresas, dois setores que permanecem vitais para a economia americana", disse Jeffrey M. Peek, o presidente do conselho e presidente-executivo do CIT, em uma declaração por escrito.

Também marca o fim dos esforços do CIT para transcender suas raízes como financeira de empresas de varejo, manufatura e restaurantes. Sob Peek, um ex-alto executivo do Merrill Lynch, a empresa ingressou no crédito estudantil e serviços de consultoria de investimento. Adequando-se às suas ambições, ela mudou-se dos escritórios em Livingston, Nova Jersey, para uma torre ostentosa no centro de Manhattan.

Mas a empresa foi atingida pela turbulência nos mercados de crédito, que minou sua capacidade de financiar suas operações diárias. Mesmo após receber uma ajuda inicial do governo de US$ 2,3 bilhões, ele procurou os reguladores para ajuda adicional, apenas para ser informado que precisava encontrar uma solução nos mercados privados. Ele negociou posteriormente com seus credores um plano de reestruturação que o manteria em atividade e cortaria US$ 10 bilhões em dívidas não securitizadas.

Apesar da esperança do CIT de evitar o tribunal de falência por meio de uma oferta de troca de títulos, esse plano fracassou em obter apoio dos detentores de títulos, disse a empresa em uma declaração.

Com US$ 71 bilhões em ativos e quase US$ 65 bilhões em passivos, a concordata do CIT está entre as maiores na história corporativa, apesar de ficar aquém das falências do Lehman Brothers e Washington Mutual. O CIT disse em seu pedido de concordata que US$ 800 milhões de seus títulos vencerão de domingo até terça-feira.

O CIT disse que apenas sua holding estava pedindo concordata e que a maioria de suas subsidiárias importantes, incluindo seu banco de Utah, continuariam operando normalmente. Como parte de um esforço para renovar seu modelo de negócios, a empresa planeja deslocar mais de suas operações para seu banco, em vez de depender dos mercados de capital mais voláteis.

Peek deixará o cargo no final do ano. A busca por seu sucessor está em andamento e a decisão final caberá ao novo conselho diretor da empresa, segundo as pessoas informadas sobre o assunto.

Os detentores de títulos receberão cerca de 70 centavos para cada dólar a que têm direito segundo o pré-pacote do plano de falência. O CIT disse que os investigadores receberiam apenas 6 centavos por dólar na alternativa, uma concordata comum sem o plano de reorganização pré-aprovado.

No mês passado, o CIT apresentou sua oferta de troca da dívida, que permitiria aos detentores de títulos da dívida trocar seus papéis por outros de data mais longa e ações preferenciais. Ao mesmo tempo, também começou a solicitar votos para a opção de pré-pacote do plano de falência.

Segundo a lei federal de falências, a aprovação de um plano desses exige o apoio de mais de 50% dos credores e mais de dois terços do valor em dólares desses títulos.

O CIT disse em uma declaração que os detentores de cerca de 85% de seus US$ 30 bilhões em títulos da dívida participaram da votação. Esses investidores votaram quase por unanimidade em apoiar o plano.

Na semana passada, a empresa fez vários acordos importantes para ajudar seu plano de concordata. Ela obteve um empréstimo de US$ 4,5 bilhões de vários investidores, incluindo detentores de títulos que emprestaram US$ 3 bilhões há alguns meses. Também chegou a um acordo com o Goldman Sachs, que preservaria um empréstimo de US$ 2,13 bilhões mesmo em meio ao plano de concordata, pagando apenas uma parte da uma taxa de rescisão de US$ 1 bilhão.

O CIT encerrou uma disputa com o investidor Carl C. Icahn, que tentou pagar aos pequenos detentores de títulos para que rejeitassem o plano de reorganização da empresa. Icahn retirou sua oposição e ofereceu um empréstimo de US$ 1 bilhão à empresa.

*Stephanie Rosenbloom contribuiu com reportagem.

Tradução: George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,40
    3,181
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    2,01
    70.011,25
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host