UOL Notícias Internacional
 

05/11/2009

A esperança republicana é reacesa

The New York Times
Adam Nagourney
Em Washington (EUA)
As vitórias republicanas nas eleições para governador nos Estados de Nova Jersey e Virgínia colocaram o partido em uma posição mais forte para reverter a onda política que o presidente Obama desencadeou no ano passado, abrindo o caminho para os republicanos arrecadarem dinheiro, recrutarem candidatos e explorar a empolgação de uma base energizada ao seguirem para as eleições de meio de mandato do próximo ano.

Mas uma batalha acirrada em um distrito legislativo no interior de Nova York - após uma disputa ideológica entre os moderados e conservadores a respeito de como melhor conduzir os republicanos de volta ao poder - permanece não resolvida. Uma vitória democrata poderia sinalizar que o Partido Republicano ainda enfrenta turbulência após uma disputa na qual um candidato conservador que, com o apoio entusiástico dos líderes conservadores nacionais e organizações de base bem financiadas, forçou a saída de uma candidata republicana que apoiava os direitos de aborto e direitos dos gays.
  • Susan Walsh/AP

    Barack Obama participa da campanha de Jon Corzine para o governo de Nova Jersey



Os resultados nas disputas de Nova Jersey e Virgínia para o governo estadual ressaltaram as dificuldades que Obama está tendo para transformar sua vitória histórica, há um ano, em uma vantagem eleitoral sustentável para os democratas ou em uma posição ideológica superior à dos conservadores nas batalhas legislativas.

A coalizão que o levou a Casa Branca estava ausente na noite desta terça-feira, com evidência de que os jovens, afro-americanos e novos eleitores que apoiaram Obama não compareceram às urnas para ajudar os democratas para os quais ele fez campanha: o governador Jon S. Corzine em Nova Jersey e R. Creigh Deeds na Virgínia. (Não há pesquisas de boca-de-urna na disputa legislativa no interior para fornecer informação demográfica sobre o resultado eleitoral.)

Os eleitores independentes que votaram em Obama na Virgínia e em Nova Jersey no ano passado optaram nesta terça-feira pelos candidatos republicanos em ambos os Estados, Christopher Christie em Nova Jersey e Robert F. McDonnell na Virgínia, segundo as pesquisas de boca-de-urna. Esta é uma mudança que certamente será notada pelo democratas moderados que disputarão a reeleição para o Congresso no próximo ano, e que agora poderão relutar em apoiar Obama em votações difíceis no Congresso.

Ainda assim, enquanto os republicanos celebravam suas primeiras boas notícias em mais de um ano, eles aguardavam o resultado de uma disputa em Nova York que poderia alimentar a continuidade das discussões que dividiram o partido com grande intensidade nos últimos dias.

A disputa no interior atraiu atenção nacional após os conservadores terem afastado a candidata do Partido Republicano e apoiado o candidato de sua preferência, Douglas L. Hoffman, afirmando que o partido só deve apoiar conservadores fervorosos, em vez de aceitar candidatos que se desviam dos dogmas do partido em questões como aborto e contenção de gastos.

"Os conservadores podem vencer quando enfatizam as coisas certas e não permitem que sua mensagem seja copiada", disse Saul Anuzis, um ex-presidente do Partido Republicano de Michigan. "Os democratas e alguns de seus amigos na mídia tentaram pintar todos os conservadores como homens das cavernas cuspidores de fogo."

Em Nova Jersey e na Virgínia - dois Estados que, por seu tamanho e diversidade, podem servir como uma melhor área de teste para um partido à procura de novas abordagens - Christie e McDonnell venceram após atenuarem suas posições conservadoras em questões sociais. Seu foco incansável nos empregos e na economia - os eleitores em ambos os Estados listaram essas como suas principais preocupações nas pesquisas de boca-de-urna - pareceram minar o esforço dos democratas para derrotar os candidatos, ao apontar seu retrospecto de conservadorismo nas questões sociais.

Esse foi particularmente o caso com McDonnell, cujo longo retrospecto estabelecido de conservadorismo em questões como aborto e direitos dos gays aparentemente lhe deram bastante vantagem junto aos eleitores conservadores para evitar qualquer confronto nessas questões.

"Ele se concentrou na questões que estão na mente das pessoas: empregos, impostos", disse o governador do Mississippi, Haley Barbour, o chefe da Associação dos Governadores Republicanos. "Eu não acho que há muitos governadores que são mais conservadores do que eu. Mas eu tento dirigir as campanhas com base no que as pessoas estão interessadas."

A candidata republicana na disputa no interior de Nova York, Dede Scozzafava, suspendeu sua campanha no fim de semana, apontando para a queda nas doações de campanha e pesquisas sugerindo que ela seria derrotada. Uma hora depois, o presidente do Comitê Nacional Republicano, Michael Steele, que vinha apoiando fortemente Scozzafava, anunciou que apoiaria Hoffman.

A pergunta agora é se os grupos conservadores, que sinalizaram que fariam uso de sua vantagem para contestar outros candidatos republicanos que considerassem moderados demais, de fato o farão em futuras eleições.

O foco imediato desses desafios potenciais está na Flórida, onde o governador Charles Crist está enfrentando a direita nas primárias por uma cadeira no Senado, e Illinois, onde o deputado Mark Steven Kirk também está considerando concorrer a uma vaga na Casa. Quando Chris Chocola, o presidente do Clube para o Crescimento, um grupo que defende políticas econômicas conservadoras, foi perguntado na "ABC News" se Kirk era o tipo de candidato que seu grupo podia apoiar nas primárias, ele respondeu: "Provavelmente não".

Para Obama, que fez campanha intensiva por Corzine e relutantemente por Deeds, os resultados sugeriram os limites de sua influência política. Obama permanece popular pelo menos em Nova Jersey, como mostraram as pesquisas de boca-de-urna, mas isso não ajudou muito Corzine. Esta não é a lição que o presidente queria antes de partir para as batalhas difíceis em questões como reforma da saúde e mudança climática.

Ainda assim, Barbour disse que os resultados não devem ser vistos como um referendo a respeito de Obama. "Uma coisa está bem clara para mim: eu acho um exagero dizer que esses democratas são um referendo a respeito do presidente Obama", disse. "Dito isso, as políticas do presidente Obama estão prejudicando os candidatos democratas."

Para os republicanos, os resultados desta terça-feira foram notícias bem-vindas após um dos anos mais duros na existência do partido. Mas as vitórias ocorreram em territórios relativamente pequenos. E como é típico em um ano sem grandes eleições, bem menos eleitores compareceram às urnas do que em uma eleição geral.

Os resultados certamente erguerão o Partido Republicano. Mas a história sugere que eles não necessariamente apontam o que acontecerá nas disputas de maior peso do próximo ano, quando 39 cadeiras de governador, 38 cadeiras do Senado e toda Câmara estarão em disputa.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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