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06/11/2009

Tiroteio deixa 13 mortos e 30 feridos em base militar nos EUA

The New York Times
Robert D. McFadden*
Atualizado às 10h49

Treze pessoas foram mortas e 30 ficaram feridas na quinta-feira (5), em um tiroteio na base militar de Fort Hood, região central do Texas, aparentemente por um oficial do Exército disparando com duas pistolas. O atirador, que ainda estava vivo após ser baleado várias vezes [o Exército confirmou que ele está hospitalizado], foi identificado pelas autoridades como sendo o major Nidal Malik Hasan, 39 anos, um psiquiatra do Exército que está em serviço desde 1994 e estava prestes a ser enviado para o Iraque ou ao Afeganistão, segundo a senadora Kay Bailey Hutchison, republicana do Texas.
  • Jack Plunkett/AP

    O sargento Anthony Sills conforta sua esposa em frente à base militar de Fort Hood, no Texas

Hasan aparentemente estava trajando um uniforme militar quando começou a disparar dentro de um centro de processamento lotado de soldados retornando ou partindo para o exterior.

Enquanto um desfile de ambulâncias seguia para o cenário do tiroteio, oficiais diziam que a gravidade do estado dos feridos variava muito, com alguns em estado crítico e outros apenas com ferimentos leves. Não ficou imediatamente claro quantos dos mortos e feridos eram soldados.

Autoridades do governo o chamaram de o pior ataque em uma instalação militar nos Estados Unidos na memória. Ele lembrava outros tiroteios recentes, como o que resultou em 13 mortes em um centro para imigrantes no interior de Nova York, em abril, a morte de 10 pessoas durante um ataque de um atirador no Alabama, em março, e as 32 pessoas mortas na Virginia Tech em 2007, o tiroteio mais mortal na história americana moderna.

Enquanto uma ampla investigação pelos militares, pelo FBI e outras agências tinha início, muito a respeito do ataque no Texas permanecia incerto, incluindo o motivo do atirador. Funcionários do Departamento de Segurança Interna disseram que o Exército liderará a investigação.

O presidente Barack Obama chamou o tiroteio de "um acesso horrível de violência" e pediu aos americanos que rezassem por aqueles que foram mortos e feridos. "Já é difícil o bastante quando perdemos esses homens e mulheres em batalhas no exterior", disse Obama. "É horrível o fato de se verem sob fogo em uma base do Exército em solo americano." Ele prometeu "conseguir respostas para todas as perguntas a respeito deste incidente terrível".
  • AFP

    Imagem do atirador divulgada pelo Exército dos Estados Unidos



Os registros militares indicam que Hassan, que era solteiro e nascido na Virgínia, nunca serviu no exterior e dizia não ter preferência religiosa em seus registros pessoais. Ele abriu fogo contra os soldados que estavam obtendo liberação médica antes e após o serviço no Iraque e Afeganistão.

Dois outros soldados, cujos papéis não estavam claros, foram levados sob custódia em ligação ao tiroteio. O gabinete do deputado John Carter, republicano do Texas, disse que eles foram posteriormente soltos, mas um porta-voz do Fort Hood não confirmou o fato.

Fort Hood, perto de Killeen, a 160 quilômetros ao sul Dallas-Fort Worth, é a maior base militar de serviço ativo nos Estados Unidos, 880 quilômetros quadrados de lares e instalações de treinamento e apoio, uma cidade virtual para mais de 50 mil militares e cerca de 150 mil familiares e pessoal de apoio civil. Ela é um grande centro para as tropas que estão de partida ou retornando do Iraque e Afeganistão.

A base foi fechada logo após o tiroteio. Os portões foram fechados e barreiras foram levantadas em todas as entradas e postos de controle de saída, com a polícia militar afastando todas as pessoas exceto o pessoal essencial. As escolas na base foram fechadas, os playgrounds estavam desertos e as calçadas estavam vazias. Sirenes tocavam por toda a base durante a tarde, um alerta para o pessoal e suas famílias permanecerem dentro de casa e dos alojamentos.

Os comandantes militares foram instruídos a checarem todas as pessoas na base. "A preocupação imediata é assegurar que todos nossos soldados e familiares estejam em segurança e isso é o que os comandantes foram instruídos a fazer", disse Jay Adams, da 1ª Divisão Oeste do Exército, em Fort Hood.

O general Robert W. Cone, um porta-voz da base, disse que o tiroteio ocorreu por volta das 13h30, dentro do que ele chamou de Centro de Processamento de Prontidão do Soldado. O general Cone disse não estar claro se havia mais de um atirador, mas o major Hasan disparou com duas armas de mão. O tipo exato das armas usadas não foi divulgado e não se sabe se o atirador recarregou, apesar de parecer provável, dado que 42 pessoas foram baleadas, que isso tenha ocorrido mais de uma vez.

Todas as vítimas foram baleadas na "mesma área", disse Cone. Ele disse que a "polícia local", aparentemente contratada pelos militares para proteger o forte, "respondeu de forma relativamente rápida" e matou o atirador. Um dos policiais foi morto no tiroteio, disse o general.

Ao término do tiroteio, vários veículos de emergência correram para o local, que fica no centro do forte, e dezenas de ambulâncias transportaram as vítimas para os hospitais da região.

Ambas as armas usadas por Hasan foram recuperadas no local. Os investigadores disseram que seus computadores, celulares e documentos seriam examinados, seu passado seria investigado e seus amigos, parentes e colegas militares seriam entrevistados em um esforço para elaborar um perfil dele, para tentar descobrir o que motivou o acesso mortal.

Há indícios de que o ataque foi premeditado
As armas que ele usou foram descritas como sendo "civis". Especialistas em segurança disseram que o fato de duas armas de mão terem sido usadas sugere premeditação, em vez de um ato espontâneo.
  • Ben Sklar/AFP

    Mulher de soldado fala ao telefone com parentes e amigos em frente ao Fort Hood, no Texas



Rifles e armas de assalto são comuns e não vistas normalmente nas ruas de um posto militar, e pessoal médico não teria motivo para portar qualquer arma, eles disseram. Além disso, como notaram os especialistas em segurança, era necessária muita munição para atirar em 42 pessoas, outro indício de premeditação.

Não se sabe se os soldados presos perto da cena tiveram algum papel no tiroteio ou no planejamento. Parece certo que o tiroteio provocará todo um questionamento a respeito da segurança nas bases militares de todas as forças armadas nos Estados Unidos.

Expressões de pesar foram feitas por autoridades públicas por todo o país. Hutchison foi uma delas. "Estes soldados que já estavam prontos para partir para o Iraque ou Afeganistão, assim como suas famílias, já estavam sob estresse. Esta foi uma tragédia horrível e nem mesmo sabemos sua extensão."

O Conselho Muçulmano de Assuntos Públicos, falando em nome de grande parte da comunidade muçulmana nos Estados Unidos, condenou os tiroteios como sendo um "incidente hediondo" e disse: "Nós compartilhamos o sentimento de nosso presidente".

O conselho acrescentou: "Toda nossa organização estende suas condolências às famílias dos mortos, assim como aos feridos e seus entes queridos".

Cone disse que Fort Hood estava "absolutamente devastado".

As notícias do tiroteio provocaram pânico entre parentes e amigos do pessoal da base. O marido de Alyssa Marie Seace, o soldado Ray Seace Jr., enviou para ela uma mensagem de texto pouco antes das 14h, dizendo que alguém tinha "atirado contra o prédio da SRP", se referindo ao centro de processamento. Ele disse para ela que estava "escondido".

Alyssa Seace, 18 anos, que mora a cerca de cinco minutos da base e não acompanhava o noticiário, reagiu com alarme. Ela enviou uma mensagem de texto para ele e não obteve resposta. Ela telefonou para seu pai em Connecticut, que disse para ela não telefonar para ele, porque poderia expor seu esconderijo.

Finalmente, seu marido, um mecânico que deverá partir para o Iraque em fevereiro, respondeu sua mensagem cerca de 45 minutos depois, para dizer que três pessoas de sua unidade foram baleadas e uma dúzia de pessoas estava morta.

No final da tarde, as sirenes de Fort Hood ficaram silenciosas. Em Killeen, tropas do Estado estavam posicionadas nos cumes com vista para as duas principais vias que passam pela cidade. Nas áreas residenciais, os únicos sinais de vida eram os carros passando pelas ruas. Nos distritos comerciais, onde as placas em quase todos os restaurantes fast food dão as boas-vindas aos soldados de volta ao lar, as pessoas cuidavam de seus afazeres.

Em 1991, Killeen foi cenário de um dos piores massacres na história. Ele ocorreu quando um atirador enlouquecido arremessou sua picape pela janela de um café, matou a tiros 22 pessoas e então se matou.

Veja a localização de Fort Hood


Fort Hood, que foi aberto em setembro de 1942, leva o nome do general John Bell Hood, um general confederado da Guerra Civil. Ele é usado continuamente para treinamento de blindados e está encarregado de manter a prontidão para missões de combate.

É um local que parece, nos dias comuns, um dos mais seguros do mundo, cercado por aqueles que protegem a nação com suas vidas. Ele conta com nove escolas -sete primárias e duas de ensino médio, para os filhos dos militares. Mas na quinta-feira, as ruas estavam tomadas por veículos de emergência, com luzes piscando e sirenes tocando enquanto os Texas Rangers e as tropas estaduais assumiam os postos nos portões para selar a base.

Logo após as 19h, as sirenes soaram de novo e uma voz de mulher pelos altofalantes, que podia ser ouvida por toda a base, anunciava ao modo militar: "A emergência declarada não mais existe". Os portões reabriram e um grande número de carros e caminhões, que aguardavam por horas, começaram a deixar a base.

*Michael Brick, em Fort Hood, Texas; Michael Luo, em Nova York, e David Stout, em Washington, contribuíram com reportagem.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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