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12/11/2009

Diplomata americano em Cabul diz ter dúvidas sobre envio de mais tropas

The New York Times
Elisabeth Bumiller e Mark Landler Em Washington (EUA)
O embaixador americano para o Afeganistão, que já serviu como o alto comandante militar americano lá, expressou por escrito suas reservas em relação ao envio de mais soldados ao país, disseram três altos funcionários americanos na quarta-feira.

A posição do embaixador Karl W. Eikenberry, um general reformado, o coloca em oposição ao atual comandante americano e da Otan no Afeganistão, o general Stanley McChrystal, que pediu por mais 40 mil soldados.
  • Pablo Martinez Monsivais/AP

    Obama quer saber quando será possível montar um plano de retirada do Afeganistão



Eikenberry enviou suas reservas a Washington por cabograma na semana passada, disseram os funcionários. No mesmo período, o presidente Barack Obama e seus conselheiros de segurança nacional começaram a examinar a opção de envio de relativamente menos soldados ao Afeganistão, cerca de 10 mil a 15 mil, com a maioria deles designado como treinadores para as forças de segurança afegãs.

Esta opção menor era uma das quatro alternativas sob consideração por Obama e seu conselho de guerra em uma reunião na Sala da Situação da Casa Branca, na tarde de quarta-feira. As outras três opções pedem por níveis de tropas de cerca de 20 mil, 30 mil e 40 mil, disseram os três funcionários.

Obama perguntou a Eikenberry sobre suas preocupações durante a reunião de quarta-feira, disseram os funcionários, e também levantou dúvidas a respeito das quatro opções militares e como poderiam ser ajustadas ou mudadas. Um foco central das perguntas de Obama, disseram os funcionários, era em quanto tempo resultados seriam visíveis e permitiriam uma retirada. "Ele quer saber onde estão as rampas de saída", disse um funcionário.

Os funcionários, que pediram anonimato para discutir as delicadas deliberações da Casa Branca, não descreveram os motivos para Eikenberry se opor às forças americanas adicionais, apesar de no passado ele ter expressado fortes preocupações com a confiabilidade do presidente Hamid Karzai como parceiro e com a corrupção em seu governo. Obama nomeou Eikenberry como embaixador em janeiro.

Durante duas passagens pelo Afeganistão - de 2005 a 2007, quando serviu como alto comandante americano, e de 2002 a 2003, quando foi responsável pela formação e treinamento das forças de segurança afegãs - Eikenberry encontrou o que descreveu posteriormente como uma dependência do governo afegão de que os americanos fizessem o trabalho que o então presidente George W. Bush vinha pedindo para que os afegãos fizessem eles mesmos.

Funcionários do Pentágono disseram que a opção menor de 10 mil a 15 mil soldados adicionais representaria pouco ou nenhum aumento significativo nas forças de combate americanas no Afeganistão. Grande parte das forças adicionais treinaria o exército afegão, com um menor número concentrado em caçar e matar terroristas, disseram os funcionários.

A opção menor basicamente rejeitaria a estratégia de contrainsurreição mais ambiciosa concebida por McChrystal, que pede para que um maior número de soldados proteja a população afegã, trabalhe nos projetos de desenvolvimento e forme as instituições civis do país.

Ela em grande parte privaria McChrystal da capacidade de enviar um grande número de forças americanas para as províncias no sul do Afeganistão, onde o Taleban controla amplos trechos do território. E limitaria o número de centros populacionais capazes de serem protegidos pelos Estados Unidos, disseram os funcionários.

Eikenberry já cruzou caminho com McChrystal durante sua segunda passagem pelo Afeganistão, quando McChrystal liderou o Comando Conjunto das Operações Especiais das forças armadas, que realizava operações clandestinas tanto no Iraque quanto no Afeganistão.
  • Joint Staff/Reuters - 8.abr.2006

    O general Stanley McChrystal, principal comandante americano no Afeganistão, está pressionando os aliados da Otan para que estes contribuam com mais tropas para a guerra



O relacionamento deles, disse um alto oficial militar no ano passado, foi ocasionalmente tenso, como quando McChrystal pressionava pela aprovação das missões de seus comandos, e Eikenberry resistia por preocupações de que as missões eram arriscadas demais e poderiam levar a mortes de civis.

Não está claro se a Casa Branca pediu a Eikenberry, que participou da reunião para políticas para o Afeganistão na quarta-feira por meio de um link de vídeo de Cabul, a capital afegã, para que apresentasse suas posições por escrito. Também não ficou claro quão persuasivas elas foram junto a Obama.

Um porta-voz do Departamento de Estado se recusou a comentar, enquanto um porta-voz de Eikenberry, em Cabul, não pôde ser contatado para comentários na quarta-feira.

Funcionários do governo disseram que em recentes reuniões sobre o Afeganistão na Casa Branca, o presidente tem perguntado repetidas vezes sobre se uma grande força americana poderia minar a urgência do treinamento das forças de segurança afegãs e persuadi-las a lutarem mais por conta própria.

À medida que Obama se aproxima de uma decisão, a Casa Branca está enviando funcionários para informar os aliados e outros países quase que semanalmente. O representante especial do governo para o Afeganistão e Paquistão, Richard C. Holbrooke, está a caminho de Paris, Berlim e Moscou. Outros funcionários de seu gabinete estão reunidos com autoridades chinesas em Pequim.

Obama deverá ponderar a respeito de suas opções durante uma viagem à Ásia que terá início na quinta-feira. Ele deverá voltar a Washington em 19 de novembro e poderia anunciar a política antes do Dia de Ação de Graças, disseram funcionários, mas é mais provável que espere até o início de dezembro.

Eikenberry tem sido um diplomata enérgico, viajando extensamente pelo Afeganistão para se reunir com líderes tribais e inspecionar os projetos de desenvolvimento americanos.

Ele tem pressionado o Departamento de Estado por pessoal civil adicional no país, incluindo em áreas como agricultura, onde os Estados Unidos querem ajudar a afastar os agricultores do cultivo da papoula. O Departamento de Estado tentou acomodar seus pedidos, segundo um alto funcionário, mas rejeitou alguns por causa de restrições orçamentárias e seu desejo de limitar o número geral de civis no Afeganistão a cerca de 1.000.

Ele exerceu um papel importante, juntamente com o senador John Kerry, democrata de Massachusetts, em persuadir Karzai no mês passado a aceitar os resultados de uma comissão eleitoral, que pediu pelo segundo turno da eleição presidencial. A votação nunca aconteceu porque o principal adversário de Karzai, Abdullah Abdullah, acabou abandonando a disputa.
  • Romeo Gacad/AFP

    Soldados americanos vigiam base militar ao sul do Afeganistão, próximo à fronteira com o Paquistão



Mas Eikenberry também enfureceu Karzai no início da campanha, quando apareceu em coletivas de imprensa convocadas pelos três oponentes de Karzai. Funcionários americanos disseram que ele viu aquilo como uma intromissão imprópria na política doméstica afegã.

A reunião sobre o Afeganistão na Casa Branca durou das 14h30 até as 16h50 e foi a oitava sessão de Obama em dois meses sobre o assunto.

Poucas horas antes do início da reunião, o presidente caminhou pelo gramado molhado de chuva do Cemitério Nacional de Arlington, parando na Seção 60, onde estão enterrados soldados do Iraque e Afeganistão.

Foi o primeiro Dia dos Veteranos de Obama desde que ele assumiu a presidência e, em um discurso no cemitério, ele saudou o sacrifício e determinação dos militares do país.

"Nestes tempos de guerra, nós nos reunimos aqui, cientes de que as gerações que servem hoje merecem um lugar ao lado de gerações anteriores pela coragem que demonstraram e os sacrifícios que fizeram", ele disse.

Mark Mazzetti, David E. Sanger, Jeff Zeleny e Eric Schmitt contribuíram com reportagem.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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