UOL Notícias Internacional
 

13/11/2009

Presidente russo pede para que a nação se modernize

The New York Times
Clifford J. Levy Em Moscou (Rússia)
O presidente Dmitri A. Medvedev pediu na quinta-feira para que a Rússia modernize sua economia, se livre da dependência humilhante dos recursos naturais e acabe com as atitudes ao estilo soviético que ele disse que atrapalham seu esforço de permanecer uma potência mundial.

  • Dmitry Astakhov/Ria Novosti/AFP

    Medvedev: "Chegou a hora de nós - isto é, a atual geração de russos - fazermos nossa contribuição para erguer a Rússia a um novo estágio superior
    no desenvolvimento de nossa civilização"

"O prestígio de nossa pátria, o bem-estar nacional, não podem mais depender para sempre das realizações do passado", disse Medvedev em seu discurso anual no Grande Palácio do Kremlin. "Chegou a hora de nós - isto é, a atual geração de russos - fazermos nossa contribuição para erguer a Rússia a um novo estágio superior no desenvolvimento de nossa civilização."

Falando por mais de 90 minutos, Medvedev enfatizou muitos dos temas que caracterizaram sua presidência, desde que ele assumiu o governo em maio de 2008 e começou a se posicionar como um líder jovem, de alta tecnologia, que promoveria uma nova era.

Em setembro, ele até mesmo publicou um manifesto na Internet -"Rússia, Avante!"- sobre a necessidade de mudanças fundamentais, enquanto buscava sugestões dos russos sobre que assunto tratar no discurso de quinta-feira.

No discurso, Medvedev declarou que a Rússia, uma das maiores exportadoras de petróleo e gás, tinha que tornar sua economia muito mais inovadora para não mais ficar à mercê do mercado de matérias-primas. O país precisa manufaturar produtos desejados pelo mundo, em vez de apenas extraí-los, ele disse.

Mas apesar de toda sua linguagem elevada, que se tornou um marco de seu mandato, Medvedev ofereceu poucas propostas concretas para sacudir um governo que continua a ter um traço autoritário. De olho estava seu mentor, Vladimir V. Putin, o ex-presidente e atual primeiro-ministro, que é amplamente considerado como sendo mais influente e menos interessado em reformas que poderiam diminuir a autoridade do Kremlin.

Na verdade, um dos poucos pontos no discurso de Medvedev que pareceu causar agitação foi um relacionado aos fusos horários. A Rússia tem 11 e Medvedev indicou que o governo poderia melhorar a eficiência de sua economia os reduzindo. Mesmo assim, ele não apresentou um plano específico, dizendo apenas que a ideia deveria ser estudada seriamente.

Os políticos de oposição, que foram cada vez mais marginalizados na era Putin, descreveram o discurso como nada mais que chavões. Por quase dois anos, desde que era um candidato presidencial apoiado por Putin, Medvedev fala sobre estimular o pluralismo político, fortalecer a regra da lei e reduzir a corrupção, mas as coisas na verdade pioraram, disseram alguns políticos em entrevistas na quinta-feira.

Ainda assim, o tom e conteúdo do discurso poderiam ser vistos como divergentes daqueles feitos frequentemente por Putin. Medvedev, 44 anos, é um ex-professor de Direito, enquanto Putin, 57 anos, fez carreira nos serviços de segurança antes de ingressar nos altos escalões do governo.

Medvedev prometeu que a dependência do governo em corporações e monopólios estatais, uma estratégia defendida por Putin, acabaria. Medvedev disse que apoia uma abordagem mais pragmática às relações exteriores, diferente das políticas mais farpadas de seu antecessor, e disse que a Rússia com frequência demais busca bodes expiatórios externos.

"Nós não devemos procurar por culpados no exterior!", ele disse. "Nós temos que reconhecer que nos últimos anos nós não fizemos o suficiente nós mesmos para solucionar os problemas que herdamos."

No mês passado, o partido de governo de Putin, o Rússia Unida, obteve vitórias esmagadoras em eleições locais que analistas independentes disseram terem sido manchadas por amplas fraudes. Medvedev não mencionou as queixas a respeito das eleições, mas propôs algumas mudanças na lei eleitoral que ele argumentou que ampliariam a democracia nas bases.

Mas ele também pareceu alertar aos políticos de oposição de que há limites ao seu desafio ao governo.

"O fortalecimento da democracia não significa o enfraquecimento da lei e da ordem", disse Medvedev. "Qualquer tentativa de despedaçar a situação, desestabilizar o governo e dividir a sociedade segundo slogans democráticos, será impedida."

Tradução: George El Khouri Andolfato

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