UOL Notícias Internacional
 

19/11/2009

A última parada para Obama: Coreia do Sul, uma ávida aliada

The New York Times
Martin Fackler
Em Seul (Coreia do Sul)
O presidente Barack Obama chegou a Seul, na noite desta quarta-feira, para a última - e talvez mais fácil - etapa de uma viagem à Ásia na qual foi forçado a lidar com um recém-assertivo Japão e uma China cada vez mais poderosa.

A Coreia do Sul, sob seu presidente conservador, Lee Myung-bak, provavelmente será mais obsequiosa e já coopera estreitamente com os Estados Unidos em assuntos importantes, incluindo os esforços para deter o programa nuclear da Coreia do Norte. E funcionários do governo sul-coreano e analistas diplomáticos expressaram a esperança de que esta viagem possa ser a chance de Seul elevar seu perfil junto ao governo Obama, destacando sua confiabilidade como parceira na Ásia.

"Obama poderá se sentir mais à vontade aqui" do que em Tóquio ou Pequim, disse um alto funcionário do governo coreano aos repórteres, durante uma coletiva antes da visita.
  • Kim Jae-hwan/AP

    O presidente Barack Obama com o líder da Coreia do Sul, Lee Myung-bak


Para Lee, demonstrar laços amistosos com Obama poderia melhorar sua posição junto à sua base conservadora, mas ele também corre o risco de agravar os rachas políticos.

Lee está mais estreitamente alinhado às políticas norte-americanas do que seus antecessores liberais, que viam a posição dura do presidente George W. Bush a respeito da Coreia do Norte como contraproducente, e ele foi eleito com uma plataforma de endurecimento com Pyongyang. Apesar de sua popularidade ter se recuperado nos últimos meses juntamente com a economia, Lee foi recentemente criticado pela esquerda por decidir enviar mais trabalhadores de ajuda humanitária e um pequeno contingente militar ao Afeganistão.

Durante grandes protestos anti-governo no ano passado em torno da carne bovina importada dos Estados Unidos - uma questão que explorou os sentimentos anti-americanos ocultos - Lee foi acusado de se prostrar.

Ainda assim, ele provavelmente adotará um tom decididamente pró-americano durante a visita. O único ponto potencial de disputa, disseram analistas diplomáticos, será os apelos sul-coreanos para que Washington ratifique um acordo de livre comércio de dois anos atrás.

Os especialistas disseram que, durante a visita, os dois países querem confirmar que há um entendimento a respeito da estratégia para buscar a desnuclearização da Península Coreana.

Esses esforços parecem ter estagnado, com a Coreia do Norte não demonstrando interesse em abrir mão de seus testes nucleares.

Seul e Washington conversaram sobre oferecer ao Norte incentivos políticos e econômicos - o que Lee chamou de "grande barganha" - em troca de seu abandono permanente dos programas nucleares. Autoridades e analistas sul-coreanos disseram que um objetivo da visita é conversar sobre o que essa barganha poderia gerar.

Os líderes da Coreia do Sul também querem garantias de que Obama não buscará um grande avanço diplomático sem eles. A Coreia do Sul deseja se certificar que de ele manterá os interesses sul-coreanos em mente.

Já existem planos para os Estados Unidos e a Coreia do Norte terem um diálogo direto, com o emissário especial norte-americano para assuntos norte-coreanos, Stephen W. Bosworth, tendo uma visita agendada a Pyongyang após o giro de Obama pela Ásia.

"A visita de Obama é uma chance para que a Coreia do Sul e os Estados Unidos olhem um para o outro e assegurem que sua posição é a mesma", disse Cho Yun-young, um professor de relações internacionais da Universidade Chung Ang.

Isso também inclui o Afeganistão, para onde a Coreia do Sul disse no mês passado que enviaria 300 soldados para fornecer segurança aos projetos de reconstrução civis. Quanto ao acordo de livre comércio estagnado, Seul buscará pistas sobre que modificações ou acordos adicionais os Estados Unidos poderão querer em áreas contenciosas como importação de automóveis, disseram autoridades e analistas.

Helene Cooper contribuiu com reportagem

Tradução: George El Khouri Andolfato

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