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24/11/2009

Israel e Hamas podem estar próximos de troca de prisioneiros

The New York Times
Ethan Bronner Em Jerusalém (Israel)
Israel e o grupo radical islâmico Hamas pareciam próximos de um acordo na segunda-feira (23), para troca de um soldado israelense capturado por centenas de prisioneiros palestinos, possivelmente incluindo um líder popular, uma medida com implicações abrangentes não apenas para as negociações de paz estagnadas no Oriente Médio, mas para várias relações regionais.
  • Rina Castelnuovo/The New York Times

    Israelenses mantêm uma vigília pela libertação do sargento Gilad Shalit em frente à residência do premiê Benjamin Netanyahu, em Jerusalém. Shalit foi capturado pelo Hamas em 2006

As expectativas de uma troca na próxima semana foram levantadas em uma rodada de reuniões no Cairo, patrocinadas pelo governo egípcio, e por um número crescente de declarações de autoridades israelenses, palestinas e egípcias. "Aqueles que não sabem podem falar", disse Dan Meridor, o ministro da Inteligência de Israel, em uma emissora de rádio na segunda-feira. "Aqueles que sabem devem manter o silêncio."

O acordo, caso seja aprovado, trocaria o sargento Gilad Shalit, que foi capturado pelo Hamas e outros militantes palestinos em uma incursão além da fronteira e levado para Gaza, em junho de 2006, por centenas de palestinos que se encontram em prisões israelenses, incluindo muitos condenados pela organização de atentados a bomba suicidas e outros atos de terror.

Autoridades israelenses e do Hamas disseram que o acordo poderia incluir Marwan Barghouti, um dos líderes mais populares na Cisjordânia, amplamente visto como herdeiro potencial do atual presidente palestino, Mahmoud Abbas. Um tribunal israelense proferiu contra Barghouti cinco penas de prisão perpétua em 2004, pelo envolvimento na morte de israelenses.

"Há uma séria chance de Barghouti ser libertado", disse Danny Danon, vice-presidente do Parlamento israelense e membro-chave do partido Likud do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, em uma entrevista em seu gabinete. Mas um vice-primeiro-ministro, Silvan Shalom, disse ao serviço em língua árabe da "BBC" que Barghouti não faria parte de nenhum acordo.

Mesmo na prisão, Barghouti foi eleito a um alto posto de liderança do Fatah em meados deste ano. Alguns dizem que ele é um líder raro, que poderia unir o povo palestino.

Apesar de trocas de prisioneiros terem ocorrido no passado, um acordo agora teria o potencial incomum de permitir aos israelenses transferir algumas ações aos palestinos -assim como provocar nova violência contra Israel- tornando a troca um tema de um debate aflito no país. Ela também está sendo passionalmente debatida entre os palestinos, por causa da profunda divisão entre o Hamas e seu rival, a Autoridade Palestina dominada pelo Fatah.

A maioria dos israelenses acompanha o destino de Shalit como se fosse seu próprio filho. Um jovem de 23 anos de óculos e aparência de menino, ele foi visto pela última vez em um vídeo divulgado no mês passado, parecendo magro e pálido. Sua foto e nome estão em toda parte em Israel, e seu destino é motivo de imensa preocupação e orações. A maioria dos israelenses cumpre o serviço militar obrigatório e o governo não mede esforços para trazer de volta para casa os soldados ou seus restos mortais.

Mas a libertação de legiões de combatentes violentos e a chance de ganhos políticos por parte do Hamas sobre a Autoridade Palestina transformam esta em uma negociação complexa para os israelenses.
  • Reuters

    Negociação O acordo, caso seja aprovado, trocaria o sargento Gilad Shalit (foto), que foi capturado pelo Hamas e outros militantes palestinos em junho de 2006, por centenas de palestinos que se encontram em prisões israelenses, incluindo muitos condenados pela organização de atentados a bomba suicidas



"Do nosso ponto de vista, isso pode abrir o caminho para o próximo 11 de Setembro", disse Yossi Mendellevich, um engenheiro cujo filho de 13 anos, Yuval, morreu em um atentado contra um ônibus em Haifa, em 2003, por telefone. "Nós sabemos que eles não se dedicarão a macramé e pintura", ele disse a respeito dos prisioneiros que serão libertados.

"Isso estimulará todos aqueles no mundo árabe que acreditam que a forma de derrotar Israel é por meio da atividade terrorista", disse Mendellevich. "Isso levará ao sequestro de outro soldado e à próxima libertação, e assim por diante. Qual será o fim?"

Yaakov Perry, um ex-chefe da agência de segurança interna Shin Bet, disse à "Radio Israel" que apesar da existência de um risco real, "o passado mostrou que alguns dos prisioneiros não retornam ao terror e uma parte é integrada em várias operações positivas".

Os israelenses também estão preocupados com o pedido do Hamas para libertação de alguns árabes israelenses, por temer que a posição do Hamas melhoraria entre os 20% dos cidadãos de Israel que são palestinos.

Além disso, como o Hamas recebe apoio do Irã, qualquer estímulo ao Hamas poderia fortalecer um país que Israel considera a maior ameaça na região.

Entre os palestinos, qualquer libertação de prisioneiros é motivo de alegria. Mas este é um momento particularmente delicado na política palestina. Abbas prometeu não concorrer de novo à presidência palestina devido ao que chamou de sua frustração com as políticas israelenses e americanas. Sem nenhum sucessor claro para Abbas e um processo de paz estagnado, alguns temem que se a soltura dos prisioneiros for vista como presentes do Hamas, Abbas e seu partido receberão um duro golpe. Não se sabe como a libertação de Barghouti afetaria essa situação.

Isabel Kershner, em Jerusalém, e Michael Slackman, no Cairo, contribuiram com reportagem.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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