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27/11/2009

Plano chinês para desacelerar emissão de gases está aquém do esperado

The New York Times
Edward Wong e Keith Bradsher Em Pequim (China) e Hong Kong
O governo chinês anunciou na quinta-feira que estabeleceu uma meta para desacelerar o crescimento de suas emissões de gases do efeito estufa até 2020, um dia após o governo Obama estabelecer uma meta provisória para redução das emissões dos Estados Unidos.
  • Andrew Wong/Reuters - 06.dez.1999

    Avanço tímido Operários trabalham em fábrica
    de Pequim, na China. A proposta chinesa é de reduzir até 2020 a chamada intensidade de carbono - ou a quantidade de dióxido de carbono emitida por unidade de produto econômico - em 40% a 45%
    em comparação aos níveis de 2005. Segundo
    essa medida, as emissões ainda aumentariam,
    apesar de haver uma desaceleração da taxa



A oferta chinesa, que se concentra em eficiência de energia, contrasta da estratégia dos Estados Unidos e da maioria dos outros países de reduzir o total de emissões. A China tem resistido às exigências dos negociadores americanos e europeus de adotar limites vinculantes às suas emissões, argumentando que as preocupações ambientais devem ser equilibradas com crescimento econômico e que os países desenvolvidos devem primeiro demonstrar um compromisso significativo de redução de suas próprias emissões.

Com sua enorme população e ritmo vertiginoso de desenvolvimento econômico, a China ultrapassou os Estados Unidos há dois anos como maior emissora de gases do efeito estufa.

Não se sabe se o momento do anúncio da China foi por coincidência, apesar dos chineses estarem preparando uma posição inicial para as negociações internacionais sobre mudança climática em Copenhague, no próximo mês. No passado, Pequim tentou evitar parecer como se fosse diretamente influenciada pelas decisões americanas.

Um alto funcionário do governo Obama disse que os Estados Unidos pressionaram por um compromisso público da China e ficaram aliviados por terem conseguido. Mas o funcionário, que falou anonimamente porque o assunto é delicado, chamou o número de intensidade de carbono "decepcionante", dizendo que o governo espera que ele represente um valor inicial, que seria negociado para cima em Copenhague ou em negociações subsequentes.

A proposta chinesa é de reduzir até 2020 a chamada intensidade de carbono - ou a quantidade de dióxido de carbono emitida por unidade de produto econômico - em 40% a 45% em comparação aos níveis de 2005. Segundo essa medida, as emissões ainda aumentariam, apesar de haver uma desaceleração da taxa. Isso fica muito aquém do que muitos na Europa e em outros países esperavam - um aumento na eficiência de energia de pelo menos 50%.

Analistas disseram que a oferta chinesa pode tirar parte da pressão sobre os Estados Unidos, que estão oferecendo uma redução da tonelagem total de suas emissões de gases do efeito estufa "na faixa de" 17% abaixo dos níveis de 2005 até 2020, e de 83% até 2050. Mas a China agora parece estar oferecendo quase nenhum desvio de seu caminho de negócios como de costume, um desdobramento mais incômodo para alguns.

De certa forma, a oferta chinesa é menos ambiciosa do que a proposta americana, porque a China já está próxima da meta com as iniciativas de eficiência em energia existentes, enquanto a oferta americana exigiria mudanças em muitas políticas do governo.

Obama vai propor corte de 17% nas emissões dos EUA em Copenhague

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, irá a Copenhague para a conferência sobre mudança climática promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU) no dia 9 de dezembro, na esperança de reforçar o processo internacional, apesar do lento avanço relacionado a um projeto de lei nos EUA para cortar as emissões de carbono



Mas as ofertas dos Estados Unidos e da China são ambas ofertas iniciais politicamente seguras, naquele que provavelmente será um longo e duro processo de negociações para adoção de passos concretos por parte dos dois países para tratar da questão da mudança climática. Como isso se desenrolará em Copenhague, onde os países negociarão os termos para um tratado global pós-2012 para redução de emissões, ou nas sessões posteriores no próximo ano, não está claro.

Obama discutiu a mudança climática com o presidente da China, Hu Jintao, quando os dois se encontraram em Pequim em 16 de novembro. Representantes dos dois países estavam discutindo o assunto sob o presidente George W. Bush, mas neste ano Obama transformou a mudança climática em uma alta prioridade diplomática entre os dois governos.

Os argumentos da China sobre equilibrar as preocupações ambientais com o crescimento econômico têm apelo junto a outros países em desenvolvimento como a Índia, com ambos os países propondo uma desaceleração do crescimento das emissões em relação ao crescimento de suas economias.

China, Índia e Estados Unidos deverão ser membros cruciais entre os cerca de 190 países que participarão do encontro em Copenhague. Os líderes já disseram que não esperam chegar a um firme acordo lá.

O Conselho do Estado, o ministério da China, disse na quinta-feira que adotar a meta para 2020 foi uma "ação voluntária" por parte do governo chinês, "com base em nossas próprias condições nacionais", segundo a agência de notícias estatal "Xinhua". As autoridades chinesas também anunciaram na quinta-feira que o primeiro-ministro Wen Jiabao participará das negociações em Copenhague.

Michael A. Levi, diretor do programa sobre mudança climática do Conselho de Relações Exteriores, chamou o anúncio da meta de decepcionante, porque ela não moveu o país mais rapidamente no caminho em que já está.

"O Departamento de Energia estima que as políticas existentes na China já reduzem a intensidade de carbono em 45% a 46%", disse Levi. "Os Estados Unidos colocaram na mesa uma meta ambiciosa de cortes de emissões até 2050. A China precisa aumentar sua ambição caso queira se igualar a isso."

Alguns ambientalistas disseram que o conteúdo do anúncio de Obama, na quarta-feira, também era fraco.

Nos preparativos para Copenhague, a China vem tentando rechaçar as críticas ao mostrar que pode assumir compromissos no combate à mudança climática. Em setembro, Hu disse na ONU que a China desaceleraria o crescimento de suas emissões até 2020, mas atraiu algumas críticas ao não oferecer uma meta naquele momento. Antes, a China estabeleceu uma meta de redução até 2010 do consumo de energia por unidade do PIB em 20% em relação aos níveis de 2005, e já os tinha cortado em 10% no ano passado, em comparação a 2005.

Tanto Washington quanto Pequim enfrentam pressão doméstica dos setores político e industrial, que pressionam seus governos a não assumirem compromissos de energia e ambientais que possam limitar o crescimento econômico durante uma recessão. Os membros do Congresso deixaram claro para o governo Obama que não aprovariam um tratado que não incluísse uma firme promessa de grandes países em desenvolvimento, particularmente a China e a Índia, de pelo menos desacelerar o crescimento das emissões.

Enquanto isso, os dois países passaram a sofrer crescente pressão da Europa e de muitos países menores para apresentarem algum tipo de compromisso nas negociações em Copenhague, sob risco de seu colapso total. As autoridades na China e nos Estados Unidos aguardaram até duas semanas antes do início da conferência da ONU sobre o clima para colocarem suas ofertas na mesa.

Alguns analistas disseram que a China pode não estar disposta a assumir compromissos maiores até que o Congresso americano aprove uma legislação sobre metas de redução de emissões. Os números apresentados pela Casa Branca na quarta-feira foram baseados nas metas especificadas pela legislação aprovada pela Câmara em junho, mas que está parada no Senado. O Congresso nunca aprovou uma legislação que inclua limites rígidos às emissões ou que ratifique um acordo internacional sobre aquecimento global com metas vinculantes.

*John M. Broder, em Washington; James Kanter, em Bruxelas; e Jonathan Ansfield, em Mequon, Wisconsin, contribuíram com reportagem. Zhang Jing, em Pequim, contribuiu com pesquisa.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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