UOL Notícias Internacional
 

29/11/2009

Relatório do Senado revê escapada de bin Laden do Afeganistão em 2001

The New York Times
Scott Shane
Em Washington
Enquanto o presidente Barack Obama promete "terminar o trabalho" no Afeganistão enviando mais tropas ao país, o Comitê de Relações Exteriores do Senado concluiu uma retrospectiva detalhada sobre um erro crucial no começo da batalha contra a Al Qaeda: a escapada de Osama bin Laden das forças norte-americanas nas montanhas de Tora Bora no Afeganistão em dezembro de 2001.

"Tirar o líder da Al Qaeda do campo de batalha há oito anos não teria eliminado a ameaça terrorista mundial", concluiu o relatório do comitê. "Mas as decisões que abriram a porta para sua fuga para o Paquistão permitiram que Laden emergisse como uma figura simbólica que continua a atrair um fluxo constante de dinheiro e a inspirar fanáticos em todo o mundo."

O relatório, baseado em parte no relato pouco conhecido do episódio Tora Bora de 2007 por parte do Comando de Operações Especiais do Exército, afirma que as consequências de não enviar soldados norte-americanos em 2001 para impedir a fuga de Laden para o Paquistão ainda são sentidas.

O relatório culpa o lapso por "estabelecer a base para a prolongada insurgência de hoje no Afeganistão e por inflamar o conflito interno que agora ameaça o Paquistão."

A divulgação do relatório acontece no mesmo momento em que o governo Obama está se preparando para anunciar um aumento de forças no Afeganistão.

A situação em Tora Bora, uma região montanhosa cheia de cavernas no leste do Afeganistão, colocou uma modesta força do comando de Operações Especiais dos EUA e oficiais da CIA, ao lado de guerrilheiros afegãos aliados, contra cerca de mil integrantes da Al Qaeda liderados por bin Laden.

O relatório do comitê, preparado a pedidos do senador John Kerry, democrata de Massachusetts, presidente democrata do Comitê de Relações Exteriores, conclui inequivocamente que, em meados de dezembro de 2001, bin Laden e seu assistente Ayman al-Zawahri estavam no complexo de cavernas, onde bin Laden havia atuado durante a luta contra as forças soviéticas.

O novo relatório sugere que o envio de um número maior de soldados para o Afeganistão poderia ter resultado no fim não só de bin Laden e de seu assistente, mas também de Mullah Muhammad Omar, o líder do Talebã afegão. Omar também fugiu para o Paquistão em 2001 e supervisionou o ressurgimento do Talebã.

Como outros relatos anteriores, o relatório do comitê culpa o general Tommy R. Franks, na época o principal comandante norte-americano, e Donald H. Rumsfeld, então secretário de defesa, por não colocarem um número maior de soldados norte-americanos lá, com medo de alimentar o ressentimento entre os afegãos. Franks, que se recusou a comentar o relatório do comitê, já questionou algumas vezes se bin Laden estava mesmo em Tora Bora no final de 2001.

O relatório representa questões políticas mal resolvidas para Kerry. Antes e durante sua mal sucedida campanha presidencial de 2004, ele insistiu nos erros cometidos na tentativa de captura de bin Laden.

O relatório do Comitê de Relações Exteriores foi feito a partir de relatos prévios, incluindo livros de dois oficiais da CIA, Gary Berntsen e Gary Schroen, e por um comandante na Força Delta da elite do Exército que escreve sob o pseudônimo de Dalton Fury. A análise que os livros fazem das táticas falhas em Tora Bora é geralmente corroborada pela história oficial do Comando de Operações Especiais.

O relato de 2007 dizia que "foi determinado com uma certeza razoável" que bin Laden estava em Tora Bora em dezembro de 2001, entretanto, os menos de 100 soldados norte-americanos disponíveis na região eram poucos para impedir sua fuga.

O relatório do Senado foi preparado pela equipe democrata do Comitê de Relações Exteriores, cujo investigador-chefe, Douglas Frantz, foi um jornalista que reportou extensivamente a caça a bin Laden na época.

O relatório descreve como os norte-americanos que estavam em Tora Bora interceptaram a voz de bin Laden numa transmissão de rádio para seus guerrilheiros, assim como as referências destes ao "xeque".

O ex-funcionário da Força Delta que usa o nome de Fury disse a membros da equipe que os oficiais da CIA "tinham um cara com eles chamado Jalal e ele era o maior especialista na voz de bin Laden."

"Ele trabalhou com a voz de bin Laden por sete anos e sabia melhor do que qualquer um no Ocidente", disse o ex-funcionário. "Para ele, estava muito claro que bin Laden estava lá nas montanhas."

O relatório diz que alguns moradores locais que foram pagos para ajudar na captura receberam aparelhos de GPS e a instrução de apertar um botão onde quer que vissem guerrilheiros ou depósitos de armas. As coordenadas foram enviadas para localizadores militares norte-americanos para que organizassem ataques aéreos.

Tradução: Eloise De Vylder

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