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03/12/2009

Equipe de Obama se empenha na defesa da política para o Afeganistão

The New York Times
Elisabeth Bumiller Em Washington (EUA)
O secretário de Defesa, Robert M. Gates, a secretária de Estado, Hillary Rodham Clinton, e o mais alto oficial militar do país, realizaram na quarta-feira uma forte defesa da decisão do presidente Barack Obama de enviar 30 mil soldados adicionais ao Afeganistão, mas deixaram claro que seu plano para início da retirada dessas forças até julho de 2011 é flexível.

Em duas audiências no Capitólio, onde enfrentaram profundo ceticismo de ambos os partidos a respeito de partes diferentes do plano de guerra de Obama, eles também disseram que a chegada das forças adicionais, apesar de apressada, não seria tão rápida quanto Obama sugeriu em um discurso à nação na noite de terça-feira.
  • Julie Jacobson/AP

    Barack Obama acena antes de discursar sobre sua nova estratégia para a guerra no Afeganistão

Mesmo com a maioria das tropas adicionais chegando ao Afeganistão nos primeiros seis meses do próximo ano, como o presidente anunciou, o almirante Mike Mullen, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, disse que nem todas estariam posicionadas antes do último trimestre de 2010.

Ao mesmo tempo, diplomatas americanos disseram que os aliados da Otan expressaram surpresa com o compromisso de Obama de iniciar uma retirada até julho de 2011. Richard C. Holbrooke, o representante especial do governo para o Afeganistão e Paquistão, se encontrou na quarta-feira com autoridades de vários países para explicar o pensamento do presidente, semelhante ao que Gates, Clinton e Mullen estavam fazendo perante o Congresso. O democrata que chefia o subcomitê de apropriações de Defesa da Câmara, o deputado John P. Murtha da Pensilvânia, disse na quarta-feira que espera que a Casa Branca peça US$ 40 bilhões até o meados do primeiro semestre para pagamento das tropas adicionais, ou US$ 10 bilhões a mais por ano do que o presidente estimou em seu discurso. Funcionários do governo disseram que não apoiam os esforços de alguns democratas no Congresso de pagar pelas tropas adicionais com um aumento do imposto de renda, o que significa que os custos da guerra continuarão a aumentar o déficit público.

Em um dia cheio de depoimentos perante o Comitê de Serviços Armados do Senado e do Comitê de Relações Exteriores da Câmara, Gates, Clinton e Mullen enfrentaram repetidas críticas de que a data prevista para início da retirada -menos de um ano após a chegada de todos os 30 mil soldados- seria um convite para uma preparação e planejamento por parte da Al Qaeda e do Taleban.

O senador John McCain, o republicano do Arizona que concorreu contra Obama à presidência no ano passado, começou o dia pressionando Gates e Mullen, dizendo que não fazia sentido estabelecer uma data de retirada já que esta dependeria das condições em solo, como o presidente disse em seu discurso
  • Carlos Barria/Reuters

    Soldados americanos descansam durante missão noturna na província de Kunar, em 12 de agosto



Oito horas depois na Câmara, Gates ainda estava respondendo à mesma pergunta, quando disse: "Eu sou veementemente contrário a prazos. Fui contra eles no Iraque e sou contra eles no Afeganistão". No Afeganistão, ele disse, "este será um processo gradual". O comandante americano no Afeganistão, o general Stanley A. McChrystal, declarou o mesmo enquanto falava aos repórteres em Cabul. Ele disse apoiar absolutamente o prazo estabelecido por Obama, mas também alertou que o prazo era flexível e "não absoluto".

"Não se trata de daqui 18 meses, todo mundo vai embora", disse o general. A data de julho de 2011, disseram Gates, Clinton e Mullen, visa em grande parte servir de alerta aos afegãos de que os Estados Unidos não permanecerão no país para sempre. "Como demonstrar determinação e ao mesmo tempo transmitir um senso de urgência, aos afegãos, de que precisam aumentar seus esforços e assumir a responsabilidade pela sua própria segurança, pela proteção de seu próprio país contra os extremistas?" Gates disse ao comitê da Câmara.

Apesar de membros de ambos os partidos terem expressado dúvidas a respeito do plano de guerra, houve poucos fogos de artifício políticos. O deputado Dana Rohrabacher, republicano da Califórnia, que é contrário à guerra, disse que a estratégia de Obama "pode ser uma fachada diferente, mas é a mesma velha política".

No geral, as audiências tiveram pouco do drama que caracterizou as audiências no Capitólio sobre a guerra no Iraque. Pela manhã, o senador Evan Bayh, democrata de Indiana, ofereceu suas congratulações a Clinton pelo recente noivado de sua filha, Chelsea. As audiências ofereceram um vislumbre de alguns poucos detalhes e pensamento por trás da estratégia do presidente. Os depoimentos das três autoridades mostraram que a Casa Branca manteria sua antiga meta de aumentar as forças de segurança afegãs para 240 mil homens até 2011, e não expandir para 400 mil, como McChrystal propôs.

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O senador Carl Levin, democrata de Michigan, que defende o treinamento de um maior número de forças de segurança afegãs, demonstrou seu ceticismo quanto a isso, questionando se o envio de tantos soldados adicionais impediria os afegãos de aumentarem suas próprias forças de segurança. "Eu questiono se o rápido envio de um número tão grande de forças de combate americanas, sem um número adequado de forças de segurança afegãs com as quais formarem parcerias, atenderia essa missão", ele disse.

Em sua declaração de abertura, Gates, que lutou pelos 30 mil soldados americanos adicionais e foi apontado pela Casa Branca como influente na decisão de Obama, divergiu fortemente de alguns conselheiros de Obama, que argumentavam que os Estados Unidos deviam se concentrar na remoção da Al Qaeda do Paquistão, e que o Taleban no Afeganistão não representa uma ameça séria a longo prazo à segurança nacional dos Estados Unidos.

Pelo contrário, disse Gates, a Al Qaeda e o Taleban estão inseparavelmente ligados.

"Apesar da Al Qaeda estar sob grande pressão agora e dependente do Taleban e de outros grupos extremistas para seu sustento, o sucesso do Taleban fortaleceria enormemente a mensagem da Al Qaeda, ao mundo muçulmano, de que os extremistas violentos estão no lado vitorioso da história", disse Gates. Ele acrescentou: "O Taleban e a Al Qaeda se tornaram simbióticos, cada um se beneficiando do sucesso e mitologia do outro."

Quando pressionado pela senadora Susan Collins, republicana do Maine, sobre por que os Estados Unidos tinham que investir tanto dinheiro e poder militar no Afeganistão, enquanto a Al Qaeda ainda conta com a habilidade de estabelecer refúgios em outros países, Gates respondeu que o Afeganistão é único.

Não apenas foi o local onde os ataques de 2001 contra os Estados Unidos foram plenajados, ele disse, "mas também é uma fonte de inspiração para o jihadismo extremista de toda parte".

Ele disse que a "orientação e liderança estratégica" da Al Qaeda vem dos líderes do grupo que estavam na área de fronteira com o Paquistão, e que há uma "aliança profana" desenvolvida ao longo do último ano entre a Al Qaeda, o Taleban no Paquistão e o Taleban no Afeganistão.

Ele acrescentou: "A situação, eu acho, está muito mais séria hoje do que há um ano, devido aos ataques do Taleban paquistanês no Paquistão, e ao esforço da Al Qaeda, em conluio com o Taleban paquistanês para tentar desestabilizar o Paquistão".

Jackie Calmes, Christopher Drew e Mark Landler contribuíram com reportagem.

Tradução:George El Khouri Andolfato

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