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05/12/2009

EUA saem ganhando e Brasil perdendo no sorteio da Copa do Mundo

The New York Times
Jere Longman
Os Estados Unidos começaram com o pé direito a Copa do Mundo de 2010 nesta sexta-feira, com grande chance de avançar à segunda fase do torneio, que começará em 11 de junho na África do Sul. Caso isso não aconteça, será considerada uma grande decepção.

A principal adversária dos norte-americanos será a Inglaterra, a seleção campeã de 1966, mas eles evitaram uma segunda potência europeia e uma grande equipe africana ao ficar em um grupo que inclui a Eslovênia e a Argélia.

"Nós sentimos que este é um grupo que nos dá uma chance real de avançar", disse Bob Bradley, o técnico norte-americano, em uma entrevista para a "Espn" no sorteio na Cidade do Cabo.

O Brasil, a seleção pentacampeã mundial, caiu no chamado Grupo da Morte, com a Costa do Marfim, que é liderada por aquele que talvez seja o maior atacante do mundo, Didier Drogba, e é considerada a principal seleção africana; e com Portugal, que terminou em quarto lugar na Copa do Mundo de 2006 e conta com outro grande atacante, Cristiano Ronaldo.

A Coreia do Norte, que protagonizou a maior zebra da Copa do Mundo com uma vitória sobre a Itália em 1966, completa o grupo, mas não deverá ser uma ameaça. Apenas duas equipes avançarão de cada um dos oito grupos de quatro equipes, o que significa que uma das seleções, Brasil, Costa do Marfim ou Portugal, voltará para casa mais cedo.

Brasil pega grupo com Portugal, Coreia do Norte e Costa do Marfim na Copa

As bolinhas do sorteio da Copa na Cidade do Cabo começaram a definir nesta sexta-feira o caminho da seleção brasileira na tentativa de conquista de seu sexto título mundial. O time de Dunga encabeçará o grupo G em 2010 e enfrentará na primeira fase da competição as seleções de Coreia do Norte, Costa do Marfim e Portugal. Já a África do Sul, comandada por Parreira, encabeça um grupo com dois campeões mundiais (França e Uruguai). Após a definição do grupo A, os anfitrões reagiram com semblante de preocupação



Se os norte-americanos avançarem na competição, como esperado, eles enfrentarão uma partida nas oitavas-de-final contra uma equipe saída de um grupo que inclui a Alemanha, Austrália, Sérvia e Gana.

A Itália, a atual campeã mundial, caiu em um grupo com Paraguai, Nova Zelândia e Eslováquia. A Espanha, a equipe que lidera o ranking mundial, ficou em um grupo com Suíça, Honduras e Chile. A Argentina é cabeça de chave do grupo que inclui Nigéria, Coreia do Sul e Grécia.

A África do Sul poderá ser a primeira seleção do país sede a não passar da primeira fase, ao cair no difícil grupo composto por França, México e Uruguai.

O grupo final, tendo a Holanda como cabeça de chave, também inclui a Dinamarca, Japão e Camarões.

Os Estados Unidos podem levar desvantagem nos confrontos com a Inglaterra, mas foi contra ela que conseguiram aquela que talvez seja sua maior vitória em Copas do Mundo, um surpreendente 1 X 0 na Copa do Mundo de 1950. Isso ocorreu há mais de meio século, é verdade, mas os atuais norte-americanos provavelmente não ficarão nervosos ao enfrentar os ingleses.

Astros norte-americanos como o goleiro Tim Howard, o meio-campista Clint Dempsey e o atacante Jozy Altidore jogam a Premier League inglesa e estão acostumados ao estilo físico, incessante e de bolas longas jogado lá.

"Nós conhecemos a seleção deles", Bradley disse à "ESPN". "Você sempre procura grandes desafios. Nós estamos empolgados com este. Nós acreditamos em jogar nosso futebol, em jogar em um bom ritmo. Nós acreditamos no fato de termos jogadores que podem ser perigosos contra equipes muito boas."

As duas seleções estrearão no torneio enfrentando uma à outra em 12 de junho em Rustenberg, a noroeste de Johannesburgo, onde os norte-americanos derrotaram o Egito na Copa das Confederações. Na última partida entre as duas seleções, a Inglaterra venceu por 2 X 0 em um amistoso no ano passado.

"Eu acho que o próximo jogo será diferente", disse Fabio Capello, o técnico da Inglaterra, em uma entrevista para a "ESPN", notando que os Estados Unidos jogaram bem na Copa das Confederações no ano passado, derrotando a Espanha e abrindo uma vantagem de 2 X 0 contra o Brasil, antes de perder por 3 X 2 na final na África do Sul.

"Eu acho que não será um jogo fácil. Outra coisa importante, os Estados Unidos terão mais tempo para se prepararem para a Copa do Mundo. A seleção permanecerá junta. O primeiro jogo é muito importante. Os Estados Unidos sabem, nós sabemos, que se você ganha o primeiro jogo fica muito mais fácil jogar as partidas seguintes."

A seleção inglesa incluirá o grande atacante Wayne Rooney e astros como Steven Gerrard e Frank Lampard. Outro fato interessante: os norte-americanos também poderão contar com Landon Donovan contra David Beckham, companheiros de equipe no Los Angeles Galaxy, que tiveram um início turbulento na última temporada, após Donovan criticar a liderança e empenho de Beckham.

Mesmo se os EUA perderem para a Inglaterra, eles ainda poderão avançar de fase, apesar de a Eslovênia e Argélia não serem consideradas barbadas. A Eslovênia derrotou a Rússia para chegar à Copa do Mundo e a Argélia derrotou uma potência africana, o Egito.

Os Estados Unidos nunca jogaram contra a Eslovênia ou contra a Argélia. Os norte-americanos enfrentarão a Eslovênia em 18 de junho, em Johannesburgo, e a Argélia em 23 de junho, em Pretória. Uma coisa precisa ser notada a respeito da partida contra a Eslovênia: EUA venceram 1, perderam 9 e empataram 2 partidas contra seleções europeias na Copa do Mundo desde 1990.

Apesar de um empate ser favorável aos Estados Unidos, o adversário poderá ser um problema menor do que a saúde da equipe, que tem enfrentando alguns problemas desde a Copa das Confederações.

O atacante Charlie Davies está se recuperando rapidamente de fraturas na perna, cotovelo e faciais sofridas em um acidente de carro, mas ele dificilmente estará na África do Sul. Os norte-americanos sentirão muita falta de sua velocidade na Copa do Mundo e da dupla que forma com Altidore.

Oguchi Onyewu também deverá ficar de fora por mais quatro meses enquanto se recupera de uma operação no tendão do joelho esquerdo. Ele fortalece a defesa norte-americana, mas sua presença na Copa do Mundo ainda é incerta. Sua ausência poderá ser um problema, especialmente contra a Inglaterra e sua força em jogadas ensaiadas.

As notícias são mais encorajadoras a respeito do zagueiro Jay DeMerit, que fez uma participação sólida na Copa das Confederações e, segundo o noticiário, poderá retornar ao seu clube inglês, o Watford, neste fim de semana, após se submeter a um transplante de córnea.

O meio-campista Jermaine Jones é promissor e voltou a treinar em seu clube alemão, o Schalke 04, após superar uma fratura na perna esquerda.

Grande parte da equipe que parecia promissora para a Copa do Mundo agora está mudada. Dempsey provavelmente será deslocado à frente na ausência de Davies, mas Dempsey ainda é inconsistente na seleção, da mesma forma que Donovan, fazendo boa apresentação em uma partida, seguida por outra apática.

Talvez a velocidade e persistência de Robbie Findley do Real Salt Lake, campeão da Major League, o tornem um candidato para substituir Davies. Ou talvez Eddie Johnson deixe de ser apenas uma promessa.

Edgar Castillo permanece uma possibilidade na lateral esquerda, apesar de ter jogado discretamente em sua estreia no meio-campo em uma derrota recente para a Dinamarca.

Outro fator na África do Sul será a altitude de algumas cidades, Johannesburgo, por exemplo, fica a 1.752 metros, enquanto Pretória fica a 1.364 metros. Muitas dos pontos fortes norte-americanos - velocidade, contra-ataque e força física - poderão ser comprometidos pelo ar rarefeito.

Talvez um estilo mais voltado à posse de bola será necessário para um sucesso na Copa do Mundo. Os Estados Unidos estavam ofegantes ao perderem a vantagem de dois gols aberta contra o Brasil na final da Copa das Confederações, em Johannesburgo.

"Eu acho que acabou nosso fôlego, mais do que qualquer outra coisa", disse Carlos Bocanegra, o capitão norte-americano, após o jogo.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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