UOL Notícias Internacional
 

09/12/2009

Novos dados mostram que o aquecimento global aumentou na última década

The New York Times
Andrew C. Revkin e James Kanter* Em Copenhague (Dinamarca)
A década de 2000 a 2009 parece ter sido a mais quente no registro moderno, informou a Organização Meteorológica Mundial em uma nova análise, na terça-feira. O anúncio, que provavelmente será visto como uma resposta à nova contestação pelos céticos das evidências científicas para o aquecimento global, ocorreu enquanto negociadores internacionais daqui buscavam conceber uma resposta global à mudança climática.
  • Johan Spanner/The New York Times

    Ativistas vestidos como aliens exigem a criação de um acordo efetivo para a redução das emissões de gases do efeito estufa em Copenhague (Dinamarca)



O período de 2000 a 2009 foi "mais quente do que os anos 90, que foram mais quentes do que os anos 80 e assim por diante", disse Michel Jarraud, o secretário geral da agência meteorológica internacional, em uma coletiva de imprensa realizada aqui.

A divulgação não-autorizada de e-mails trocados entre os cientistas climáticos no Reino Unido e nos Estados Unidos, no mês passado, forneceu nova munição aos céticos do aquecimento global. Algumas das mensagens pareciam sugerir que alguns dados não fossem divulgados ao público. Jarraud disse que a divulgação da análise climática foi antecipada do final do ano para coincidir com a conferência internacional sobre a mudança climática. Ele disse que ela apenas faz parte de um corpo mais volumoso de evidências de que o mundo está aquecendo.

Os dados também indicam que o 2009 foi o quinto ano mais quente já registrado, ele disse, apesar de notar que os números para o ano estão incompletos.

O levantamento internacional das temperaturas de 2000 a 2009 em grande parte repete uma análise interina feita pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos, que estima de forma independente as temperaturas regionais e globais e outras tendências climáticas.

Conferência do Clima COP15

  • Reprodução


Mas foi o abismo entre países ricos e pobres, e não a ciência do aquecimento global, que dominou as negociações aqui na terça-feira, à medida que os delegados discutiam as diferentes minutas para um novo tratado climático que circulavam pelos salões. Um documento de 13 páginas, que teria sido esboçado pela Dinamarca, o país sede da conferência, incluía linguagem pedindo por mecanismos rejeitados pelos países pobres para fornecimento de ajuda a eles para lidarem com o impacto da mudança climática. A proposta incluía mais supervisão por parte dos países doadores do que os países em desenvolvimento desejam.

Autoridades dinamarquesas disseram em uma declaração que o documento não era uma proposta para um novo acordo, que muitos documentos semelhantes estão circulando enquanto as partes trocam ideias informalmente.

Outro documento teria sido supostamente elaborado pelo Brasil, África do Sul, Índia e China. Ele não mencionava compromissos específicos da parte deles e rejeitava fiscalização externa dos projetos para reduzir emissões, financiados por eles próprios.

Enquanto isso, um negociador de um grande bloco de países em desenvolvimento desafiava os países ricos a promoverem cortes mais profundos das emissões do que fizeram até agora. O negociador, Lumumba Stanislaus Di-Aping, do Sudão, disse que o presidente Barack Obama deveria estar disposto a gastar bem mais para limitar os perigos climáticos nas regiões mais vulneráveis do mundo.

"Nós temos que perguntar a ele, quando ele forneceu trilhões de dólares para salvar Wall Street, se as crianças do mundo não merecem ajuda para que suas vidas sejam salvas?" ele disse. Di-Aping falou em nome de mais de 130 países em desenvolvimento do chamado Grupo dos 77, assim como a China.

Enquanto isso, a Comissão Europeia parabenizava a decisão da Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos pela abertura do caminho para imposição federal aos limites de emissões de dióxido de carbono, dizendo que isso deve dar um novo peso às negociações aqui. A decisão da EPA de considerar as emissões como um risco à saúde foi "um sinal importante pelo governo Obama de que fala sério a respeito de lidar com a mudança climática, demonstrando liderança", disse um porta-voz da Comissão Europeia.

Os líderes políticos em Copenhague apreciaram a decisão da agência, mas foram rápidos em pressionar o governo Obama a fazer mais para adoçar sua oferta de redução das emissões de gases do efeito estufa.

Andreas Carlgren, o ministro do Meio Ambiente da Suécia, o país que atualmente ocupa a presidência rotativa da União Europeia, disse em uma mensagem por e-mail que a decisão da EPA "mostra que os Estados Unidos podem fazer mais do que colocaram na mesa".

Até o momento, Obama propôs um corte de 17% nas emissões até 2020 em relação aos níveis de 2005 e cortes maiores nos anos posteriores. A Casa Branca também indicou que os Estados Unidos contribuirão para um fundo para lidar com a mudança climática.

Um grande motivo para as esperanças terem aumentado nas últimas semanas é a expectativa de que Obama, que planeja participar do último dia da conferência, em 18 de dezembro, fará os Estados Unidos se comprometerem a reduzir os gases do efeito estufa. Os Estados Unidos se recusaram a ratificar o Protocolo de Kyoto, um acordo de 1997 para redução dos gases do efeito estufa, devido a grande oposição por parte do Senado americano e do governo Bush. A recusa em ratificar o protocolo deixou em partes do mundo uma desconfiança em relação aos Estados Unidos em questões ambientais.

A decisão da EPA deverá permitir que Obama diga aos delegados em Copenhague que os Estados Unidos estão agindo agressivamente para tratar do problema, apesar de persistir um impasse no Congresso em torno de uma legislação mais ampla para combate ao aquecimento global.

*Tom Zeller Jr., em Copenhague, e John M. Broder, em Washington, contribuíram com reportagem.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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