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15/12/2009

Obama pressiona os grandes bancos a aumentarem o crédito

The New York Times
Helene Cooper e Eric Dash Em Washington e Nova York (EUA)
O presidente Barack Obama pressionou os chefes dos maiores bancos do país na segunda-feira a adotarem medidas "extraordinárias" para concessão de empréstimos a pequenas empresas e proprietários de imóveis, levando a garantias de algumas instituições financeiras de que fariam ainda mais, mesmo enquanto continuam a se livrar de seu status de suplicantes em Washington.

Em um encontro com altos executivos de 13 instituições financeiras, Obama enviou uma mensagem clara de que o setor tem a responsabilidade de ajudar a reconduzir a economia de volta à saúde e fazer mais para criar empregos, em retribuição ao imenso resgate federal do ano passado, que ajudou a manter Wall Street e o sistema bancário à tona.
  • Doug Mills/The New York Times

    Em um encontro com altos executivos de 13 instituições financeiras, Obama enviou uma mensagem clara de que o setor tem a responsabilidade de ajudar a reconduzir a economia de volta à saúde e fazer mais para criar empregos, em retribuição ao socorro estatal de 2008

Mas Obama também confrontou os limites de seu poder de influenciar o setor à medida que os bancos continuam a pagar o dinheiro recebido do governo no resgate. O Citigroup e o Wells Fargo, dois dos maiores, anunciaram na segunda-feira que estavam fazendo precisamente isso.

Se os bancos tiveram que vir com o chapéu na mão a Washington há um ano para assegurar sua sobrevivência, eles retornaram na segunda-feira em uma posição muito mais forte para lidar com o governo. Enquanto se apressam para quitar suas dívidas com o governo e escapar da influência direta ou indireta deste sobre suas operações, eles também lutam contra elementos da legislação que pretende regular mais rigidamente o setor.

Ao mesmo tempo, os bancos estão buscando restaurar a remuneração dos executivos aos patamares elevados e afirmar que a exigência do governo para que tenham reservas financeiras maiores, para proteção contra possíveis perdas, dificulta a concessão de mais empréstimos.

Durante uma reunião de uma hora no Salão Roosevelt da Casa Branca, Obama incitou os executivos a pararem de combater a legislação de regulamentação, que visa lidar com os problemas que levaram à crise financeira, disseram funcionários da Casa Branca.

"Eu deixei bem claro que não tenho a intenção de permitir que os lobistas derrotem as reformas necessárias para proteger o povo americano", disse Obama em comentários após a reunião. "Se eles desejam lutar contra proteções de bom senso ao consumidor, esta é uma luta que estou mais do que disposto a travar."

Os presidentes de três das maiores instituições - Goldman Sachs, Morgan Stanley e Citigroup - nem mesmo compareceram pessoalmente na Casa Branca, tendo aguardado até a manhã de segunda-feira para viajar para Washington e então sendo retidos pela neblina.

Em comparação, James E. Rohr, o presidente-executivo da PNC Financial, dirigiu seu próprio carro de Pittsburgh até Washington, parando em um restaurante Wendy's para um sanduíche no caminho. Outros presidentes-executivos chegaram na noite anterior para assegurar que chegariam a tempo: Jamie Dimon, do JPMorgan Chase, chegou a Washington em um dos jatos privados do banco, enquanto Kenneth D. Chenault, da American Express, tomou um trem da Amtrak.

Os executivos presentes na reunião disseram que Obama disse aos três ausentes que entendia que o voo deles tinha sido cancelado. Mas ele direcionou fortes palavras contra o setor depois.

"Os bancos americanos receberam assistência extraordinária dos contribuintes americanos para reconstrução de seu setor", disse Obama. "Agora que estão novamente em pé, nós esperamos um compromisso extraordinário por parte deles na ajuda à reconstrução de nossa economia."

Ele acrescentou: "No final, neste país nós ascenderemos ou cairemos juntos; bancos e pequenas empresas, consumidores e grandes corporações".

Aproveitando o holofote presidencial, o Bank of America usou a ocasião para dizer que aumentaria a linha de crédito para pequenas e médias empresas em US$ 5 bilhões no próximo ano, além do que já emprestou em 2009. O JPMorgan Chase anunciou um aumento semelhante no início de novembro e experimentou recentemente um aumento nos novos pedidos de empréstimo.

Os executivos do setor bancário prometeram a Obama que reveriam os empréstimos que negaram ao longo do ano passado. Richard K. Davis, o presidente-executivo do US Bancorp, disse aos repórteres após a reunião que os executivos estão cientes da percepção do pública de que estão lucrando com bônus elevados concedidos às custas dos contribuintes, de que entendem que estão "sob um microscópio" e que precisam se alinhar mais estreitamente com as necessidades dos consumidores.

Mas ele alertou que os bancos têm a responsabilidade de avaliar cuidadosamente as qualificações de cada cliente, para que não haja uma repetição das más práticas de empréstimo que contribuíram para a crise financeira.

"Nós simplesmente queremos assegurar a realização de empréstimos qualificados", ele disse.

Funcionários da Casa Branca reconheceram que fora a legislação no Capitólio, a força do governo para incitar os banqueiros a agirem, particularmente na questão dos empréstimos, é limitada. Mas Robert Gibbs, o porta-voz da Casa Branca, disse que Obama manteria a pressão pública. "Eu acho que o palanque de intimidação pode ser poderoso", ele disse.

Ao chamar os banqueiros à Casa Branca, Obama buscava explorar a revolta popular diante da continuidade da concessão de grandes bônus aos executivos de Wall Street, somada ao ritmo lento da retomada dos empréstimos por parte das instituições resgatadas pelos contribuintes.

Durante a reunião de segunda-feira, Obama não repetiu a linguagem utilizada na entrevista para o programa "60 Minutes", na noite de domingo no canal "CBS", na qual rotulou os executivos de bancos de "gatos gordos".

Durante a reunião, "ele não nos chamou de nada", disse Davis, acrescentando que "nós concordamos enfaticamente que um aumento do crédito é necessário".

Mas com o desemprego a uma taxa de 10%, a Casa Branca precisa passar a conversa de enfática para prática, disseram funcionários do governo. Obama pressionou os banqueiros a apresentarem possíveis soluções, segundo funcionários do governo e representantes do setor. Diferente do tom de aula de uma reunião semelhante em março passado, várias pessoas presentes na segunda-feira descreveram esta reunião como mais construtiva.

"Não havia forcados, nem banqueiros gatos gordos", disse Rohr, do PNC.

Vários dos presidentes-executivos, munidos com estatísticas sobre as iniciativas para contratação de novos banqueiros, responderam que estavam bastante concentrados na oferta de crédito. Alguns, como Davis, do US Bancorp, apresentou ideias, como rever os empréstimos negados anteriormente. Outros propuseram reduzir a burocracia nos empréstimos para pequenas empresas.

Obama se reunirá na próxima semana com representantes dos bancos menores, onde ele espera adotar um tom semelhante.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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