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31/12/2009

YouTube busca sugerir mais, para que os usuários procurem menos

The New York Times
Miguel Helft
Em San Bruno, na Califórnia (EUA)
O YouTube, o site de vídeos de propriedade do Google, é cerca de 10 vezes mais popular do que seu concorrente mais próximo. Mas Hunter Walk ainda o vê como um pobre coitado.

Para Walk, diretor de gestão de produto do YouTube, a concorrência não é com outros sites de internet, mas com a TV.

"Nosso usuário médio passa 15 minutos por dia no site", disse. "Eles passam cerca de cinco horas em frente da televisão. As pessoas dizem: 'O YouTube é tão grande', mas eu vejo que ainda temos muito que fazer."

Para isso, Walk lidera uma equipe de cerca de uma dúzia de engenheiros, projetistas e diretores de projeto que aperfeiçoam o YouTube para dar aos seus usuários o que querem, mesmo quando os usuários não sabem ao certo o quê. A meta é fazer com que passem alguns minutos a mais no site a cada dia.

Isso é mais fácil de dizer do que fazer. O YouTube não revela o tamanho do seu acervo de vídeos, mas a empresa diz que cerca de 20 horas de vídeo são carregadas no site a cada minuto. Isso equivale a mais de 100 mil filmes de longa-metragem carregados no site por semana. Com centenas de milhões de videoclipes entre os quais escolher, o desafio enfrentado pela equipe de Walker é imaginar como selecionar os cinco, 10 ou 20 que um usuário poderia gostar mais.

O retorno poderia ser grande. Os executivos do Google disseram que o YouTube ainda dá prejuízo, mas que está a caminho da lucratividade. Fazer com que os usuários passem mais tempo no site o ajudaria a chegar lá mais rapidamente, vendendo mais publicidade. Também poderia ajudar a consolidar seu domínio, protegendo sua posição contra sites como o Hulu, que está atraindo um número crescente de usuários com filmes de longa-metragem e séries de televisão.

E também poderia ajudar o YouTube a não ficar atrás de outros concorrentes, incluindo as ferramentas de busca de vídeo Truveo e Blinkx, ou sites como Clicker.com, que é especializado em recomendar vídeos online criados profissionalmente.

Depois que o Blinkx adicionou uma melhor análise do conteúdo visual dos vídeos à sua ferramenta no início deste ano, por exemplo, o número médio de videoclipes assistidos pelos usuários saltou de 2,5 para quase 5, disse Suranga Chandratillake, fundador e presidente-executivo do Blinkx.

Para o YouTube, parte do desafio é lidar com as buscas das pessoas. Em novembro, os norte-americanos realizaram cerca de 3,8 bilhões de buscas no YouTube, mais do que em qualquer ferramenta de busca fora o Google, segundo a comScore, uma empresa de pesquisa de mercado. Apesar das buscas no Google serem bem específicas, os usuários frequentemente realizam buscas tão vagas no YouTube como "vídeos engraçados".

Mas talvez mais importante, o YouTube precisa aprimorar o que os técnicos chamam de descoberta. Esta é a arte de sugerir vídeos que os usuários podem querer assistir, com base no que assistiram antes ou no que outros com gosto semelhante gostaram. O esforço exige um domínio das técnicas de mineração de dados, semelhante às utilizadas por empresas como Netflix e Amazon para fazer recomendações de filmes e livros.

"Eu não acho que o problema do YouTube seja diferente do problema da Netflix e da Amazon", disse Christopher T. Volinsky, diretor executivo de pesquisa de estatísticas do AT&T Labs Research. Volinsky ajudou recentemente a liderar uma equipe que ganhou um prêmio de US$ 1 milhão, criado pela Netflix para melhorar a ferramenta de recomendação do site em 10%.

O fato de sua equipe de altos cientistas da computação ter precisado de três anos para realizar uma melhoria modesta no Netflix, que oferece cerca de 70 mil títulos, ilustra a complexidade da tarefa, disse Volinsky.

O trabalho do YouTube nessas áreas fica praticamente escondido dos usuários e envolve dezenas de ajustes, grandes e pequenos, que a equipe de Walk faz todo mês. Recentemente, por exemplo, o grupo começou a lidar com o que chama de esgotamento do assunto. Independente de quanto os usuários possam gostar de assistir, digamos, os melhores momentos de Shaquille O'Neal, eles inevitavelmente chegarão ao ponto em que se cansarão.

Logo, apesar do YouTube costumar sugerir mais do mesmo assunto aos usuários que assistiram a um vídeo em particular, ele gentilmente começou a encaminhá-los para assuntos relacionados. O vídeo de Shaquille O'Neal pode gerar sugestões para melhores momentos de Kobe Bryant, videoclipes da NBA ou mesmo assuntos mais distantes, como astros do esporte que apareceram em filmes.

"Se nossa sugestão for errada, você pode nos deixar mais cedo", disse Jamie Davidson, um gerente associado de produto de 25 anos que faz parte da equipe de Walk. "Mas se nosso palpite for correto, nós podemos fazer com que você assista outros 10 vídeos. Isso é muito difícil."

As técnicas envolvem a criação de vastos gráficos, que Davidson chama de mapas conceituais, ou conceitos relacionados como Saquille O'Neal, NBA e Kobe Bryant, nos quais a proximidade de dois nodos indica a proximidade de dois assuntos. A ferramenta de recomendação do YouTube usa esses mapas para encontrar novas áreas de assunto que possam interessar um usuário.

Com o tempo, o YouTube diz que planeja empregar com mais peso a personalização e os laços entre os usuários para refinar as recomendações.

A equipe de Walk se reúne semanalmente para discutir ajustes no software do YouTube. Durante uma recente reunião, um pequeno grupo de engenheiros e projetistas da interface do usuário apresentava ideias sobre qual poderia ser o próximo grande passo na evolução do site: páginas que começariam a exibir imediatamente uma série de videoclipes sob medida para um usuário, em vez de oferecer listas sugerindo vídeos. A ideia é empurrar mais vídeos aos usuários, na esperança de fazer com que abandonem o teclado e cada vez mais experimentem o YouTube sentados no sofá.

"No YouTube, a cada 45 segundos você se vê em um ponto de decisão", disse Davidson. "Sempre que há um ponto de decisão, as pessoas podem deixar o site. Nós não queremos remover a interatividade, mas a experiência padrão do usuário precisa ser muito mais fácil."

Palash Nandy, um engenheiro da equipe, sugeriu algumas ideias. Que tal colocar um botão "Estou entediado" ao lado da caixa de busca, semelhante ao famoso botão "Estou com sorte" do Google? Ou que tal dar aos usuários um botão deslizante para seleção de por quanto tempo desejam ser entretidos, permitindo ao software do YouTube elaborar uma lista de reprodução de acordo?

Nada disso provavelmente aparecerá tão cedo na página inicial do YouTube. Mas a equipe já está trabalhando em novas formas de permitir que os usuários criem coletivamente listas de vídeos que compartilham um assunto, como gatos tocando teclados (youtube.com/bestofkeyboardcat). As ideias podem aparecer primeiro no TestTube, o site para funções experimentais do YouTube.

Avaliar o sucesso do YouTube até o momento é difícil. O site não divulga estatísticas detalhadas de tráfego. Mas diz que melhorias em seu software de busca e descoberta ajudaram a aumentar o tempo médio que os usuários passam no site em 50% no ano passado.

Dados da comScore aparecem apoiar essa informação. O usuário comum do YouTube assistiu 83 videoclipes em outubro, em comparação a 53 um ano antes, apesar de ser difícil saber quanto desse crescimento foi resultado de melhorias nos algoritmos do YouTube.

De qualquer forma, a equipe de Walk planeja acelerar o ritmo das inovações, para ajudar os usuários do YouTube a realizarem menos buscas e a assistirem mais vídeos.

"Nós somos a segunda maior ferramenta de busca, mas busca nem mesmo é o paradigma correto para descobrir vídeos", disse Davidson. "Nós estamos tentando ir além disso."

Tradução: George El Khouri Andolfato

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