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05/01/2010

Quênia se prepara para deportar clérigo islâmico

The New York Times
Alan Cowell
Em Londres (Reino Unido)
Foi noticiado na segunda-feira que as autoridades quenianas estariam planejando deportar um clérigo islâmico de origem jamaicana, Abdullah el Faisal, que pode ter ajudado a inspirar o nigeriano acusado de tentar explodir um avião de passageiros americano com destino a Detroit, no Natal.

Faisal há muito é conhecido pelas autoridades nos Estados Unidos e na Europa. Ele foi julgado no Reino Unido em 2003, sob acusação de disseminar o ódio racial e por incitar seus seguidores a matarem cristãos, hindus, judeus e americanos. Ele foi deportado do Reino Unido em 2007.

A agência de notícias "Reuters" noticiou de Nairóbi, a capital, que Faisal estava no Quênia em uma turnê de pregação. Mas as autoridades de inteligência temiam que seus discursos encorajariam o radicalismo em um país que já foi alvo de ataques atribuídos à Al Qaeda, incluindo o atentado a bomba de 1998 contra a embaixada americana em Nairóbi. Ele foi preso na cidade portuária de Mombaça, no domingo.

"O ministro encarregado da imigração o declarou um imigrante indesejado. Nós não o queremos neste país", disse à "Reuters" um porta-voz da polícia, Eric Kiraithe. Não ficou claro quando Faisal será deportado.

"Segundo ele, ele veio para pregar", disse Kiraithe. "Os contatos que ele mantinha, segundo nossa inteligência, não são os melhores, não são de nosso interesse nacional."

Faisal se estabeleceu no Reino Unido no início dos anos 90 e se tornou imã da mesquita de Brixton, no sul de Londres, que supostamente era frequentada por Richard C. Reid, o chamado homem do sapato-bomba, que tentou explodir um avião com destino aos Estados Unidos pouco antes do Natal de 2001.

Abdul Haqq Bakr, o presidente do Centro Cultural Islâmico e Mesquita de Brixton, disse na época que Reid começou a participar das orações na mesquita no final de 1995 e a deixou em 1998.

Zacarias Moussaoui, que foi sentenciado nos Estados Unidos em 2006 à prisão perpétua em um presídio federal, após ter reconhecido o seu conhecimento dos ataques de 11 de Setembro de 2001, também participava das orações na mesquita de Brixton.

Faisal, um jamaicano convertido ao Islã que estudou na Arábia Saudita, foi considerado culpado em 2003 de encorajar seus seguidores a usarem armas químicas e nucleares contra seus inimigos de outras religiões. Ele foi sentenciado a sete anos de prisão.

Ele foi deportado quatro anos depois, após as autoridades o acusarem de ter influenciado Germaine Lindsay, um dos quatro responsáveis pelos atentados em Londres de julho de 2005. Lindsay também era um jamaicano convertido ao Islã.

O nome de Faisal veio à tona mais recentemente, na investigação de Umar Farouk Abdulmutallab, o nigeriano acusado de tentar um ataque contra a Northwest Airlines.

Em uma postagem online em maio de 2005, sob o nome "farouk1986", Abdulmutallab se referiu a Faisal como sendo um clérigo ao qual dava ouvidos, segundo militares americanos e autoridades.

Em sua postagem, Abdulmutallab escreveu: "Eu achava que assim que fossem presos, ninguém mais saberia deles pelo resto de suas vidas e as chaves de suas celas seriam jogadas fora. Foi o que ouvi o xeque Faisal do Reino Unido dizer (eu soube que ele também foi preso)".

Não está claro como Faisal chegou à África, após ser deportado para a Jamaica em 2007. O jornal "The Daily Nation" citou o ministro da Imigração, Otieno Kajwang, como tendo dito que ele entrou no Quênia pela Tanzânia, usando um posto de fronteira em Lunga Lunga, que não estava conectado ao banco de dados central em Nairóbi.

Ele viajou para a Nigéria, Angola, Moçambique, Suazilândia, Maláui e Tanzânia antes de chegar ao Quênia, disse o jornal. Ele foi preso após participar das orações em uma mesquita.

O jornal citou Kajwang como tendo dito: "Eu já assinei sua carta de deportação e ele será enviado de volta ao seu país na primeira oportunidade. A informação que temos é que ele foi preso no Reino Unido há cinco anos por acusações ligadas ao terrorismo. Nós não o estamos deportando por ser um muçulmano".

"Nós o estamos deportando por causa de seu histórico de terrorista e pelo fato dele estar em uma lista de vigilância internacional. Nós não temos acusações contra ele, mas ele tirou proveito da situação na fronteira em Lunga Lunga para entrar no país. Ele entrou deliberadamente em nosso país por uma estrada em um posto da fronteira não ligado ao nosso sistema de computadores", disse o ministro.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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