UOL Notícias Internacional
 

15/01/2010

EUA aprovam treinamento para expandir o exército afegão

The New York Times
Rod Nordland
Em Cabul (Afeganistão)
O Pentágono autorizou um aumento substancial no número de forças de segurança afegãs que planeja treinar no próximo ano, a tempo para o prazo do presidente Barack Obama para início da retirada das forças de combate americanas do país, disseram oficiais militares na quinta-feira.

Enquanto isso, um homem-bomba atacou um mercado no sul do Afeganistão, matando 20 pessoas, incluindo crianças, e oficiais da Otan informaram que 23 soldados morreram até o momento neste ano.
  • Oleg Popov/Reuters - 18.fev.2009

    Soldado norte-americano em patrulha no campo de refugiados de Khas Kunar (Afeganistão)

As novas metas de treinamento aumentariam o tamanho do exército afegão de seus atuais 102.400 homens para 171.600 até outubro de 2011, segundo o general William B. Caldwell 4º, o oficial americano que comanda a missão de treinamento da Otan no Afeganistão.

Falando a um grupo de cadetes do Exército Nacional Afegão na quinta-feira, Caldwell disse que o Pentágono decidiu aumentar seus compromissos de treinamento em uma reunião na noite anterior, em Washington.

"As forças da coalizão desejam aumentar as forças afegãs", disse Caldwell aos cadetes, em resposta a uma pergunta de um deles sobre se a coalizão não deveria transferir mais responsabilidades às forças afegãs.

"Nós queremos fazer exatamente o que você está dizendo", ele respondeu. "Nós estamos aqui como convidados do Afeganistão. Nós queremos apoiar seu exército para que assuma o controle."

O Exército Nacional Afegão já está planejando aumentar seu tamanho para 134 mil homens até 31 de outubro deste ano, disse Caldwell. Atualmente, há um recorde de 18 mil novos recrutas em treinamento, encorajados pelos aumentos salariais de até 30%. Os recrutas se submetem a um curso de oito meses dado pela Otan. O Pentágono decidiu na quarta-feira aumentar ainda mais o tamanho do exército, para 171.600 até outubro de 2011. Além disso, as forças policiais afegãs, que atualmente somam 96.800 homens, aumentaria para 109 mil neste ano, e os oficiais americanos esperam um aumento adicional para 134 mil no ano seguinte, disse Caldwell.
  • Saul Loeb/Reuters - 29.out.2009

    O presidente norte-americano, Barack Obama, e o sargento, Dale R. Griffin, na base aérea de Dover, durante a chegada dos corpos de 18 soldados dos EUA mortos no Afeganistão



As metas anteriores eram de aumentar as forças afegãs para 159 mil soldados e 123 mil policiais até 2011.

O orçamento proposto pelas forças armadas americanas para treinamento das forças afegãs atualmente é de US$ 11,6 bilhões para o ano fiscal de 2011, e a despesa com o aumento de pessoal sairia dele, segundo o coronel Gregory T. Breazile, do Corpo de Marines dos Estados Unidos, um porta-voz da Missão de Treinamento da Otan no Afeganistão. "Nós temos falado sobre esses números há algum tempo, mas só obtivemos a aprovação na noite passada", disse Breazile, se referindo à reunião no Pentágono.

Obama ordenou o envio de 30 mil soldados adicionais ao Afeganistão até meados deste ano, o que elevaria a força das tropas dos Estados Unidos para cerca de 100 mil. Com outras contribuições da coalizão, cujo aumento também é esperado, apesar de que em um ritmo mais lento, isso elevaria a força total das tropas da Otan para pelo menos 145 mil até o final de 2010. Em comparação, a força americana no Iraque já caiu para menos de 140 mil e deverá chegar a 50 mil em agosto.
  • Pete Souza/EFE

    O general Stanley McChrystal, comandante das forças dos EUA e dos aliados no Afeganistão, em reunião com Barack Obama, na Casa Branca, em Washington, Estados Unidos


Os militares americanos projetam um aumento do exército e das forças policiais afegãs para 400 mil até 2013, disse Breazile, mas ele acrescentou que o crescimento poderia não ser necessário. "Tudo se baseia nas condições", ele disse. "Se precisarem, nós podemos fazê-lo."

O ataque no mercado na quinta-feira ocorreu no distrito de Dehrawood, na província de Oruzgan no sul, matando 20 civis e ferindo 13, segundo o comandante de batalhão do Exército Nacional Afegão, o general Abdul Hamid. Um número não especificado das vítimas era de crianças, ele disse. O governador local, Asadullah Hamdam, disse que aparentemente não havia objetivo militar ou do governo para o homem-bomba, diferente de ataques suicidas anteriores.

"Isso mostra que esses terroristas não têm conhecimento nenhum dos valores do Islã", disse o presidente Hamid Karzai, em uma declaração divulgada por seu porta-voz.

O número de mortos no país entre as forças da coalizão neste mês de janeiro já subiu para pelo menos 23, todos em atos hostis, segundo a icasualties.org, uma organização independente que monitora as baixas militares, e relatos dos oficiais militares da Otan. Em comparação, 25 morreram em todo o mês de janeiro de 2009. Dentre as 21 mortes em atos hostis neste mês, 14 eram americanos, dois britânicos, dois franceses e um espanhol, além de dois outros cujas nacionalidades ainda não foram reveladas.

A mais recente morte foi de um soldado americano morto por um artefato explosivo improvisado, na quinta-feira no sul do Afeganistão, disseram as forças armadas americanas em um boletim de imprensa.

Na quarta-feira, quatro soldados americanos e um soldado da Otan foram mortos em quatro episódios, segundo informes da sede da Força de Segurança e Assistência Internacional (ISAF) da Otan, em Cabul.

Dois dos americanos foram mortos por uma bomba de estrada no leste do Afeganistão, disse a força internacional, e um americano morreu em outro ataque com bomba no sul do Afeganistão. Além disso, um soldado americano foi morto em uma troca de tiros com insurgentes no leste do Afeganistão. O soldado da Otan, que foi identificado como sendo francês, morreu por causa de uma bomba de estrada no leste do Afeganistão.

Na terça-feira, dois soldados americanos morreram com uma bomba de estrada no leste do Afeganistão. E na segunda-feira, sete soldados da Otan morreram, incluindo três americanos mortos na província de Helmand, no sul do Afeganistão, e dois soldados franceses, mortos no leste. Um soldado britânicos também morreu em Helmand. A nacionalidade da sétima baixa ainda não foi revelada.

O comandante do Taleban disse que um insurgente matou cinco soldados americanos em Shah Wali Kot, na província de Kandahar, no sul, na segunda-feira. Mas um porta-voz da força internacional no Afeganistão, o tenente-coronel Edward Sholtis da Força Aérea dos Estados Unidos, disse que esse ataque não ocorreu.

Além disso, na quinta-feira, um homem-bomba em Musa Qala, em Helmand, atacou uma patrulha policial no mercado, mas não matou ninguém, segundo o mulá Salam, o governador do distrito. Um policial e quatro civis ficaram feridos na explosão, ele disse. Uma declaração da força internacional, entretanto, disse que um policial foi morto e cinco ficaram feridos, quatro deles policiais.

Na província de Khost, uma bomba de estrada foi detonada, matando um operário de construção de estrada e ferindo outro. Um porta-voz do Taleban reivindicou a autoria, aumentando o número de mortos para três.

Taimoor Shah, em Kandahar, Afeganistão, e funcionários afegãos do "The New York Times", nas províncias de Helmand e Khost, contribuíram com reportagem.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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