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24/01/2010 -

Segurança à frente? Prepare a paciência

The New York Times
Michelle Higgins
Desde que a Administração de Segurança nos Transportes (TSA, na sigla em inglês) começou a endurecer a segurança em resposta à tentativa de atentado no Natal, os viajantes têm enfrentado revistas cada vez mais rigorosas nos aeroportos. Eles são forçados a lidar com checagens adicionais de bagagem, análise mais minuciosa de sua identificação e revistas corporais que incluem crianças tanto quanto os adultos.

As novas medidas se somam ao processo árduo já familiar para qualquer viajante regular: o ritual de entrega de calçados, jaquetas, cintos, relógios, laptops, celulares e chaves. Mas são as inconsistências nas medidas de segurança -de um país para outro, de uma companhia área para outra, de um aeroporto para outro- que deixam muitos passageiros irritados e confusos. Alguns dizem que encontraram a rotina normal, enquanto outros dizem ter passado por múltiplas revistas em várias etapas do itinerário, principalmente nos voos internacionais com destino aos Estados Unidos.

Em um voo que retornava da República Dominicana no início de janeiro, Carol Moon Goldberg, uma advogada aposentada de Elk Grove, Califórnia, e sua família passaram pela rotina habitual na barreira de segurança. Então, no portão, seus passaportes foram verificados uma segunda vez, eles foram revistados e sua bagagem de mão foi aberta e verificada. As lâminas de barbear da família foram confiscadas antes que fossem autorizados a embarcar, ela disse.

Ao chegar em Atlanta, a família, como quase todos os viajantes internacionais, tiveram que pegar sua bagagem, liberá-la e passar de novo pela segurança para a próxima etapa de seu voo. "Nós quase perdemos nossa conexão por causa da espera de duas horas", ela disse. O conselho dela: "Prepare-se para ser paciente".

Mais mudanças são esperadas nos aeroportos por todo o mundo à medida que os governos exploram novas tecnologias de segurança, como os muito debatidos scanners de corpo inteiro, que em breve serão usados em mais aeroportos americanos. Os passageiros que viajam dentro dos Estados Unidos poderão perceber um aumento das revistas aleatórias, agentes de detecção de comportamento que procuram por sinais de que os passageiros podem estar escondendo algo, e um maior uso de ferramentas, como aparelhos de detecção de vestígios de explosivos, não apenas na barreira de segurança, mas por todo o aeroporto.

Para os passageiros, isso significa lidar com uma rotina de segurança mutante e onerosa, repleta de preocupações de privacidade. Mas os viajantes formam um público resistente e já estão se adaptando às novas realidades. Aqui estão várias coisas que você pode fazer para lidar com as novas medidas.

Aprenda seus direitos
Segundo as regras da TSA, os viajantes podem requisitar uma área privada para revista, que poderia ser uma sala separada ou uma área fora da vista do público em geral. Você também pode pedir por um agente de segurança do mesmo sexo, apesar de que você poderá ter que esperar caso um não esteja prontamente disponível.

Os passageiros que não quiserem passar pelo detector de metal por motivos religiosos ou culturais podem pedir uma revista manual como alternativa. Lenços de cabeça e chapéus, sejam religiosos ou não, também são permitidos, apesar de estarem sujeitos à revista manual ou à remoção para uma área privada de revista.

Tenha cuidado ao fazer as malas
Itens inocentes podem parecer ameaças potenciais em uma imagem de raio X, simplesmente pela forma como estão guardados. Enrolar cabos soltos de fones de ouvido e celulares para que sua bagagem não pareça um emaranhado suspeito de cabos pode ajudar a acelerar a revista, por exemplo.

Seja franco
Não tente esconder objetos que podem ser marcados para uma segunda revista. Jami Counter, diretor da TripAdvisor Flights, um ferramenta de pesquisa online de voos, levava um sabonete Kiehl, um presente que tinha recebido, quando voltava de Atlanta para Nova York. Ele suspeitou que a densidade do sabonete o tornaria difícil de identificar na máquina de raio X, então ele o deixou na parte superior da bagagem.

De fato um agente pediu para revistar sua bagagem, mas a posição do sabonete ajudou a acelerar o processo. "Assim que ele abriu a mala e viu o sabonete, acabou", disse Counter. "Ele não teve que revirar toda a mala."

Vista-se para a ocasião
Calçados fáceis de por e tirar, calças sem cinto e sutiãs sem armação já são comuns entre os viajantes. Agora, empreendedores atentos estão oferecendo novos produtos para ajudar a facilitar o processo de segurança. Scott Jordan, um ex-advogado corporativo em Chicago, inventou a jaqueta Scottevest há 10 anos para transportar e organizar todos os seus aparelhos. Recentemente ele a reposicionou para viajantes, como uma forma de evitar a tarefa tediosa de esvaziar os bolsos para a segurança. A jaqueta com 22 bolsos, US$ 100 (cerca de R$ 180), pode servir como uma espécie de bagagem de mão para seu iPod, celular, óculos, carteira, trocados, chaves e outros itens. Ela pode ser particularmente útil agora que algumas companhias aéreas estão exigindo que os passageiros permaneçam sentados durante a última hora do voo, sem acesso à bagagem de mão no alto.

No final do ano, disse Jordan, ele planeja lançar um sobretudo capaz de guardar uma muda de roupas e um laptop nos seus bolsos. Após passar pelo raio X, o sobretudo se transformaria facilmente em uma bolsa, podendo ser facilmente carregada e guardada no avião.

Outra opção: a Runnur, rotulada como uma alternativa moderna à temida pochete, que é vestida como uma bandoleira e que oferece vários bolsos onde é possível guardar suas coisas. Preço: US$ 34 (cerca de R$ 61) na www.gorunnur.com.

Use a bolsa especial para laptop
Essas bolsas boas para revista oferecem uma imagem de raio X clara e desobstruída do laptop, permitindo aos viajantes manter os computadores em seus cases na segurança do aeroporto. Isso elimina o incômodo de ter de desembalar o laptop e depois ter de guardá-lo de novo no final da esteira. A eBags.com vende 112 modelos que variam de uma sacola Netpack de US$ 30 (cerca de R$ 54) até um case Tumi de US$ 595 (cerca de R$ 1070).

Prepare as crianças
Algumas das medidas de segurança que mais têm irritado os pais que veem seus filhos sendo revistados ou interrogados pelos agentes. "As crianças que são selecionadas para uma segunda revista na barreira de segurança ou no portão de embarque podem estar sendo separadas de seus pais pela primeira vez, ou ficarem sujeitas ao que podem perceber como sendo um comportamento impróprio", disse Kyle McCarthy, editor da FamilyTravelForum.com. Explicar antecipadamente para as crianças o que poderão encontrar pode ajudar a evitar choradeira no aeroporto. A TSA oferece um vídeo "Kids to Kids" no endereço tsa.gov/travelers que conduz as crianças por todos os procedimentos de segurança, desde a remoção de calçados e cosméticos até passar pelo detector de metais.

Peça explicação
Quando Patricia Grey, 58 anos, de Andorra, no sul da Europa, foi selecionada pela segurança. Ela perguntou educadamente ao agente por que ela foi escolhida, para que evitasse uma repetição do incidente. No ano passado, antes de um voo de Las Vegas para Park City, Utah, ela foi informada que a sacola plástica que guardava sua maquiagem líquida apresentava um depósito de substâncias. "Aparentemente, quando ela foi revistada anteriormente, o scanner deixou um resíduo", ela disse. "Logo, sempre use um saco Ziploc novo para sua maquiagem."

Siga as regras
Pode soar simples, mas qualquer um que já esteve em um aeroporto recentemente sabe com que frequência isso é ignorado. Os calçados precisam ser colocados na esteira de raio X, e não em uma cesta, para ajudar os agentes de segurança a terem uma boa visão deles. Líquidos, aerossóis ou géis devem estar contidos em frascos com não mais que 100 ml em uma bolsa plástica transparentes com fecho hermético. Uma lista dos itens proibidos pode ser encontrada em www.tsa.gov/travelers.

Cooperação é chave
"Realmente funciona para ambos os lados", disse Jurgen W. Shulze, um perito de seguros de Milford, Pensilvânia, que recentemente voltou da Alemanha para os Estados Unidos. "Se alguns passageiros estivessem mais bem preparados para um voo, em vez de chegarem ao aeroporto com postura beligerante, e se alguns dos seguranças fossem mais sensíveis com as questões de privacidade, todo o processo poderia ser mais rápido."

Tradução: George El Khouri Andolfato

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