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27/02/2010

Stents são tão eficazes quanto a cirurgia para prevenir derrames, diz estudo

The New York Times
Roni Caryn Rabin
  • Equipe médica norte-americana durante operação para a colocação de um stent em um paciente; pesquisadores dizem que procedimento é eficaz na prevenção de derrames

    Equipe médica norte-americana durante operação para a colocação de um stent em um paciente; pesquisadores dizem que procedimento é eficaz na prevenção de derrames

Cirurgia para artérias bloqueadas no pescoço já era há muito considerado o melhor procedimento para prevenir um derrame. Agora, um grande estudo norte-americano apontou que uma abordagem menos invasiva pode ser tão segura e eficaz, mas outros pesquisadores não estão tão certos.

Os resultados, divulgados na sexta-feira em um encontro médico em San Antonio, tem o potencial de tornar o procedimento menos invasivo –a inserção de um pequeno tubo chamado stent na artéria carótida– em uma opção mais atraente para muitos pacientes.

Mas um dia antes, investigadores europeus informaram resultados deploráveis de outro teste internacional envolvendo stents de carótida, publicado online na quinta-feira pelo jornal médico britânico “The Lancet”.

Nesse estudo, os pacientes tratados com stents sofreram quase o dobro da taxa de complicações do que aqueles tratados cirurgicamente, levando os pesquisadores britânicos a concluírem que o tratamento cirúrgico de bloqueios na carótida, chamado endarterectomia, permanece o tratamento preferencial.

Os resultados divergentes –que poderiam ajudar a determinar uma expansão da cobertura do Medicare (o seguro saúde público americano para idosos e inválidos) para cobrir o procedimento de stent– deixaram os cientistas tentando explicar por que dois testes clínicos razoavelmente semelhantes apresentaram conclusões tão díspares.

“Nós tivemos resultados excelentes, e nosso estudo, nós achamos, é representativo desses tratamentos nos Estados Unidos e Canadá”, disse o dr. Thomas G. Brott, diretor de pesquisa do campus da Clínica Mayo, em Jacksonville, Flórida, e principal autor do estudo norte-americano, chamado Crest (sigla em inglês para endarterectomia carotídea contra teste de stent). “Antes do teste Crest, nós realmente não contávamos com boas evidências, mas esses resultados indicam que nós temos dois métodos muito seguros e eficazes de impedir derrames.”

Apesar de existir diferenças de risco entre os dois procedimentos e variações individuais, ele disse, “os resultados com os stents são muito semelhantes aos da cirurgia carotídea”.

Mas o dr. Martin M. Brown, investigador chefe do teste europeu, o Estudo Internacional de Stents de Carótida, disse que apesar de diferenças nos grupos estudados poderem explicar os resultados díspares, “ninguém realmente mostrou que o stent é melhor do que a cirurgia, então por que escolher o stent?”

Brown acrescentou: “Mesmo se o Crest mostra pouca diferença entre os dois, há três outros testes que sugerem que a cirurgia é mais segura”.

  • Angel Franco/New York Times Photo

    Cirurgião segura modelos de stents durante operação em hospital nos Estados Unidos

Derrames são a terceira principal causa de morte nos Estados Unidos e uma grande causa de invalidez entre os adultos. A cada ano, quase 800 mil americanos sofrem um derrame e mais de 140 mil morrem.

Apesar de muitos pacientes tomarem medicamentos como estatinas e outros para pressão sanguínea para reduzir seu risco de derrame, o tratamento cirúrgico de bloqueios severos na artéria carótida mostrou ser mais eficaz do que apenas uma terapia medicinal na prevenção de derrames isquêmicos causados pelo acúmulo de placa nas artérias.

O teste Crest, financiado pelo Instituto Nacional de Desordens Neurológicas e Derrame e com financiamento adicional da fabricante de stents, Abbott Vascular, é um dos maiores testes clínicos aleatórios a estudar dois importantes procedimentos utilizados para abrir artérias de pescoço bloqueadas e restaurar o fluxo sanguíneo ao cérebro.

Ele incluiu 2.052 pacientes em mais de 100 hospitais nos Estados Unidos e Canadá, que foram divididos aleatoriamente para receber ou cirurgia ou o stent ao longo de um período de nove anos. A maioria dos pacientes tinha um bloqueio de artéria maior que 70%. O teste incluiu pacientes que sofreram de derrame ou de um miniderrame, assim como aqueles sem sintomas.

O índice de mortalidade no teste foi muito baixo, mas os riscos variavam, dependendo do procedimento. No primeiro mês após o procedimento, 4,1% dos pacientes com stent sofreram um derrame, em comparação a 2,3% dos pacientes de cirurgia. Mas os pacientes de cirurgia tinham risco maior de ataque cardíaco, com 2,3% sofrendo um ataque cardíaco nos primeiros 30 dias, em comparação a 1,1% dos pacientes com stent. Os derrames tiveram um impacto maior na qualidade de vida do paciente, informou o estudo.

Pacientes mais jovens –aqueles com menos de 70 anos– apresentaram resultados melhores com o stent, enquanto pacientes mais velhos tiveram melhores resultados com a cirurgia, apontou o estudo.

O acompanhamento a longo prazo dos pacientes, que foi em média de dois anos e meio, mas prossegue, apontou que ambos os grupos tinham risco igual de sofrer um derrame que deveria ser impedido pelo procedimento: 2% entre aqueles do grupo com stent em comparação a 2,4% entre os pacientes de cirurgia.

O teste europeu, que incluiu 1.713 pacientes divididos aleatoriamente entre o stent ou a endarterectomia, apontou que os pacientes com stent sofriam risco muito maior de derrame, morte ou ataque cardíaco nos primeiros 30 dias após a cirurgia, com 7,4% sofrendo um desses eventos adversos, em comparação a 4% do grupo submetido ao procedimento cirúrgico.

Entre as possíveis explicações oferecidas para as disparidades estão a de que o estudo europeu incluiu apenas pacientes com sintomas, que podem sofrer de uma doença mais avançada, e que o teste norte-americano selecionou cuidadosamente os médicos para realização do procedimento de stent, incluindo apenas médicos altamente capacitados e com muita experiência.

O dr. Walter J. Koroshetz, vice-diretor do instituto que financiou o teste norte-americano, disse que o teste Crest foi o primeiro no qual os resultados do uso do stent e da cirurgia foram apontados como equivalentes –sugerindo que o procedimento com stent melhorou com o passar do tempo.

A mensagem mais importante é de que a taxa geral de mortalidade foi extremamente baixa, de 0,6%, disse um dos principais investigadores do estudo, o dr. Gary S. Roubin, presidente de medicina cardiovascular do Hospital Lenox Hill, em Nova York.

“O que esse teste fez sem dúvida”, ele disse, “é mostrar que na América do Norte, com cirurgiões e médicos altamente capacitados realizando o procedimento de stent, os resultados foram extremamente seguros”.

 

 

Tradução: George El Khouri Andolfato

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