UOL Notícias Internacional
 

06/03/2010

No dia final da campanha, os líderes iraquianos avaliam os seus ganhos

The New York Times
Steven Lee Myers e Marc Santora
Em Bagdá (Iraque)
  • Premiê iraquiano, Nouri al Maliki

    Premiê iraquiano, Nouri al Maliki

O primeiro-ministro Nouri Kamal al Maliki usou o último dia da campanha eleitoral do Iraque, na sexta-feira (05/03), para defender de forma detalhada e por vezes combativa a sua reeleição para um cargo que ele admitiu que poderia perder.

Ele defendeu os sucessos do seu governo, embora tenha reconhecido as suas falhas. Al Maliki criticou membros do parlamento, chamando-os de criadores de caso, intrigantes e ineficientes, e até mesmo, em certos casos, de simpatizantes dos militantes. Ele pediu de forma quase melancólica aos iraquianos que estes avaliassem o quanto o país avançou em relação ao período sombrio – e pensassem na dificuldade enorme que é governar um país dividido e em estado de guerra.

“Eu gostaria de perguntar se as coisas transcorriam com tranquilidade dois anos atrás”, disse ele em uma rara e longa coletiva à imprensa. “Quero dizer que nós não alcançamos todas as metas, mas conseguimos fazer alguma coisa”.

Al-Maliki discursou dois dias antes da crucial – e cercada de ansiedade – eleição para o governo que estará no poder quando as forças norte-americanas retirarem-se do Iraque. O fato de o resultado eleitoral continuar incerto no último dia de campanha oficial talvez faça desta a batalha democrática pelo poder mais competitiva já vista no Oriente Médio.

A curta campanha eleitoral – adiada por discórdias quanto às regras e a impugnação de centenas de candidatos, e contida devido ao risco de violência contra os candidatos – pareceu alcançar o seu apogeu na sexta-feira. Houve grandes comícios em Bagdá, orações nas mesquitas de todo o país e uma série de discursos televisados dos líderes dos principais blocos políticos.

Milhares de apoiadores da principal coalizão xiita que disputa o poder com al Maliki, a Aliança Nacional Iraquiana, aglomeraram-se em frente à casa de um dos seus líderes, Ammar al-Hakim, chefe de uma reverenciada família religiosa e política e líder do Conselho Islâmico Supremo do Iraque.

Embora ele próprio não seja candidato, Hakim fez um sermão durante aquilo que até agora foi de fato o maior comício da campanha. O índice de comparecimento no local, bem como em mesquitas em todo o país na última sexta-feira de orações que antecedeu a eleição, evidenciou a força dos xiitas do país.

“Precisamos dos clérigos porque o povo iraquiano necessita de direção”, afirmou Jassim Jabbar, que participou do comício, um evento realizado ao ar livre, à sombra da ponte de dois andares sobre o Rio Tigre e que conduz ao bairro de Jadriya. “Quero ver os partidos políticos controlando o governo”.

Hakim disse à multidão que os eleitores têm a obrigação religiosa de votar e fez um apelo populista no qual criticou al Maliki, afirmando que ele é um líder que não entende as necessidades do país.

“Nós não precisamos de um homem forte”, afirmou Hakim, em uma frase que evocou a era de Saddam Hussein e as acusações mais recentes feitas contra al Maliki. “Precisamos de milhares de homens fortes que formem um governo justo, honesto e modesto”.

Um dia depois de uma série de ataques contra locais de votação que foram abertos antecipadamente para permitir que soldados e policiais votassem, e que resultaram na morte de pelo menos 12 pessoas em Bagdá, na sexta-feira não houve nenhum relato de violência significativa.

As autoridades eleitorais iraquianas anunciaram que o índice de comparecimento às urnas na eleição antecipada chegou a 59%. O índice mais alto, de 87%, foi registrado em Erbil, uma das três províncias curdas, e o mais baixo na metade oeste de Bagdá, onde ocorreram dois dos ataques da quinta-feira. Naquela região, apenas 42% dos eleitores votaram.

O principal grupo militante, o Estado Islâmico do Iraque, jurou que vai atrapalhar a eleição, e o baixo índice de comparecimento aqui em Bagdá indica que a violência poderá assustar os eleitores, afastando-os das urnas.

Os iraquianos que vivem no exterior, muitos por temerem a violência, também começaram a votar na sexta-feira em 16 países, incluindo os Estados Unidos.

Ayad Allawi, um primeiro-ministro interino que lidera a mais importante coalizão que tenta retirar al Maliki do cargo, fez a sua própria coletiva à imprensa para reclamar de irregularidades na votação antecipada. Ele também criticou aquilo que chamou de uma campanha do governo contra os membros do seu bloco, chamado de Iraqiya. Ele advertiu que se os problemas persistirem até o domingo, os resultados da eleição poderão ser considerados ilegítimos.

“O Iraque será jogado de volta em uma violência grave”, alertou ele.

Após reunir-se com jornalistas depois de um almoço no seu gabinete que consistiu de carne de cordeiro, peixe assado e arroz, al Maliki respondeu a doze questões que abordaram vários tópicos, desde à corrupção até à incapacidade do parlamento de aprovar leis.

Ele defendeu o acordo de segurança com os Estados Unidos que estabeleceu um prazo para a retirada das tropas norte-americanas – algo que os políticos daqui atacam com frequência –, afirmando que trata-se de um tratado transparente, ao contrário daqueles – observou ele provocativamente – que regulam a presença militar norte-americana em seis outros países árabes. Ele prosseguiu, afirmando que uma eventual renegociação do acordo no sentido de permitir que alguns soldados norte-americanos permaneçam no país após 2011 será deixada para o próximo governo.

Quando lhe perguntaram se a invasão do país pelos norte-americanos em 2003 foi benéfica, ele respondeu que “não há dúvida quanto a isso”, já que ela acabou com o governo repressor de Saddam Hussein.

Embora não se espere que nenhuma coalizão obtenha uma vitória que possibilite uma maioria das cadeiras no parlamento, al Maliki indicou que está aberto à criação de um governo de coalizão. “Isto é democracia”, disse ele. “Isto é democracia”.

Mesmo ao enumerar os sucessos do seu governo, ponteado de fracassos, ele reconheceu que a sua reeleição não é uma certeza. “Esta pode ser a última vez que eu converso com você”, disse ele a jornalistas que encontravam-se à sua frente.

Tradução: UOL

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