UOL Notícias Internacional
 

08/03/2010

China culpa os EUA por desgaste nas relações entre os dois países

The New York Times
Michael Wines
Beijing (China)

A culpa pelos atritos na relação entre a China e os EUA “não é da China”, e cabe aos Estados Unidos tomarem atitudes para reparar os laços desgastados, repetiu o ministro de Exterior da China no domingo. 

O ministro, Yang Jiechi, disse numa coletiva de imprensa que o governo do presidente Barack Obama perturbou seriamente o relacionamento ao anunciar a venda de armas para Taiwan e ao receber na Casa Branca o Dalai Lama, líder espiritual do Tibete, tudo isso no espaço de três semanas este ano. 

  • Official White House Photo by Pete Souza

    O presidente norte-americano Barack Obama recebe o líder espiritual tibetano Dalai Lama na Casa Branca, em Washington (EUA), no último dia 18 de fevereiro de 2010. A visita do líder tibetano azedou ainda mais as relações diplomáticas entre os dois países

A China suspendeu as trocas militares com Washington e ameaçou outras represálias depois das ações dos EUA. Funcionários norte-americanos expressaram sua frustração com as políticas comerciais da China, incluindo a recusa em revalorizar sua moeda, e com a relutância de Beijing em pressionar o Irã para submeter seu programa nuclear à inspeção internacional. 

Yang reafirmou essa relutância no domingo, dizendo que a diplomacia com o Irã é um caminho melhor do que as sanções.

Dois altos funcionários norte-americanos visitaram Beijing na semana passada para dialogar sobre o relacionamento entre os dois países, num movimento que o porta-voz do Departamento de Estado chamou de uma tentativa para “voltar ao normal o mais rápido possível”. Mas os funcionários chineses ainda têm de amenizar suas críticas públicas contra as políticas norte-americanas. 

Falando aos jornalistas no Congresso Nacional do Povo, o legislativo chinês não eleito, Yang não disse se a visita resultou em progresso para a melhoria das relações. Segundo ele, os funcionários chineses reclamaram que as ações norte-americanas violaram os termos dos anúncios oficiais e de uma declaração conjunta que as duas nações fizeram durante a visita de Obama a Beijing em novembro passado. 

Depois de décadas de relações diplomáticas comparativamente tranquilas, a China tem tomado posições cada vez mais fortes nas relações com os Estados Unidos e em assuntos econômicos e ambientais globais. Muitos analistas dizem que a mudança não se deve apenas à repentina ascensão da China enquanto potência econômica depois da crise financeira, mas também a assuntos de política interna. 

O Partido Comunista no governo escolherá os sucessores do presidente Hu Jintao e do primeiro-ministro Wen Jiabao em 2012. Na disputa para escolher novos líderes, dizem os analistas, não há muito incentivo para assumir posições que os rivais poderiam criticar como fracas. 

Yang disse, entretanto, que a China não estava sendo dura desnecessariamente, mas simplesmente protegendo seus interesses fundamentais. “Nós nos atemos aos nossos princípios, o que é bem diferente de ser duro”, disse Yang segundo a agência de notícias oficial Xinhua. 

Yang reiterou a antiga oposição da China ao estabelecimento de mais sanções econômicas contra o governo do Irã por conta da recusa do país em permitir que os inspetores internacionais monitorem seu programa nuclear. A China é considerada o principal empecilho contra as sanções entre os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. 

“Não achamos que os esforços diplomáticas tenham sido exauridos”, diz Yang.

Tradução: Eloise De Vylder

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,31
    3,266
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,60
    62.662,48
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host