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17/03/2010

Gigantes farmacêuticas ficam para trás apesar do boom das vendas, diz estudo

The New York Times
Natasha Singer

As principais empresas farmacêuticas precisam agir rapidamente para se adaptarem a uma nova ordem mundial, na qual alguns mercados emergentes deverão superar alguns mercados nacionais estabelecidos em vendas de medicamentos, segundo um relatório divulgado na terça-feira. 

No próximo ano, previu o relatório, as vendas de medicamentos na China ultrapassarão as da França e da Alemanha, enquanto o Brasil comprará mais medicamentos do que o Reino Unido. O relatório foi divulgado pela IMS Health, uma empresa de pesquisa com sede em Norwalk, Connecticut, que monitora receitas médicas e outros dados sobre vendas de medicamentos. 

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A menos que os atuais líderes mundiais em medicamentos de marca atuem de forma mais ágil para se expandirem nesses mercados emergentes, eles perderão as grandes oportunidades de crescimento e cederão esses mercados para empresas locais, disse o relatório. 

O crescimento anual das vendas de produtos farmacêuticos em mercados maduros como os Estados Unidos e Europa Ocidental diminuiu para a faixa baixa de um único dígito nos últimos oito anos. A desaceleração é resultado da crise econômica mundial, mas também da expiração das patentes de vários medicamentos de marca, uso crescente de genéricos, investimento reduzido em biotecnologia e restrições mais severas do governo no mercado farmacêutico, disse o relatório. 

O mercado americano de medicamentos apresentou vendas no ano passado de cerca de US$ 300 bilhões, com uma taxa de crescimento anual de 5%, disse a IMS. E mesmo se o Congresso aprovar a lei de reforma da saúde, que, segundo um recente relatório do Credit Suisse, poderia aumentar as vendas de medicamentos em US$ 10,7 bilhões, o impacto sobre a taxa de crescimento seria mínimo. 

Em comparação, disse a IMS, 17 mercados emergentes deverão apresentar crescimento significativo. O relatório agrupou os países, que a IMS chamou de “mercados farmacêuticos emergentes”, em três faixas em ordem decrescente de aumento do valor de mercado. A China ocupa sozinha a faixa superior. A segunda faixa compreende o Brasil, Rússia e Índia, enquanto a terceira inclui a Venezuela, Polônia, Argentina, Turquia e México. 

No ano passado, esses países representaram US$ 123 bilhões –cerca de 16%– dos mais de US$ 770 bilhões em vendas globais de medicamentos, disse a IMS. As vendas nos mercados emergentes representaram 37% do crescimento do setor. 

Em 2013, a estimativa é de que esses mesmos países serão responsáveis por US$ 90 bilhões adicionais em vendas e representarão 48% do crescimento da indústria, disse o relatório. No geral, os mercados emergentes representarão cerca de 21% das vendas totais de medicamentos em 2013, disseram executivos da IMS em uma entrevista. 

Ela estima que a China, a líder entre os mercados emergentes, seria responsável por US$ 40 bilhões em vendas adicionais em 2013. “Essas economias tradicionalmente periféricas estão se preparando para virar a mesa na ordem mundial farmacêutica estabelecida”, disse o relatório. 

Certamente, mercados desenvolvidos como os Estados Unidos e o Japão ainda representam a grande maioria das vendas farmacêuticas. Mesmo assim, o relatório pede aos principais fabricantes de medicamentos que atuem com maior rapidez para se estabelecerem nos mercados emergentes com alto crescimento, onde já enfrentam a concorrência de fabricantes domésticos entrincheirados e com marcas estabelecidas. 

Alguns poucos laboratórios europeus, como a Novartis, Sanofi-Aventis e GlaxoSmithKline, estão avançando por meio da aquisição de empresas locais ou aumentando suas parcerias locais nesses países –ou por meio de grandes investimentos em pesquisa e desenvolvimento nos mercados em desenvolvimento. 

Mas, no geral, as principais companhias farmacêuticas estão apresentando um desempenho abaixo do esperado nos mercados emergentes. As 15 maiores companhias farmacêuticas, incluindo Pfizer, Merck e Eli Lilly, juntas extraem menos de 10% de suas vendas dos mercados emergentes, disse a IMS. 

Para desenvolver negócios lucrativos nesses países, as companhias farmacêuticas precisam adaptar suas abordagens às dinâmicas específicas e desafios de cada mercado, disse Murray Aitken, um vice-presidente sênior da IMS, em uma entrevista na terça-feira. Alguns mercados emergentes para produtos farmacêuticos foram atingidos de forma particularmente dura pela crise econômica mundial, ele disse. 

“Na Romênia, a situação é muito ruim”, disse Aitken. “A Turquia está em más condições.” 

Ele acrescentou: “Bem-vindos às realidades de realizar negócios em ambientes desse tipo”.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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