UOL Notícias Internacional
 

23/03/2010

Lições para Barack Obama na luta pela aprovação da reforma da saúde

The New York Times
Sheryl Gay Stolberg
Em Washington (EUA)
  • O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, cumprimenta parlamentadores pouco antes da votação histórica que aprovou a reforma da Saúde no país

    O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, cumprimenta parlamentadores pouco antes da votação histórica que aprovou a reforma da Saúde no país

Entre as muitas lições que os democratas aprenderam com o avanço difícil de 14 meses do presidente Barack Obama pelo corrosivo debate da saúde do país é que há duas formas para um presidente agir na hiperpartidária Washington. Uma é pensar pequeno e conseguir a parceria do lado adversário. A outra é pensar grande e agir sozinho. 

Obama optou pela segunda na reforma da saúde e saiu vitorioso. A pergunta é, será que conseguirá fazer isso de novo? 

O presidente estabeleceu uma agenda doméstica ambiciosa. Ele deseja reformar a regulamentação do sistema financeiro, com os democratas dando início à tramitação do projeto no Senado na segunda-feira. Ele também quer alterar o pacote de educação de seu antecessor, aprovar uma legislação sobre a mudança climática e reformar as leis de imigração. A vitória de domingo claramente encorajou os democratas e aumentou as expectativas para Obama. 

Mas o paradoxo da votação da reforma da saúde é que, apesar de Obama ter obtido uma muito necessária infusão de capital político, isso pode não ajudá-lo a promover sua agenda no Capitólio. 

“Eu acho que a lição, especialmente após a disputa pela cadeira no Senado em Massachusetts, apesar de soar piegas, foi: ‘Não se deixe intimidar, não se deixe desencorajar’”, disse o deputado Chris Van Hollen, democrata de Maryland, membro da liderança na Câmara. “Muita gente queria bater em retirada, ou dar pequenos passos para tratar de um problema muito grande.” 

Ainda assim, Van Hollen reconheceu que Obama teria que estudar sua agenda legislativa “caso a caso”. 

Os republicanos dificilmente cooperarão e o presidente perdeu a supermaioria de 60 votos no Senado, que possibilitou a aprovação da reforma da saúde. O senador John McCain, o adversário republicano do presidente na eleição de 2008 para a Casa Branca, disse na segunda-feira que a raiva era tão intensa em torno das táticas parlamentares para aprovação da reforma da saúde que Obama não deve esperar nenhuma cooperação dos republicanos. 

“Não haverá nenhuma cooperação no restante do ano”, disse McCain para uma emissora de rádio do Arizona. “Eles envenenaram o poço com o que fizeram e da forma como fizeram.” 

E os próprios democratas podem estar nervosos, disse Chris Jennings, um consultor do setor de planos de saúde que orientou o presidente Bill Clinton e que esteve no plenário da Câmara na votação na noite de domingo. 

“Toda vitória aumenta o capital; não há dúvida a respeito”, disse Jennings, apesar de ter acrescentado que pode haver pouco apetite entre os democratas no Capitólio para outra batalha igualmente brutal. “Eu duvido que ainda haja ânimo no Congresso em relação a essas grandes questões. Os membros não parecem estar animados e pedindo por outra tarefa difícil para o restante deste ano.” 

Obama também aprendeu lições. Dan Pfeiffer, o diretor de comunicações da Casa Branca, disse que o debate da reforma da saúde reafirmou uma lição da campanha presidencial de Obama: que é fundamental não se deixar distrair pelas flutuações constantes no ciclo de notícias e pela análise instantânea dos especialistas. 

“Por mais difícil que seja conseguir isso na campanha”, disse Pfeiffer, “é ainda mais difícil conseguir isso na estufa de Washington”. 

O presidente gosta de dizer que veio para Washington para resolver problemas difíceis e, em alguns aspectos, a reforma da saúde –um sonho não realizado de presidentes americanos por gerações– pode ter sido o mais difícil. Sua equipe se reuniu no domingo no Salão Roosevelt da Casa Branca enquanto a Câmara votava, explodindo em comemoração quando a contagem passou de 216, o número necessário para aprovação. 

Obama cumprimentou seu chefe de Gabinete, Rahm Emanuel. Depois, após o presidente ter falado no Salão Leste, ele convidou seus assessores para irem até a Sacada Truman para um brinde com champanhe. David Axelrod, o alto conselheiro do presidente, disse que a lição para os democratas foi “ralarmos arduamente, sermos persistentes, nos esforçamos para resolver alguns dos maiores problemas neste país”. 

O senador Sherrod Brown, democrata de Ohio, disse que a vitória já encorajou os democratas; ele previu que ela fortalecerá a mão do presidente, se não junto aos republicanos no Capitólio, então ao menos junto à população. 

“Ele venceu e o público americano gosta de sucesso”, disse Brown. 

Olhando à frente, os funcionários da Casa Branca disseram que o próximo grande esforço de Obama será a reforma da regulamentação financeira, que já foi aprovada pela Câmara e foi aprovada pelo Comitê Bancário do Senado na segunda-feira, em uma votação seguindo a divisão partidária. Os republicanos são contrários a elementos críticos do plano, especialmente o pedido de Obama pela criação de uma nova agência de proteção ao consumidor. 

Axelrod disse que espera que Obama sancione a reforma financeira ainda neste ano. Mas para que seja aprovada, Obama não poderá contar com a tática da reconciliação orçamentária, que os senadores democratas empregaram para aprovar um pacote de modificações no projeto de reforma da saúde. (Há apenas um projeto de lei de reconciliação por ano.) Isso significa que ele terá que obter o apoio de pelo menos um senador republicano. 

Para estimular essa cooperação, a Casa Branca e os democratas argumentarão, como disse Axelrod, que “não é boa política” para os republicanos “ficar ao lado dos grandes interesses financeiros contra regras de bom senso para proteção do país”. 

Van Hollen, por exemplo, disse que a obtenção da cooperação republicana não será fácil. Mas, ele disse, se referindo à reforma da saúde, “seria muito pior se não tivéssemos conseguido aprová-la”.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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