UOL Notícias Internacional
 

24/03/2010

EUA e México revisam parceria no plano de combate às drogas

The New York Times
Ginger Thompson e Marc Lacey*
Na Cidade do México (México)
  • O presidente do México, Felipe Calderón, cumprimenta a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, durante visita à residência presidencial na Cidade do México

    O presidente do México, Felipe Calderón, cumprimenta a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, durante visita à residência presidencial na Cidade do México

Em resposta à crescente sensação de que a luta liderada pelos militares do México contra os narcotraficantes não está ganhando terreno, os Estados Unidos e o México estabeleceram na terça-feira uma estratégia de combate às drogas que visa fortalecer as instituições policiais civis e reconstruir as comunidades debilitadas pela miséria e pela criminalidade. 

O plano de US$ 331 milhões esteve no centro de uma visita ao México de vários altos funcionários do governo Obama, incluindo a secretária de Estado, Hillary Rodham Clinton; o secretário de Defesa, Robert Gates; a secretária de Segurança Interna, Janet Napolitano; o almirante Mike Mullen, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas; e Dennis C. Blair, o diretor nacional de inteligência. 

A estratégia revisada não é totalmente nova. Vários funcionários envolvidos disseram que ela envolve basicamente a expansão e melhoria dos esforços já em andamento como parte da Iniciativa Mérida, iniciada pelo governo Bush há três anos. Entre outros elementos comuns, a estratégia pede por uma maior cooperação entre as agências de inteligência americanas e mexicanas, assim como por mais ajuda americana para o treinamento de policiais, juízes, promotores e defensores públicos mexicanos. 

As autoridades americanas disseram que o plano mudará o foco dos esforços de patrulhamento da fronteira, deixando de lado a construção de um muro melhor em prol da criação de sistemas que permitam que bens e pessoas sejam fiscalizados antes de chegarem aos pontos de travessia. O plano também apoiaria os programas mexicanos que visam fortalecer as associações comunitárias em cidades de fronteira atormentadas pela criminalidade e pobreza. 

A diferença mais notável entre a velha estratégia e a nova é o recuo da ajuda militar. Grande parte dos US$ 1,3 bilhão gastos sob o plano Mérida foi usado na compra de aeronaves e tecnologia da informação para as forças de segurança mexicanas. O orçamento do próximo ano não pede compra de equipamentos militares, disseram as autoridades. 

“Os Estados Unidos e o México desfrutam de um dos relacionamentos bilaterais mais estreitos entre dois países do mundo”, disse Clinton. Referindo-se ao novo plano, ela acrescentou: “Este esforço se baseia em uma responsabilidade compartilhada visando proteger nosso povo e promover a boa governança, a regra da lei e os direitos humanos”. 

Esta estratégia revisada, disseram as autoridades, primeiro seria implantada em Ciudad Juárez, uma cidade de fronteira de 1,7 milhão de pessoas e que se tornou símbolo dos esforços fracassados do governo mexicano de conter os cartéis das drogas que espalham o caos pelo país. Cerca de 3.400 pessoas foram mortas lá no ano passado, incluindo uma funcionária americana do consulado dos Estados Unidos e seu marido. Em janeiro, 15 jovens foram mortos a tiros em uma festa, em um caso de erro de identidade. 

O protesto público gerado pela violência em Ciudad Juárez forçou o presidente Felipe Calderón a aceitar que a guerra contra as drogas não pode ser vencida apenas com tropas. As autoridades americanas disseram que a mudança da estratégia não significa que perderam a fé em Calderón. Pelo contrário, disse Napolitano, ela visa mostrar que os Estados Unidos permanecem comprometidos em ajudá-lo e aos seus esforços. 

“Eu acho que o envio das forças armadas foi a decisão certa”, ela disse na manhã de terça-feira, a caminho do México. “E eu acho que foi uma decisão corajosa por parte do governo Calderón.” 

Mas, ela acrescentou, “eu acho que a estratégia não pode ser sustentada de modo apenas militar”. A atividade militar deve ser combinada com esforços civis de manutenção da lei, ela disse. 

Napolitano disse que fez várias viagens à fronteira nos últimos meses para trabalhar com as autoridades mexicanas em novas técnicas de manutenção da lei, incluindo o tipo de esforços de policiamento comunitário que reduziram significativamente os crimes violentos em Los Angeles e Chicago. 

Ela disse que a Agência de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos está trabalhando com as autoridades mexicanas na implantação dos primeiros postos alfandegários de fronteira reais do México e em ajudar a deter as cargas de armas e dinheiro que fluem dos Estados Unidos para o México. 

Nos próximos meses, disseram funcionários do Departamento de Estado, os Estados Unidos e o México abririam um centro na Cidade do México onde funcionários de ambos os países poderiam trabalhar na execução de seus esforços de combate às drogas. 

Mas expressões de compromisso por parte de autoridades americanas já foram ouvidas no México antes e é improvável que inspirem confiança entre pessoas que já viram muitas de suas ruas transformadas em zonas de combate dos cartéis. 

“Se você atinge as abelhas na colmeia, você pode matar 100, mas mil ou duas mil delas picarão você e mais surgirão”, disse José Antonio Crespo, um analista político que considera a guerra às drogas de Calderón um fracasso. 

Samuel González, um ex-promotor mexicano de combate às drogas, disse que os dois governos gastaram bilhões de dólares ao longo de três anos para combater os cartéis, com pouco resultado. 

“Não é um problema de dinheiro”, ele disse. “É um problema de instituições fracas, de fortes laços dos Estados e Municípios com o crime organizado e nossas forças policiais ligadas aos criminosos.” 

*Elisabeth Malkin e Antonio Betancourt contribuíram com reportagem.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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