UOL Notícias Internacional
 

25/03/2010

Irã é pressionado a aceitar acordo da ONU sobre urânio

The New York Times
Ellen Barry e Andrew Kramer*
Em Moscou (Rússia)
  • O presidente iraniano, Mahmud Ahmadineyad (centro), rodeado de cientistas, inaugura a primeira usina de combustível nuclear, marcando as celebrações do Dia Nuclear nacional, no Irã

    O presidente iraniano, Mahmud Ahmadineyad (centro), rodeado de cientistas, inaugura a primeira usina de combustível nuclear, marcando as celebrações do Dia Nuclear nacional, no Irã

A Rússia revelou na quarta-feira (24) que emissários russos e chineses pressionaram o governo do Irã a aceitar o plano da ONU para o enriquecimento de urânio, durante reuniões em Teerã no início deste mês, mas que o Irã se recusou, deixando “cada vez menos espaço para manobras diplomáticas”. 

“As nuvens estão se acumulando”, disse um alto funcionário do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, informando aos repórteres sob a condição de anonimato, seguindo o protocolo diplomático. Ele disse que a Rússia consideraria apoiar as sanções visando impedir a proliferação de armas nucleares, apesar de ser “contrária a sanções penalizantes voltadas não à não-proliferação, mas sim a punir o Irã, ou Deus nos livre, a fomentar a mudança de regime”. 

Na ONU, Mark Lyall Grant, o embaixador britânico, confirmou que diretores políticos dos seis países que ele consultou por telefone na quarta-feira e que a China finalmente “concordaram em tratar substancialmente do assunto”. 

Li Baodong, o novo embaixador chinês, enfatizou que a China está comprometida com o Tratado de Não-Proliferação Nuclear. “Nós consideramos muito importante manter a estabilidade e a paz no Oriente Médio”, ele disse aos repórteres, mas deixou ambíguo com que exatamente a China estava se comprometendo. 

Os comentários da autoridade russa ocorreram após a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Rodham Clinton, ter censurado a Rússia por anunciar a ativação de uma nova usina nuclear que construiu em Bushehr, no Irã, que ela disse ter atrapalhado o esforço internacional para pressionar o Irã a respeito do desenvolvimento de armas. Os comentários sugerem que a China e a Rússia –os dois países contrários entre os seis que podem aprovar sanções contra Teerã– estão sentindo elas mesmas a pressão à medida que crescem as exigências por sanções. 

Obter o apoio russo às sanções era a meta central do “reinício” por parte de Washington das relações com Moscou. Mas a Rússia há muito resiste a medidas que possam abalar seus laços com Teerã –um ponto ressaltado na semana passada quando, durante uma visita de Hillary Clinton a Moscou, o primeiro-ministro Vladimir Putin disse que o primeiro reator de Bushehr entraria em operação na metade deste ano. 

No briefing aos repórteres na quarta-feira, o funcionário do Ministério das Relações Exteriores disse que as sanções não teriam um impacto sobre a usina de construção russa. Ele também disse que o Irã possui uma capacidade tão limitada de enriquecer urânio que ele duvida que o país seja capaz de fabricar uma arma nuclear tão cedo. Mas ele disse que a Rússia tem um interesse de segurança claro em monitorar programas nucleares em todos os países próximos de suas fronteiras. 

“Eu não quero dizer que o Irã realizaria um ataque nuclear contra a Rússia, mas qualquer conflito entre um Irã nuclear e uma terceira parte teria consequências negativas devastadoras para nossos interesses de segurança e para nossos territórios vizinhos”, ele disse. 

Também na quarta-feira, a Lukoil, a maior empresa privada de petróleo da Rússia, disse estar se retirando de um campo de petróleo de médio porte no Irã, chamado Anaran, por causa das “sanções internacionais” contra o país. A Lukoil fez o anúncio em um comunicado sobre seus resultados para 2009, dizendo que as restrições aos investimentos custaram à empresa US$ 63 milhões no ano passado. 

Grigory Volchek, um porta-voz da Lukoil, não disse que sanções levaram à retirada do projeto Anaran, que inclui vários campos de petróleo. Analistas de petróleo de Moscou disseram que a Lukoil pode ter decidido aderir às sanções americanas porque a empresa é dona de uma rede de postos de gasolina nos Estados Unidos. 

Um anúncio paralelo na quarta-feira pela Gazprom, a gigante estatal de energia russa, sugeriu que as autoridades estão tentando evitar a impressão de estarem cedendo à lei americana ao realizarem negócios com terceiros. A Gazprom disse que investiria em dois blocos de desenvolvimento dentro do projeto Anaran, como informou a agência de notícias “Interfax”. 

Neil MacFarquhar, na ONU, contribuiu com reportagem.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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