UOL Notícias Internacional
 

31/03/2010

TV russa se omite na cobertura dos ataques ao metrô de Moscou

The New York Times
Michael Schwirtz
Em Moscou (Rússia)

Enquanto os moscovitas se voltavam freneticamente às principais emissoras de televisão da Rússia em busca de informação, nas primeiras horas após as mulheres-bomba terem atacado aqui, na manhã de segunda-feira, eles ficaram surpresos ao encontrar apenas a programação habitual de programas de culinária e séries policiais, além de um filme de espionagem de era soviética chamado “A Estrada”. 

Foi o pior ataque terrorista a atingir a capital russa em anos, matando 39 pessoas e interrompendo o funcionamento de uma grande parte do sistema metroviário da cidade, que atende até 10 milhões de pessoas por dia. Mas enquanto ele se desdobrava, as emissoras de TV estatais, onde a maioria dos russos busca suas notícias, se mantiveram em grande parte em silêncio. 

O Canal 1, uma das principais emissoras do governo, informou brevemente sobre os ataques às 8h30 da manhã, meia hora após a primeira explosão, mas não os mencionou novamente até o meio-dia, porque “não havia novas informações”, disse Larisa L. Krymova, uma porta-voz do canal. 

Ela disse que atualizações eram desnecessárias: “A maioria das pessoas que não são jornalistas sai de casa antes das nove da manhã. Depois disso, a maioria das pessoas que assistem TV é composta de donas de casa”. 

Em busca de informação, as pessoas se voltaram em massa para o rádio e para a Internet, que em grande parte não são censurados. 

O fracasso das emissoras estatais de TV em fornecer informação útil nas horas de incerteza após os atentados aqui enfureceu algumas pessoas. Elas acusam o Kremlin de transformar as emissoras em pouco mais que porta-vozes oficiais que hesitam em cobrir os eventos, como situações de emergência, que podem ser negativos para as autoridades. 

“Os canais de televisão federais russos sabiamente aguardaram por um sinal de cima, após terem aprendido como cobrir um evento corretamente”, disse sarcasticamente o jornal “Moskovsky Komsomolets” na terça-feira.

O jornal disse que o único canal que pareceu realizar uma cobertura competente dos atentados foi o “Russia Today”, um canal estatal de língua inglesa que oferece os pontos de vista positivos do Kremlin sobre a Rússia para o restante do mundo. 

“Este canal deve observar os padrões globais de jornalismo”, ele disse. 

Os jornais russos tendem a sofrer menos influência do governo e vários publicaram comentários na terça-feira, criticando os canais de televisão, que ao longo do dia seguinte mal alteraram sua programação. 

“Não havia necessidade de mostrar corpos ensanguentados ou algo assim, apenas dar informações –atualizações de trânsito, que morreram pessoas, que caminhos tomar, para quem telefonar”, disse Arina Borodina, uma jornalista que cobre a televisão para o jornal “Kommersant”. “Isso não tinha nada a ver com política.” 

O noticiário da televisão russa nem sempre foi assim. A certa altura, os principais canais forneciam cobertura sem censura e frequentemente sensacionalista dos desastres do país, incluindo os ataques terroristas que abalaram o país, na década após o colapso soviético. 

Mas isso teve um fim, logo após Vladimir V. Putin, o atual primeiro-ministro, ter assumido a presidência. 

Na terça-feira, os canais forneciam informações sobre a tragédia, incluindo cobertura das cerimônias memoriais em duas estações do metrô, onde centenas de pessoas se reuniram. 

Os revestimentos de mármore e porcelana marcados por estilhaços na estação de metrô Lubyanka já tinham sido substituídos e limpos. A parede de gesso furada também foi reparada e o vidro, destruído por uma bomba um dia antes, foi reparado e limpo. Assim como o sangue. 

As câmeras gravavam enquanto as autoridades, incluindo Putin e o prefeito de Moscou, Yuri M. Luzhkov, demonstravam satisfação com a resposta ao governo aos atentados. 

Mas se as realidades perturbadoras dos ataques não eram plenamente exibidas pelos canais, os passageiros que percorriam os corredores subterrâneos do metrô pareciam transmitir um quadro mais pleno. 

“O sentimento da cidade está evidente nos rostos das pessoas”, disse Maria Anzhaurova, 21 anos, uma estudante que estava na estação Lubyanka. “As pessoas olham atentamente umas às outras. Está claro que as pessoas estão com medo, com muito medo.”

Tradução: George El Khouri Andolfato

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