UOL Notícias Internacional
 

08/04/2010

Cresce a pressão com atraso da Europa para detalhar ajuda à Grécia

The New York Times
Matthew Saltmarsh e Niki Kitsantonis

Com os investidores ficando cada vez mais preocupados com o fracasso das autoridades europeias em chegar a um acordo em relação aos termos dos empréstimos para a Grécia, os principais bancos em Atenas acrescentaram outra preocupação na quarta-feira, ao recorrerem ao governo grego por mais ajuda financeira.

A continuidade da incerteza em relação à habilidade da Grécia de refinanciar sua dívida fez com que os rendimentos de seus títulos de 10 anos ultrapassassem 7% de novo na quarta-feira.

O ministro das Finanças, George Papaconstantinou, disse que os bancos gregos pediram permissão para receber cerca de 17 bilhões de euros, ou US$ 22,8 bilhões, além do pacote de ajuda do Estado de 28 bilhões acertado em 2008.

Os bancos gregos se tornaram mais dependentes do Banco Central Europeu e do governo de Atenas, após terem sido excluídos na prática do mercado interbancário, onde os bancos emprestam uns aos outros, devido às preocupações com a capacidade deles de pagar suas dívidas.

Um alto regulador financeiro em Atenas disse que o anúncio pelo ministro das Finanças, somado à promessa de apoio por parte do Banco Central Europeu no mês passado, ajudaria a dar certo fôlego aos bancos gregos.

“Nós estamos tranquilos com a situação do financiamento até o próximo ano”, disse o alto funcionário, que não estava autorizado a comentar publicamente sobre o assunto. “Além desse prazo, nós não temos como saber.”

Ele disse que os bancos gregos teriam acesso a mais de 15 bilhões de euros do governo, principalmente na forma de garantias aos títulos emitidos pelos bancos.

Mas os desdobramentos, que ocorreram um dia após a Grécia ter dito que revisaria ligeiramente para cima os números de seu déficit orçamentário, em relação aos 12,7% do produto interno bruto informados no ano passado, não contribuíram para tranquilizar os investidores. Eles continuaram vendendo ativos gregos na quarta-feira.

Os analistas disseram que a confiança nos títulos gregos provavelmente não retornará até que os detalhes do pacote de ajuda europeu, que será realizado em conjunto com o Fundo Monetário Internacional (FMI), sejam acertados e a ajuda esteja de fato pronta para ser dada.

“A barganha em torno dos detalhes na Europa está causando certa preocupação”, disse Stephen J. Lewis, diretor de pesquisa da Monument Securities, em Londres. “Quando ela acabar, então ocorrerá a briga entre o FMI e os europeus sobre quem estabelecerá as condições. Logo, ainda há muita incerteza.”

O rendimento do título referencial de 10 anos do governo grego subiu para 7,156%, em comparação a 6,973% na terça-feira.

Imediatamente após seu anúncio, Papaconstantinou se reuniu com representantes do FMI para discutir os esforços de seu governo para cortar os gastos públicos e promover as mudanças estruturais para reduzir o déficit orçamentário para 8,7% do PIB neste ano.

Uma porta-voz do ministério, Filio Lanara, disse que as autoridades examinaram um esboço da lei que visa coibir a evasão fiscal desenfreada.

Separadamente em Bruxelas, o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, repetiu a promessa de ajuda financeira, dizendo em um discurso aos legisladores que os países europeus “estão prontos” para conceder os empréstimos bilaterais.

Mas nos bastidores, os governos europeus ainda estão debatendo os termos do pacote de ajuda.

As autoridades dos países da zona do euro discutirão os detalhes novamente na quinta-feira, para estabelecer a base para um possível acordo político pelos ministros, em uma reunião informal em Madri, em 16 de abril.

A Alemanha assumiu uma posição particularmente dura, insistindo que o empréstimo deve ser concedido próximo das taxas de mercado recentes, de 6% a 6,5%, para desencorajar outros países de seguirem o exemplo grego.

Uma autoridade da zona do euro envolvida nas negociações, que falou sob a condição de anonimato por não estar autorizada a comentar publicamente, disse que a taxa de juros final para os empréstimos pelos países europeus pode terminar próxima de 4,5%, variando de acordo com o termo dos empréstimos.

A suposição entre as autoridades europeias é de que o FMI ofereceria à Grécia cerca de 10 bilhões a 11 bilhões de euros.

Isso deixaria os parceiros da Grécia necessitando levantar cerca de 30 bilhões de euros para atender as necessidades financeiras de Atenas a curto prazo.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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