UOL Notícias Internacional
 

09/04/2010

Mais famosos dissidente chinês está gravemente doente e padece na prisão sem ajuda do governo, denuncia esposa

The New York Times
Michael Wines e Jonathan Ansfield
Em Pequim (China)
  • O ativista chinês Hu Jia é o mais famoso dissidente do país e concede entrevista em café de Pequim, China, antes de ser preso há mais de dois anos, sob acusação de incitamento à subversão

    O ativista chinês Hu Jia é o mais famoso dissidente do país e concede entrevista em café de Pequim, China, antes de ser preso há mais de dois anos, sob acusação de incitamento à subversão

Hu Jia, um ativista de direitos humanos internacionalmente conhecido e que está preso há mais de dois anos sob acusação de incitamento à subversão, está seriamente doente com um mal no fígado que pode ser câncer, disse sua esposa na quinta-feira. 

Ela disse que pediu às autoridades para que lhe concedessem liberdade condicional, mas que ela e o advogado de Hu receberam fortes indicações por parte das autoridades carcerárias de que o pedido dificilmente será atendido. 

A esposa de Hu, Zeng Jinyan, disse em uma entrevista que os médicos descobriram uma massa em seu fígado durante testes após ele dar entrada em um hospital carcerário de Pequim, em 30 de março. 

Hu, 36 anos, é o ganhador da mais alta distinção de direitos humanos da Europa em 2008, o Prêmio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, e foi um dos principais candidatos ao Prêmio Nobel da Paz de 2008. Ele ganhou respeito mundial após uma dúzia de anos de esforços em prol de causas ambientais, de pacientes com Aids e da ampliação dos direitos democráticos dentro da China. 

Segundo uma cópia do pedido de Zeng de liberdade condicional, Hu sofreu com febre alta por duas semanas antes de ser enviado ao hospital carcerário. 

Na entrevista, ela disse que os médicos escreveram “câncer de fígado?” em seu relatório, mas ainda não chegaram a um diagnóstico conclusivo. 

Hu foi diagnosticado com cirrose crônica em 2006, causada por uma hepatite B; em janeiro de 2009 ele teve que parar de tomar um medicamento usado para tratá-la, após desenvolver resistência à droga. A cirrose pode levar ao câncer de fígado. 

A piora da condição de Hu e a ineficácia do tratamento médico atendem às condições legais para liberdade condicional por motivos médicos segundo as leis chinesas, escreveu Zeng em seu pedido. 

Mas em uma entrevista para a agência de notícias “The Associated Press” na quinta-feira, o advogado de Hu, Li Fangping, disse que uma autoridade do presídio lhe informou que não há possibilidade de Hu ser solto. 

Nem outras três autoridades carcerárias com quem Zeng se encontrou na quinta-feira forneceram muita esperança. 

“Mesmo se for câncer de fígado”, ela disse que eles lhe disseram, “a liberdade condicional por motivos médicos pode não ser possível, porque outros fatores a afetam. E se ele está doente, o hospital carcerário o tratará primeiro e apenas se não puder tratá-lo com sucesso é que ele receberá a liberdade condicional por motivos médicos”. 

No ano passado, as autoridades rejeitaram um pedido de liberdade condicional por motivos médicos apresentado pela família dele. 

Hu foi um dos primeiros a usar a Internet para disseminar notícias sobre questões de direitos humanos e outros problemas que embaraçaram as autoridades. Ele foi mantido sob prisão domiciliar em 2006 por quase seis meses, apenas para lançar um documentário, “Prisoners in Freedom City” (Prisioneiros na Cidade da Liberdade), que mostrava os agentes de segurança que eram seus captores molestando Zeng. Em 2007, ele testemunhou por um link de vídeo perante um comitê do Parlamento Europeu sobre os problemas de direitos humanos na China. As autoridades chinesas o detiveram e o prenderam sob acusações de subversão no mês seguinte e, em abril de 2008, ele foi sentenciado a três anos e meio de prisão. Sua pena termina em junho de 2011. 

A sentença de Hu foi amplamente considerada parte do esforço do governo chinês para silenciar os protestos antes das Olimpíadas de 2008, que o país conseguiu administrar cuidadosamente para maximizar a atenção internacional positiva. 

Um mês após os Jogos, apesar de um alerta do governo chinês sobre “danos sérios” às relações diplomáticas, o Parlamento Europeu votou por dar a Hu o Prêmio Sakharov. O presidente do Parlamento na época, Hans-Gert Pottering, chamou o prêmio de “um sinal de claro apoio a todos aqueles que apoiam os direitos humanos na China”. 

O grupo de defesa Human Rights Watch expressou profunda preocupação com a saúde de Hu em uma carta de dezembro de 2008 ao presidente Hu Jintao. Na quinta-feira, o diretor de saúde e direitos humanos do grupo, Joseph Amon, disse que a família de Hu e forasteiros experimentaram “contínuos problemas” no monitoramento de seu atendimento médico e para determinar se o tratamento que ele está recebendo era adequado. 

“Os governos têm a obrigação de assegurar que os presos recebam um tratamento médico igual ao fornecido à comunidade”, disse Amon, acrescentando que um não tratamento médico equivale a tortura segundo as convenções internacionais. 

“Não é difícil apresentar os resultados médicos para uma família”, ele disse. “Não é difícil realizar mais exames quando um resultado é incerto. E este caso certamente não atende este padrão.” 

Zeng, ela mesma uma blogueira proeminente e ativista de direitos, disse que os parentes de Hu conseguiram visitá-lo no dia seguinte à entrada oficial dele no hospital carcerário em Pequim. 

Naquela manhã, ela disse, as autoridades carcerárias de Pequim convocaram a mãe de Hu ao hospital para que ela assinasse uma documentação para uma tomografia de seu fígado. Zeng descreveu como seu marido, com as mãos algemadas e tornozelos acorrentados, ainda assim conseguiu percorrer o corredor para cumprimentar sua mãe, que não conseguiu conter as lágrimas. 

“Hu Jia, não tem sido fácil para sua mãe criá-lo nestes 36 anos”, ela disse ao filho. “Você precisa cuidar de sua saúde!” 

Mas Hu, disse sua esposa, permaneceu “muito calmo, confortando sua mãe, dizendo para ela não ficar triste”.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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