UOL Notícias Internacional
 

15/04/2010

Irã poderá produzir combustível para bomba atômica em um ano

The New York Times
David E. Sanger
Em Washington (EUA)
  • O presidente iraniano, Mahmud Ahmadineyad (centro), rodeado de cientistas, inaugura a primeira usina de combustível nuclear, marcando as celebrações do Dia Nuclear nacional, no Irã

    O presidente iraniano, Mahmud Ahmadineyad (centro), rodeado de cientistas, inaugura a primeira usina de combustível nuclear, marcando as celebrações do Dia Nuclear nacional, no Irã

Dois dos mais altos oficiais militares do país disseram na quarta-feira que o Irã poderá produzir combustível para pelo menos uma arma nuclear em um ano, mas provavelmente precisaria de dois a cinco anos para fabricar uma bomba atômica viável. 

O depoimento cuidadosamente preparado para o Comitê de Serviços Armados do Senado forneceu a avaliação pública recente mais completa de quanto tempo o presidente Barack Obama e seus aliados têm para impedir os iranianos de terem capacidade nuclear. 

Mas as respostas das testemunhas aos membros do comitê também levantaram dúvidas sobre quão profundamente o programa iraniano foi infiltrado. Isso ocorre poucos dias após Obama, em uma entrevista ao “New York Times”, e o secretário de Defesa, Robert M. Gates, terem sugerido que assim que os iranianos tivessem capacidade de montar uma arma, a inteligência americana poderia não ser mais capaz de determinar a produção de fato de uma. 

O prazo apresentado no depoimento do general Ronald L. Burgess Jr., o diretor da Agência de Inteligência da Defesa, e do general James E. Cartwrigh, o vice-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e um dos oficiais mais experientes das forças armadas em assuntos nucleares, estava mais ou menos de acordo com a conclusão de uma Avaliação Nacional de Inteligência de 2007. 

Esse documento, que está prestes a ser atualizado, disse que o Irã provavelmente conseguiria produzir uma arma nuclear entre 2010 e 2015, apesar de ter alertado sobre a inexistência de evidência de que o governo iraniano decidiu fazer isso. 

Na audiência na quarta-feira, os oficiais evitaram as perguntas sobre se o relatório atualizado da inteligência, que a Casa Branca planeja manter confidencial, mudou essa avaliação sobre a decisão do Irã. 

Em um momento curioso no depoimento, Burgess notou que a informação divulgada publicamente pelos inspetores nucleares internacionais sugeria que o Irã ainda não tinha usado suas milhares de centrífugas na instalação nuclear de Natanz para produzir urânio altamente enriquecido, o tipo necessário para produzir uma arma nuclear. 

Mas quando perguntado sobre se essa também era a avaliação das agências de inteligência americanas, Burgess hesitou, e então disse aos senadores que “qualquer discussão adicional sobre isso” deveria ser feita em uma sessão confidencial. 

Os generais ofereceram várias advertências significativas sobre suas avaliações das capacidades do Irã. Quando perguntado, por exemplo, sobre quanto tempo levaria para o Irã converter seus estoques atuais de urânio pouco enriquecido em material para bomba, Burgess disse: “O consenso geral –sem saber o número exato de centrífugas existentes– é de que estamos falando em um ano”. 

Essa resposta pareceu sugerir que as agências de inteligência acreditam que outras instalações de enriquecimento, como a descoberta no ano passado nos arredores da cidade sagrada de Qom, também poderiam estar em funcionamento. 

Poucas horas antes da audiência de quarta-feira, o líder do programa nuclear do Irã disse que o país tinha usado uma instalação recém-construída para enriquecer cerca de 5 quilos de urânio ao nível de 20%, o limiar entre combustível “pouco enriquecido” e uma categoria ampla chamada “altamente enriquecido”. Normalmente, as armas são feitas com combustível enriquecido em pelo menos 90%. Os iranianos se gabaram de que em breve começariam a produzir em massa uma centrífuga bem mais eficiente para enriquecer urânio mais rapidamente. 

Mesmo se o Irã produzir material com qualidade para arma em um ano, isso não necessariamente significaria que o país estaria pronto para o que os especialistas chamam de “breakout” –renunciar ao Tratado de Não-Proliferação Nuclear e declarar, como fez a Coreia do Norte, que o país agora é uma potência nuclear. 

É essa possibilidade que preocupa o governo Obama, em parte porque assim que o Irã superar o obstáculo tecnológico para produzir urânio para bomba, o governo israelense poderia decidir que os esforços para desencorajar o Irã de desenvolver uma arma nuclear por meio de sanções fracassaram, e que um ataque militar é a única opção restante. 

A certa altura no depoimento, pressionado pelo senador Jack Reed, democrata de Rhode Island, Cartwright demonstrou dúvida em relação à noção de que alguma sanção aprovada pela ONU mudaria a ideia do Irã de dar continuidade ao seu programa nuclear. 

Quando Reed perguntou se um ataque militar eliminaria o programa, Cartwright respondeu: “Uma ação militar por si só provavelmente também não seria decisiva”. 

Para o senador John McCain do Arizona, que pedia ações mais duras contra o Irã quando disputou a presidência contra Obama em 2008, o momento para sanções já passou meses atrás. “Eu nunca achei que uma política de diálogo com os governantes do Irã teria sucesso, mas eu entendo por que o presidente a tentou”, disse McCain. “Agora, após a intransigência persistente do Irã, já passou da hora de endurecermos nossa política.”

Tradução: George El Khouri Andolfato

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